Inimigo Íntimo

 O Escândalo Envolvendo a Sociedade Torre de Vigia e a ONU  

(As cartas aqui transcritas estão disponíveis no seguinte endereço: http://osegredodebetel.blogspot.com/)

 

"...que parceria tem a luz com a escuridão?" - II Coríntios 6:14

 

          A edição de 8 de outubro de 2001 do jornal inglês "The Guardian" [O Guardião] causou forte impacto sobre a comunidade mundial das Testemunhas de Jeová. Segundo uma matéria - da autoria do repórter Stephen Bates -, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque, entidade central desse grupo religioso nos EUA, estava afiliada à Organização das Nações Unidas (ONU), na condição de organização não governamental (ONG), desde o ano de 1991(http://www.guardian.co.uk/uk_news/story/0,3604,565005,00.html). Para o público em geral, nada haveria de desabonador nessa reportagem, pois uma parceria com a ONU - esse respeitável organismo internacional, criado para unir nações e apaziguar conflitos - representaria, para a maioria das instituições religiosas, motivo de júbilo e orgulho. Mas não para as Testemunhas de Jeová - elas são diferentes. Para os adeptos dessa denominação, um vínculo entre sua sede e a ONU seria incogitável, mais que isso, um insulto! Por quê? É simples: por décadas, os líderes da Torre de Vigia têm feito repetidos ataques morais à ONU em suas publicações. Na verdade, tais ataques tiveram início em 1919, quando a ONU ainda não existia, mas sua antecessora, a Liga das Nações, criada após a I Guerra Mundial. Essa atitude se manteve após a II Guerra, com a criação das Nações Unidas. Durante todo esse tempo, a doutrina oficial das Testemunhas de Jeová - conforme ensinada por sua liderança nos EUA (denominada "Corpo Governante" ou "Escravo Fiel e Discreto") - tem sido: a ONU representa a 'fera cor de escarlate' retratada no livro bíblico de Apocalipse (ou Revelação, cap. 17, versículo 3), sobre cujo lombo se assenta uma meretriz. As Testemunhas crêem que tal 'fera' simboliza o poder político reunido na ONU e a meretriz simboliza o poder religioso (em especial, a 'cristandade'), aliado do primeiro. Para elas, a força de ambos se origina do diabo, seu idealizador e sustentador. Adjetivos como "repugnante", "detestável", "abominável"  e "blasfemo" foram repetidamente dirigidos à ONU desde a sua fundação, na literatura das Testemunhas de Jeová. Até mesmo a destruição desse organismo internacional por parte de Deus tem sido prevista e desejada por elas  durante décadas (segundo suas crenças, as Nações Unidas haveriam de patrocinar, algum dia, uma agressão aos sistemas religiosos, culminando em uma perseguição às próprias Testemunhas de Jeová). Diante desse quadro, era  normal que os adeptos da Sociedade Torre de Vigia reagissem a tal notícia com indignação e ceticismo. Se verdadeira, ela teria sérias implicações. A principal delas - a organização central das Testemunhas de Jeová teria traído cerca de 6 milhões de adeptos espalhados pelo mundo, por toda uma década.

          É possível que a descoberta dessa aliança insólita se deva a adeptos da própria organização religiosa, pois, cerca de um mês antes da publicação da matéria no jornal, uma correspondência incomum chegou ao escritório da Sociedade Torre de Vigia em Portugal (ou 'Betel', termo que as Testemunhas freqüentemente usam referindo-se às filiais de sua organização). Seu autor, bastante aflito, confronta a Sociedade com um perturbador achado, fruto de uma pesquisa escolar.

          O conteúdo da carta é o seguinte:

 

Daniel de Carvalho

Apt. 268

4711-911 Braga

Tel. 964011235

 

Associação das Testemunhas de Jeová

Alcabideche

Estoril-Portugal

Domingo, 9 de Setembro de 2001

 

Assunto: “A Fera”  Rev. 17:8 e as nossas relações com ela

           Prezados Irmãos: 

          É com deleite que vos contato aí em Betel. Apoiando a obra de diversas formas cá do “exterior”, é reconfortante saber-vos permanentemente ativos a favor do nosso Criador e de toda a associação de Seus adoradores. Dirijo-me a vocês na qualidade de irmãos que tomam a dianteira na obra, solicitando a vossa prezada ajuda no entendimento adequado de um assunto de grande importância ou de sua correção, se aplicável.

          No decurso de uma investigação realizada em família para a realização de um trabalho escolar sobre a ONU, recorremos a diversas publicações da Sociedade e também a fontes seculares. Foi por meio desse trabalho que detectamos uma afirmação grotesca por parte das Nações Unidas.

          Confrontei com essa descoberta, que me perturbou na minha consciência cristã treinada pela bíblia, dois irmãos amigos, um dos quais ancião e uma familiar que serve como pioneira regular. Perante a incredulidade desses irmãos e estando eu próprio com fortes dúvidas sobre a fidedignidade dessa fonte secular, sigo a sugestão recebida de me dirigir à organização. Ficarei muito aliviado obtendo da vossa parte a confirmação que a ONU, essa fera mencionada nas Sagradas Escrituras, está a mentir relativamente ao povo de Deus. E sentir-me-ei feliz de poder contribuir para que a Sociedade possa tomar os devidos passos legais de forma que os responsáveis por esse lapso das Nações Unidas reponham a verdade. De acordo com o meu entendimento e o de família e amigos, é impossível a alegação que a ONU faz ser verdade. 

          Para justificar esse meu sentimento e a perturbação de minha consciência, passo a citar alguns trechos de nossas publicações reunidos com a preciosa ajuda da Watchtower Library em CD-Rom. Restrinjo-me a artigos publicados depois do lançamento do livro Revelação assim como a citações desse próprio livro. 

          A pergunta: “Como pensam os verdadeiros cristãos sobre a ONU’?” merece a seguinte resposta: 

***re 242-3  33 O julgamento da infame meretriz*** 

     19 Será que os da classe de João, aquele único grupo na terra que entusiasticamente aceitava o  entrante Reino messiânico, participaram com a cristandade em prestar homenagem à fera cor de escarlate? Longe disso! No domingo, 7 de setembro de 1919, o congresso do povo de Jeová em Cedar Point, Ohio, EUA, destacava o discurso público “A Esperança Para a Humanidade Angustiada”. No dia seguinte, o Star-Joumal de Sandusky noticiou que J. F. Rutherford, presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), falando a quase 7000 pessoas, havia afirmado que “é certo... que o desagrado do Senhor recairá sobre a Liga porque os clérigos — católicos e protestantes — que afirmam ser representantes de Deus, abandonaram o plano Dele e endossaram a Liga das Nações, aclamando-a como a expressão política do reino de Cristo na terra”. 

     20 O triste fracasso da Liga das Nações deveria ter indicado aos clérigos que tais organismos feitos pelo homem não fazem parte do Reino de Deus na terra. Quanta blasfêmia é afirmar que são! Faz parecer como se Deus fosse partícipe no colossal fracasso que a Liga veio a ser. Quanto a Deus, “perfeita é a sua atuação”. O Reino celestial de Jeová, sob Cristo — e não um conjunto de políticos altercantes, muitos deles ateus — é o meio pelo qual ele trará paz e fará com que se realize a sua vontade na terra, assim como no céu. — Deuteronômio 32:4; Mateus 5:10. 

     21 Que dizer da organização sucessora da Liga, as Nações Unidas? Desde que foi concebido, este organismo também tem a grande meretriz montada nas costas, visivelmente associada com ela e tentando dirigir o seu destino. Por exemplo, no seu 20º aniversário, em junho de 1965, representantes da Igreja Católica Romana e da Igreja Ortodoxa Oriental, junto com protestantes, judeus, hindus, budistas e muçulmanos — reputadamente representando dois bilhões da população da terra — reuniram-se em São Francisco (Califórnia) para solenizar seu apoio e sua admiração à ONU. Em visita à ONU, em outubro de 1965, o Papa Paulo VI descreveu-a como ‘esta maior de todas as organizações mundiais”, e acrescentou: “Os povos da terra voltam-se para as Nações Unidas como sendo a última esperança de concórdia e paz.” Outro visitante papal, o Papa João Paulo II, dirigiu-se à ONU em outubro de 1979, dizendo: “Faço votos que as Nações Unidas permaneçam sempre o supremo foro da paz e da justiça.” Significativamente, o papa não fez menção de Jesus Cristo, nem do Reino de Deus, no seu discurso. Durante a sua visita aos Estados Unidos, em setembro de 1987, conforme noticiado pelo jornal The New York Times, “João Paulo falou extensivamente sobre o papel positivo das Nações Unidas na promoção... duma 'nova solidariedade mundial’”.

      ***re 248-9 34 Solucionado um espantoso mistério***

           Ascendendo do Abismo

      6 A fera cor de escarlate de fato ascendeu do abismo. Em 26 de junho de 1945, com grande estardalhaço, em São Francisco, EUA, 50 nações votaram aceitar a Carta da organização das Nações Unidas. Este organismo devia “manter a paz e a segurança internacionais”. Havia muitas similaridades entre a Liga e a ONU. A Enciclopédia Delta Universal observa: “Sob certos aspectos, a ONU se parece com a Liga das Nações, que se organizou depois da Primeira Guerra Mundial... Muitas das nações que fundaram a ONU haviam fundado também a Liga das Nações. Do mesmo modo que a liga, a ONU foi instituída para ajudar a manter a paz entre as nações. Os principais órgãos da ONU são parecidos com os da liga.” A ONU, portanto, e realmente uma revivificação da fera cor de escarlate. Seu rol de membros, de mais de 150 nações, ultrapassa em muito o das 63 da Liga; também assumiu responsabilidades mais amplas do que sua predecessora.

     7 No começo, expressaram-se grandes esperanças com respeito à ONU. Isto se deu em cumprimento das palavras do anjo: “E quando virem que a fera era, mas não é, contudo estará presente, os que moram na terra se admirarão grandemente, mas os nomes deles não foram inscritos no rolo da vida desde a fundação do mundo.“ (Revelação 17:8b) Os que moram na terra têm admirado este novo colosso, que opera desde a sua imponente sede junto ao Rio East, em Nova lorque. Mas a verdadeira paz e segurança eludiram a ONU. Nesta diabólica era nuclear, manteve-se a paz mundial apenas com a ameaça duma “destruição mútua assegurada” — em inglês com a sigla de MAD (“Mutual Assured Destruction”) — e a corrida armamentista tem continuado a aumentar astronomicamente. Depois de quase 40 anos de esforços das Nações Unidas, seu secretário-geral, Javier Pérez de Cuéllar, lamentou em 1985: “vivemos em mais uma era de fanáticos, e não sabemos o que fazer a respeito disso.”

      8 A ONU não possui as soluções. E por que não? Porque o Dador da vida de toda a humanidade não é o dador da vida da ONU. A duração da vida desta será curta, porque, segundo o decreto de Deus, ela “há de ir para a destruição”. Os fundadores e os admiradores da ONU não têm seus nomes registrados no rolo da vida de Deus. Como poderiam homens pecaminosos, mortais, muitos deles zombando do nome de Deus, realizar por meio da ONU aquilo que Jeová Deus declarou que está prestes a realizar, não por meios humanos, mas por meio do Reino de seu Cristo?— Daniel 7:27; Revelação 11:15.

      9 A ONU, na realidade, é uma imitação blasfema do Reino messiânico de Deus, o qual é regido pelo Seu Príncipe da Paz, Jesus Cristo de cujo domínio principesco não haverá fim. (lsaías 9:6, 7) Mesmo que a ONU conseguisse arranjar uma paz temporária, logo irromperiam de novo algumas guerras. Esta é a natureza de homens pecaminosos. “Os nomes deres não foram inscritos no rolo da vida desde a fundação do mundo.” O Reino de Jeová por Cristo não somente estabelecerá paz eterna na terra, mas, à base do sacrifício resgatador de Jesus, ressuscitará os mortos, os justos e os injustos que estão na memória de Deus. (João 5:28, 29; Atos 24:15) Isto inclui todos os que permaneceram firmes apesar dos ataques de Satanás e seu descendente, e outros que ainda terão de mostrar-se obedientes. Ë óbvio que o rolo da vida de Deus nunca conterá os nomes de empedernidos adeptos de Babilônia, a Grande, nem de quaisquer que continuarem a adorar a fera. — Êxodo 32:33; Salmo 86:8-10; João 17:3; Revelação 16:2; 17:5.

       ***re 249 34 Solucionado um espantoso mistério***

      Não obstante, as religiões do mundo — sempre ansiosas de boa afinidade com a ONU — empreenderam a divulgação daquele ano de diversas maneiras. Em 1º de janeiro de 1986, Papa João Paulo II elogiou o trabalho da ONU e dedicou o novo ano à paz. E em 27 de outubro ele reuniu os lideres de muitas das religiões do mundo em Assis, na Itália, para orarem pela paz.

          ***w90 15/3 8-9 O sinal dos últimos dias***

        Outra parte do sinal que Jesus deu foi o aparecimento da “coisa repugnante que causa desolação”. Em 66 EC esta coisa repugnante apareceu na forma dos “exércitos acampados”, de Roma, que cercaram Jerusalém e minaram o muro do templo. “A coisa repugnante” postou­-se onde não devia. No cumprimento maior do sinal, a coisa repugnante é a Liga das Nações e sua sucessora, as Nações Unidas. Esta organização em prol da paz mundial é encarada pela cristandade como substituta do Reino de Deus. Quão repugnante! No tempo devido, portanto, os poderes políticos associados com as Nações Unidas voltar-se-ão contra a cristandade (a antitípica Jerusalém) e a desolarão.

  ***w99 1/5 15 “Que o leitor use de discernimento”

 Uma “coisa repugnante” na atualidade

  7 Desde a Primeira Guerra Mundial, temos visto o cumprimento maior do sinal de Jesus, registrado no capitulo 24 de Mateus. Mas, lembre-se das palavras dele: “Quando avistardes coisa repugnante que causa desolação... estar em pé num lugar santo,... então, os que estiverem na Judéia comecem a fugir para os montes.” (Mateus 24:15, 16) Este aspecto da profecia também deve ter cumprimento no nosso tempo.

      8 Mostrando a confiança que os servos de Jeová tinham no cumprimento desta profecia. A Sentinela em inglês, de 1º de janeiro de 1921, enfocou-a relacionado com acontecimentos no Oriente Médio. Depois, no seu número em inglês de 15 de dezembro de 1929, na página 374, A Sentinela declarou terminantemente: “Toda a tendência da Liga das Nações é desviar as pessoas de Deus e de Cristo, e por isso ela é uma coisa desoladora, produto de Satanás, e uma abominação aos olhos de Deus.” De modo que “a coisa repugnante” surgiu em 1919. Com o tempo, a Liga deu lugar às Nações Unidas. As Testemunhas de Jeová já por muito tempo têm exposto essas organizações humanas de paz como repugnantes aos olhos de Deus.

      ***w99 1/517 “Que o leitor use de discernimento”***

      14 O livro de Revelação descreve um futuro ataque destrutivo contra a religião falsa. O capítulo 17 delineia o julgamento de Deus contra “Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes” - o império mundial da religião falsa. A cristandade desempenha um papel central e afirma ter uma relação pactuada com Deus. (Note Jeremias 7:4.) As religiões falsas, inclusive a cristandade, por muito tempo têm tido tratos ilícitos com “os reis da terra”, mas isto acabará na desolação dessas religiões. (Revelação 17:2, 5) Pelas mãos de quem?

      15 Revelação descreve uma “fera cor de escarlate” que existe por algum tempo, que desaparece e então retorna. (Revelação 17:3, 8) Esta fera é apoiada pelos governantes do mundo. Os pormenores fornecidos na profecia ajudam-nos a identificar essa fera simbólica como uma organização de paz, que veio à existência em 1919 como a Liga das Nações (uma “coisa repugnante”) e que agora é as Nações Unidas. Revelação 17:16, 17, mostra que Deus ainda porá no coração de certos governantes humanos, que têm destaque nesta “fera”, desolarem o império mundial da religião falsa. Este ataque marcará o irrompimento da grande tribulação.

           É isto o ensino que eu e todos nós temos recebido por parte de Jeová Deus.

          Numa brochura online das Nações Unidas encontra-se a descrição de “Organizações Não Governamentais” (doravante designadas NGO, sigla em inglês) associadas à ONU por meio de seu “Departamento de Informação Pública” (doravante designado DPI, sigla em inglês).

          Eis a fonte: http://www.un.org/dpi/ngosection/brochure.htm.

          Ao pesquisar exemplos de NGQ’s associadas ao DPI da ONU encontrarão entre outras a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque (Watchtower Bible and Tract Socíety of New York, Inc) como organização voltada aos direitos humanos.

           Eis a fonte: http://www.un.org/Morelnfo/ngolink/ngodir/NGODirAlph/alphabet.htm

           Ao pesquisar as tarefas, requisitos, deveres ou compromissos das NGO’s e a história do DPI da ONU, encontrei os seguintes fatos sobre esses assuntos que nos fazem sentir a certeza que a Sociedade nunca está aliada de forma tão vinculada, comprometedora e evidente à fera.

           Sob o tema O que é uma NGO? encontra-se a seguinte descrição:

           “As NGO tentam... promover o envolvimento político da população”.

          “As NGO dão às Nações Unidas uma boa ligação para com cidadãos em todo o mundo.”

          “O DPI ajuda as NGO a... receber informações e a difundi-las para dar à população um melhor entendimento dos objetivos da organização mundial [ONU].”

          “Mais de 1500 NGO... permitem às Nações Unidas uma melhor relação com a população.”

           Perante isto, a afirmação da ONU de que uma sociedade utilizada pelas Testemunhas de Jeová faz parte dessas NGO é realmente um insulto para verdadeiros cristãos, não é?

           Sob o tema Como cooperam as NGO e o DPI? encontra-se a seguinte descrição:

          “As NGO acreditadas pelo DPI [a idéia de um organismo da fera “acreditar” um organismo de Jeová é particularmente ofensiva!] difundem informações sobre a ONU... como sobre atividades das Nações Unidas ao redor do mundo sobre assuntos tais como paz e segurança e promovem observâncias das Nações Unidas e anos internacionais estabelecidos pela Assembléia Geral.

           Perante tal afirmação, sinto-me mesmo impelido em repetir uma citação do escravo fiel e discreto:

          ****re 249 34 Solucionado um espantoso mistério****

      Não obstante, as religiões do mundo — sempre ansiosas de boa afinidade com a ONU — empreenderam a divulgação daquele ano [de paz] de diversas maneiras.

           Ainda sob o referido tema, lemos:         

          “As NGO promovem uma melhor compreensão e apoio pelas populações para com a ONU”.  

          Sob o tema História da Cooperação entre o DPI e as NGO encontra-se o seguinte: 

          Há o relato de que essas cooperações remontam a 1943, data anterior às publicações por mim consultadas. Uma resolução de 23.05.1968 determina que uma NGO “se compromete a apoiar os trabalhos da ONU e a difundir o conhecimento sobre... as suas atividades.” 

          Sob o tema Como se processa a associação das NGO ao DPI? encontra-se o seguinte: 

          “A NGO deve dirigir um ofício [portanto, um processo de iniciativa voluntária] manifestando o seu interesse em se associar.” 

          Ainda neste subtema é afirmado que, embora as NGO não façam parte do sistema da ONU e que os colaboradores das NGO não desfrutem de direitos especiais ou privilégios por parte das Nações Unidas, cada NGO elege um representante e um substituto para os trabalhos a desenvolver conjuntamente com o DPI. É apropriado neste contexto solicitar também a vossa afirmação de que o anterior presidente da Sociedade, o irmão Henschel, não dispõe de um passe diplomático das Nações Unidas. Surge essa questão porque um irmão nosso amigo, durante uma assembléia na Europa Central, teve o privilégio de assistir o irmão Henschel e pareceu-lhe que ele dispunha de um passe diplomático da ONU. 

          Ao considerar esta publicação da ONU, é visível que a relação das NGO com as Nações Unidas não é uma “membership”, ou seja um “ser membro de”. Isso está claramente reservado a forças políticas. O Vaticano, como estado soberano, é membro das Nações Unidas. As NGO como Organizações NÃO-governamentais são apenas associados. Mas a relação e afinidade estabelecidas são evidentes. Analogamente, compreendo que eu e a maioria dos publicadores em Portugal não somos membros da Associação em Alcabideche. Apenas uns poucos irmãos é que o são. Mas todos nós estamos associados como Testemunhas de Jeová. Uma associação com o DPI da ONU é, portanto, um assunto sério e implicativo. Existem até mesmo, conforme descrito acima, critérios de seleção e procedimentos para “acreditar” uma NGO pelo DPI. Perante os muitos detalhes dados pela ONU sobre reuniões de trabalho na sede das Nações Unidas, custa-me imaginar a participação voluntária de uma Testemunha de Jeová em uma só reunião na sede mundial da fera. 

          Finalizando, a referida brochura da ONU salienta ainda que “desde a fundação das Nações Unidas as NGO (das quais alegadamente a Sociedade faz parte) fizeram um trabalho valioso... mobilizando a opinião pública a favor da ONU e suas organizações especiais.” 

          Significativa é a derradeira afirmação de que “a associação com o DPI significa um COMPROMISSO”. 

          O secretário-geral Kofi Anan chega mesmo a ser citado intitulando as NGO como “importantes atores no palco internacional”. 

          Tudo isto, como os irmãos podem compreender, me deixa muito triste e aflito. Não só os cristãos não entram em qualquer “compromisso”, ainda por cima voluntário, com os poderes políticos deste sistema moribundo como são submissos a um reino que não é deste mundo e como tal não são “importantes atores no palco internacional” como o Sr. Kofi Anan da ONU quer fazer crer. 

          Estou realmente desejoso em ver a verdade sobre este assunto afirmada. Penso que com este resumo e as referências das fontes, vos coloco, com o apoio do Senhor Jeová, tudo na mão para poderem tomar as ações que se vos afigurem adequadas. 

          Determinado em continuar a servir o nosso Deus e de apoiar da melhor forma que me seja pessoalmente possível a Sua grandiosa obra, desejo-vos a bênção de nosso amoroso Pai e aguardo desejosamente o vosso relato sobre o desfecho desta situação. 

          Calorosos cumprimentos do vosso irmão na fé. 

          Daniel de Carvalho

 

 

          A resposta chegou após um mês (coincidentemente, no mesmo dia em que saiu a manchete no jornal britânico). Eis o seu conteúdo:

 

ASSOCIAÇÃO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

RUA CONDE BARÃO, 511, ALCABIDECHE TEL. 21 469 06 00 FAX: 21 469 20 99

CORRESPONDÊNCIA: APARTADO 91,  276 95 55 ESTORIL PORTUGAL

 

SCC 08 de Outubro de 2001

 

Exmo. Senhor

Daniel de Carvalho

Apartado 268

4711-911      BRAGA

              

               Prezado Irmão: 

               Recebemos há alguns dias a sua carta onde o irmão manifestava a sua preocupação relativamente a algo que leu numa brochura online das Nações Unidas, acerca da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque, de modo que temos gosto em fazer alguns comentários sobre o assunto. 

              Antes de mais, queremos que saiba que apreciamos a sua preocupação em relação a este assunto e que o nome de Jeová e de sua organização terrestre seja mantido limpo e santo. 

              Ao respondermos à sua questão, gostaríamos de citar o que é dito nessa brochura sobre o que é uma Organização Não Governamental. Na brochura vemos o seguinte: 

              What is an NGO? A non-governmental organization (NGO) is a not-for-profit, voluntary citizens’ group, which is organized on a local, national or international level… NGOs perform a variety of services and humanitarian functions, bring citizens’ concerns to Governments… Some are organized around specific issues, such as human rights, the environment or health. Their relationship with offices and agencies of the United Nations (UN) system differs depending on their goals, their venue and their mandate. 

               Conforme mencionado acima, o objetivo das NGO registradas no Departamento de Informação Pública é variável. Algumas estão registradas como organizações humanitárias, tal como acontece com a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque. (Se reparar, a Sociedade está registrada como uma NGO que defende os direitos humanos) Todavia, isso não significa que tenha ligações antibíblicas com as Nações Unidas. Como é dito acima, a relação dessas organizações com os escritórios ou agências da ONU difere duma organização para outra, dependendo dos seus objetivos. 

               Portanto, tentando explicar isto de forma simples, o que se passa é que para a Sociedade poder defender os interesses dos nossos irmãos em países onde os seus direitos humanos são violados, e fazer chegar até eles assistência médica, alimentar e outra (como aconteceu em Ruanda e em muitos outros países e mais recentemente na Geórgia, onde os nossos irmãos são privados dos seus direitos humanos mais elementares) é necessário que a Sociedade esteja registrada na ONU como organização humanitária. Só assim é possível acudir às necessidades dos nossos irmãos, muitas vezes pedindo reuniões com governantes em altos cargos governamentais, embaixadores etc. Todavia, isso não significa que a Sociedade esteja de alguma forma a envolver-se politicamente com a ONU ou a apoiar as suas decisões políticas. Não! O povo de Jeová continua a manter-se politicamente neutro. Apenas estamos a usar um direito que nos é concedido, com o objetivo de que, conforme menciona Paulo, “continuemos a levar uma vida calma e sossegada, com plena devoção piedosa e seriedade” - 1 Tim. 2:1, 2. 

               Nos tempos bíblicos, o apóstolo Paulo usou a sua cidadania (um direito que lhe era concedido pelo Estado sem se envolver politicamente nos seus assuntos) como base para conseguir um julgamento nos tribunais mais elevados do país e assim dar um bom testemunho. (Atos 25: 11) De igual modo, o que a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque está a fazer é usar um estatuto que a ONU concede a várias organizações não governamentais, sem no entanto violar a sua neutralidade cristã. Assim, a organização pode tanto ‘defender como estabelecer legalmente as boas novas’ — Fil. 1:7 

               Algo semelhante acontece, por exemplo, com os sindicatos. Um cristão poderia, caso desejasse, estar associado a um sindicato, que defenderia os seus direitos como trabalhador pagando as suas quotas respectivas, beneficiando assim da atuação deste em caso dos seus direitos laborais estarem a ser violados. No entanto, embora o cristão pudesse receber determinados benefícios por estar associado a um sindicato, ele não se envolveria na atividade sindical, não aceitaria um cargo no sindicato, nem se envolveria em qualquer atividade política que violasse a sua consciência bem treinada pela Bíblia. O mesmo princípio se aplica ao assunto em questão. Os irmãos apenas estão a usar um direito que lhes é concedido pela ONU, ao se registrarem como uma NGO que defende os direitos humanos, podendo assim desta forma zelar melhor pelo bem estar dos nossos irmãos e fazer com que a sua voz seja ouvida nas mais altas instâncias governamentais (tal como fez Paulo) sem no entanto se envolverem ou darem qualquer espécie de apoio à “fera” de Revelação. 

               Portanto, apreciamos a sua preocupação, no entanto, pode estar certo de que a Sociedade Torre de Viga de Bíblias e Tratados de Nova lorque está a manter a sua estreita neutralidade nas questões políticas, não se envolvendo em nada antibíblico nem dando qualquer apoio à “fera”. 

               Esperamos que esta informação seja de ajuda para o irmão e tenha-o esclarecido sobre esta matéria que o preocupava Sem mais nada de momento, despedimo-nos, aproveitando a oportunidade para enviar-lhe o nosso amor cristão.

 

Seus irmãos,

Associação das Testemunhas de Jeová

 

 

          Essa foi a primeira - mas não a definitiva - versão dada pela Sociedade Torre de Vigia para o caso. Vemos que a entidade não nega o vínculo formal (e nem seria prudente negá-lo, uma vez que o mesmo poderia facilmente ser comprovado por uma consulta direta à própria ONU ou uma simples visita à sua página, reproduzida neste endereço: http://www.glextj.locaweb.com.br/tjs_onu/carta_20040304/dpi_ngo20040304_03_0.htm). Todavia, a organização busca minimizar o fato, atribuindo-lhe motivações humanitárias - tudo não passaria de uma tentativa de socorrer adeptos que vivem em países onde os direitos humanos têm sido violados. Vista por essa ótica, a afiliação a um departamento da ONU, embora questionável do ponto de vista doutrinal, poderia, se tornar mais 'tragável' por parte das Testemunhas de Jeová. Quem sabe, um esforço desesperado para ajudar pessoas oprimidas, um empenho humanitário que passou por alto certas questões teológicas - hipoteticamente falando, não seria difícil a um defensor granjear simpatia do público para uma organização que agisse assim, colocando o bem estar ou até a vida de seres humanos inocentes à frente de suas próprias crenças religiosas. Ainda mais se tal ato, como dá a entender a resposta de Betel, não fosse além de uma formalidade superficial, sem qualquer engajamento ideológico. Aparentemente, uma transgressão perdoável. Mas, foi esse o caso?

          Pelo visto, os representantes da Sociedade subestimaram a inteligência do autor da carta, bem como sua obstinação em busca da verdade. A tese da "ajuda humanitária" mostrou-se demasiadamente frágil para resistir a um escrutínio. Após uma profunda averiguação do caso, a Testemunha enviou uma segunda carta à filial portuguesa da Sociedade Torre de Vigia. Este é o seu conteúdo:

 

Daniel de Carvalho

Apt. 268

4711-911     Braga

Tel.:   964011235

 Associação das Testemunhas de Jeová

Alcabideche

Estoril Portugal 

Quarta-feira, 21 de novembro de 2001 

 

Assunto: A vossa carta de 08 de Outubro de 2001 (de SCC)

 

               Prezados Irmãos 

               De novo me dirijo a vocês, ciente que vos ocupo precioso tempo no vosso importante trabalho. Apenas o faço por ser o assunto de enorme importância. 

               Asseguro-vos, em primeiro lugar, o quanto aprecio todo o trabalho que tem sido feito em betel para nós. Talvez o apreço ainda seja maior por eu próprio ter servido em tempos por algum tempo em betel. Desde então, e como razões familiares me impedem de ter uma significativa participação na obra do Reino, tenho apoiado sozinho ou em conexão com a minha mãe, de forma anônima ou rastreável, duas congêneres da sociedade assim como diversas congregações. O tesoureiro do betel português, o irmão Augusto está ao par desses fatos. É por isso com redobrada preocupação que vos enviei a minha primeira carta. A resposta que eu obtive ainda me inquietou mais. 

               Não sei quem é o irmão que usa o código SCC, porém dirijo esta carta a ele e aos outros irmãos responsáveis pela resposta que me foi dada. 

               Após a descoberta, feita pela minha esposa, das existentes ligações com a ONU, fiquei aguardando a vossa resposta. Para manter a paz familiar (ela a dizer “é verdade” eu a dizer “não é” ) fiz uma pesquisa mais aprofundada sobre o assunto. Os resultados dessa pesquisa e, sobretudo, a vossa resposta, renovaram/ampliaram a minha perturbação. Antes de me confirmarem a veracidade da descoberta de minha esposa, já a Sra. Oca da sede das Nações Unidas o tinha feito telefonicamente. 

               A sua resposta, irmão “SCC”, inicia-se com uma citação da brochura das Nações Unidas. Podemos ler no livro Manual da Escola do Ministério Teocrático na página 127 § 17 sobre a utilização de citações: 

               “Outrossim, precisa ter um entendimento claro do texto e a aplicação que faz dele precisa ser exata. Considere os versículos em volta do texto, os princípios empregados ou as pessoas envolvidas, quando o uso do texto exigir isso. Nunca use um texto dum modo que esteja em desacordo com aquilo que o escritor queria dizer.” 

               Portanto, quanto ao trecho citado, temos de o analisar no contexto em que ele é mencionado. (E podemos perguntar ao autor, a ONU, o que ele quis dizer) E verifica-se que a referida brochura da ONU de fato realça que os objetivos das NGO registradas no DPI são variáveis. (É claro que uma Caritas tem objetivos diferentes de uma REMAR.) 

               Porém existem pontos comuns a todas as NGO que, voluntariamente, se associaram ao DPI da ONU. Passo a realçar alguns objetivos ou obrigações comuns: 

“...difundem conhecimento e apoio para a Organização [ONU] entre seus membros.”

“...comprometem-se a apoiar o trabalho das Nações Unidas.”

“...difundir informação e mobilizar a opinião pública em apoio das Nações Unidas.” 

               Para vos facilitar a leitura, irmãos, remeto-vos uma cópia da brochura em espanhol. Tomei a liberdade de realçar os pontos chave. Ao repararem no contexto verificarão que estamos a concentrar-nos nesta análise exclusivamente em objetivos comuns, ao verdadeiro compromisso assumido pela Sociedade. 

               Apreciei a tentativa do irmão “SCC” explicar o envolvimento entre a Sociedade e a ONU por vias de esforços humanitários. Mas não corresponde à realidade que, como afirma a sua carta, “é necessário que a Sociedade estar registrada na ONU como organização humanitária.” Basta ver o diretório das NGO para nos apercebermos que muitas outras organizações também não estão registradas (ex. CVP, DRK, int. Red Cross), o que não as impede de prestar ajuda humanitária. Além disso, não se torna evidente porque é que as Testemunhas de Jeová têm estado mais habilitadas para prestar esse tipo de ajuda após o ano 1991 do que antes de estarmos associados ao DPI. 

               Igualmente essa posição, por si descrita, irmão “SCC”, suscita perguntas pertinentes: 

               Por que é que a comunidade Internacional dos irmãos não foi informada dessa aliança? Foi feita uma ampla cobertura sobre diversos processos em altas instâncias da justiça, da situação precária em França, da luta pelo reconhecimento como Igreja na RFA. Os relatos recentemente publicados sobre ajudas humanitárias na África - não teriam sido eles (já com uma década de atraso) um excelente veículo para explicar às testemunhas em todo o mundo que passos tinham sido dados? 

               Quando esse passo é comparado à atuação de Paulo em apelar aos seus direitos civis não nos devemos esquecer do seguinte: 

               A associação ao DPI das Nações Unidas é um ato voluntário e não é um direito civil. Em tempo algum foi necessário recorrer aos compromissos inerentes dessa associação para “defender e estabelecer as boas novas”- Fil.1:7. 

               Prova disso é que na pergunta no 5 e no 6 do formulário de adesão preenchido pela Sociedade havia a hipótese de assinalar a opção de atividades religiosas. Mas o diretório da ONU não faz qualquer referência à natureza religiosa da Sociedade, como aliás confirmado na vossa carta. 

               Enquanto um sindicato de fato pode, como a vossa carta explica, “defender os direitos de um trabalhador”, o compromisso para as NGO associadas é de “difundir informações e mobilizar a opinião publica em apoio da ONU”. Quão diferente é isso do apelo a César feito pelo posso irmão Paulo no primeiro século, caro irmão “SCC”! Paulo nunca se comprometeu a “consagrar parte de seus programas de informação a promover o conhecimento dos princípios e atividades de César”. Nem ele se comprometeu em preencher um relatório anual de suas atividades pró-César. Pois, por que enquanto todos os publicadores estão incentivados a entregar um relatório mensal de sua atividade em promover os interesses do Reino, a Sociedade, ao preencher e entregar o pedido de adesão, comprometeu-se a entregar anualmente, ao DPI, um relatório de suas atividades pró-ONU. Isso pode ser visto logo no cabeçalho do pedido de adesão. 

               Se a Sociedade não tinha realmente a intenção de assumir esses compromissos, foi dado conhecimento disso à ONU quando do pedido de adesão? A brochura espanhola anexada diz abertamente que na petição inicial da Sociedade teve de ser mencionado o verdadeiro objetivo para tal associação. Foi aproveitada essa oportunidade para fazer um claro distanciamento dos habituais compromissos assumidos por mais de 1500 NGO? As seis amostras de matéria recentemente publicada sobre a ONU incluíram destemidamente exemplos do livro Revelação ou outras publicações semelhantes? Foi dado um testemunho ou houve conivência? 

               Num fax, que remeto junto a esta carta, a ONU afirma que a Sociedade se comprometeu a dar algum tipo de apoio. Isso está em claro contraste ao que é dito na carta de Betel que diz que não foi dado “qualquer apoio à ‘fera’ de Revelação”. 

               Um dos jornais com maior tiragem na Grã-Bretanha publicou um artigo no dia em que a vossa reposta à minha carta estava sendo escrita. Nesse artigo um representante da ONU deu a entender que iriam reavaliar a cooperação entre as duas organizações, intitulando as nossas opiniões sobre a ONU como sendo “um tanto estranhas”. De fato, irmãos, perante o contexto de uma associação voluntária e os compromissos assumidos a palavra indicada é “estranheza”. 

               Mas, o mais inquietante é o seguinte: 

               De acordo com as palavras escritas pelo irmão “SCC” em representação da Sociedade, nada de errado há nesta estranha associação. Nesse caso, por favor, expliquem a este vosso irmão, por qual razão apenas UM DIA após essa afirmação a Sociedade pediu à ONU a anulação das ligações assumidas. Preocupa-me, deveras, ver que há falta de consenso bem dentro do seio da Organização. Se tudo estava bem e biblicamente correto, por que voltar atrás? E por que voltar atrás só depois desta relação com a ONU se ter tomado conhecimento público? 

               Perguntas pertinentes, deveras. 

               O livro “Prestai Atenção a Vós Mesmos e a Todo o Rebanho” declara na página 112: 

                “Foi a confissão voluntária, ou a pessoa teve de ser acusada por outros antes de confessar? Foi sua relutância em falar mais devido a forte vergonha do que falta de arrependimento? Acima de tudo, mostrou verdadeiro arrependimento e manifestou desejo sincero de evitar a repetição do erro?” 

               Perante isso a minha tranqüilidade espiritual carece do seguinte: 

               No espírito de não criar ‘pedras de tropeço’ a Sociedade deveria: 

               - Publicar a petição de adesão escrita em 1991 com o conhecimento do Corpo Governante (E que está assinada pelo falecido irmão Lloyd Barry).

               - Revelar que exemplos de publicações recentes sobre a ONU foram entregues em 1991.

              - Publicar todos os relatórios (que segundo o DPI foram sempre entregues) anuais preparados para prestar contas do apoio à ONU.

               - Revelar quais as quatro entidades que apoiaram a adesão da Sociedade (conforme solicitado na alínea no 21 do formulário de adesão).

               - Explicar, caso a intenção da associação era manter o máximo distanciamento ainda possível da ONU, porque na pergunta no 3 foi dada a resposta “Sim”, quando havia a opção “Não”. (Teria sido possível ser uma NGO acreditada pelo DPI sem nomear um representante da Sociedade perante o DPI. No entanto, foi nomeado o irmão Lloyd Barry do Corpo Governante e após a sua morte o irmão Ciro Aulicino.)

               - Explicar porque se encontram na revista Despertai! nos números editados na década de 90 muitos artigos que cumprem os critérios estabelecidos pela ONU, quando tal não aconteceu nem quantitativamente nem qualitativamente na década de 80, 70 etc.

               - Explicar porque após isso tudo foi solicitada a dissociação do DPI por parte da Sociedade, ao que os responsáveis dentro da ONU responderam com a desassociação da Sociedade em 09.10.2001. 

               Caro irmão “SCC”, caros irmãos da filial. Na esperança de receber respostas satisfatórias a este episódio muito inquietante na história do povo de Jeová, eu remeto-vos esta carta, aproveitando a oportunidade para vos enviar o meu amor cristão. 

               Vosso irmão, 

               Daniel de Carvalho

         

          A seguir, parte de um documento enviado em anexo:

 

 

   Cabeçalho do formulário de adesão da ONU (tradução) - "Por favor, note que a associação de sua Organização Não-Governamental com o Departamento de Informação Pública requer que nos forneça prova de seu status de organização sem fins lucrativos e um relatório anual de suas atividades  relacionadas às questões das Nações Unidas." (grifo acrescentado)

 

 

           Como se vê, nessa correspondência, o autor expõe todas as inconsistências da primeira explicação da Sociedade, demonstrando, mediante documentos, que a organização havia, sim, assumido um compromisso formal de apoio aos princípios da ONU, desfazendo tal compromisso apenas APÓS o assunto vir a público no jornal inglês, um forte indício de que o acordo era espúrio e, como tal, sigiloso. Com efeito, um comunicado do representante da ONU, Paul Hoeffel, confirma que, em 9 de outubro de 2001 - apenas um dia após a reportagem -, a Sociedade Torre de Vigia solicitou seu desligamento. O documento (datado de 11 de outubro de 2001) diz:

       A Quem Possa Interessar:

     Recentemente a Seção ONG [Organizações Não Governamentais] tinha estado a receber numerosos pedidos de informação sobre a associação da Watchtower Bible and Tract Society of New York [Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque] com o Departamento de Informação Pública (DPI). Esta organização requereu associação com o DPI em 1991 e foi-lhe concedida associação em 1992. Ao aceitar associação com o DPI, a organização concordou em preencher os critérios para associação, incluindo apoio e respeito aos princípios da Carta das Nações Unidas e compromisso e meios de conduzir programas de informação efetivos com os seus constituintes e para uma audiência mais vasta sobre as atividades das NU [Nações Unidas]. - Grifo acrescentado

     Em outubro de 2001, a Watchtower Bible and Tract Society of New York pediu o término da sua associação com o DPI. Seguindo este pedido, o DPI tomou a decisão de desassociar a Watchtower Bible and Tract Society of New York em 9 de outubro de 2001.

     Apreciamos o seu interesse no trabalho das Nações Unidas.

(fonte: http://www.glextj.locaweb.com.br/tjs_onu/stv-onu/onu_exclui_stv.htm)

          O trecho grifado está em pleno acordo com a denúncia presente na carta. A tese de que a filiação ao DPI da ONU não envolvia compromisso "antibíblico" era insustentável. A cúpula da organização tinha de dar uma satisfação aos seus milhões de adeptos, o mais rapidamente possível - uma reunião deve ter sido convocada às pressas. O pedido de desligamento foi quase imediato. Contudo, podia surtir efeito oposto ao desejado. Ainda havia muito o que explicar.

          No dia 1º de novembro a Sociedade Torre de Vigia fez passar por suas filiais um comunicado - nele, uma nova versão para o episódio, dessa vez a oficial. Seu teor é o seguinte:

          Prezados Irmãos,

          Devido à publicação de alegações feitas pelos opositores quanto a termos vínculos secretos com as Nações Unidas, um número de escritórios têm perguntado sobre o assunto e temos respondido. Esta circular substitui quaisquer respostas que tenham sido dadas anteriormente e está sendo encaminhada a todos os escritórios. A qualquer um que pergunte sobre o assunto no território coberto por seu escritório, vocês poderão fornecer a resposta que segue:

          Nosso objetivo ao nos registrar em 1991 como uma Organização não Governamental (ONG), no Departamento de Informações Públicas, foi possibilitar o acesso a material de pesquisa na biblioteca das Nações Unidas sobre problemas de saúde, ecológicos e sociais. Nós utilizamos a biblioteca durante muitos anos até 1991, mas, naquele ano, tornou-se necessário o registro como uma ONG para se continuar a ter acesso à biblioteca. Os formulários preenchidos na época junto às Nações Unidas, que temos arquivados, não contém quaisquer declarações que conflitem com nossas crenças cristãs. Além do mais, as ONGs foram notificadas pelas Nações Unidas que "a associação das ONGs com o DIP não constitui sua incorporação ao sistema das Nações Unidas, nem conferem às organizações associadas ou ao seu pessoal quaisquer privilégios, imunidades ou status especial".

          Mesmo assim, o Critério para a Associação das ONGs – pelo menos em sua mais recente versão – contém termos os quais não podemos aceitar. Quando descobrimos isso, imediatamente retiramos o nosso registro. Somos gratos por tal assunto ter sido trazido à nossa atenção.

          Acreditamos que o acima será de ajuda para combater as tentativas dos opositores em nos desacreditar.

          Estejam certos de nosso mais sincero amor cristão.

          Seus irmãos,

(fonte: http://parpen.tripod.com/stvoficial.htm)

           Já no primeiro parágrafo (e também no final do documento), a Sociedade Torre de Vigia procura lançar descrédito sobre a denúncia por atribuí-la a "opositores" (provavelmente referindo-se a dissidentes, a quem chama de 'apóstatas'). Todavia, ela partiu de um jornalista que não foi membro da religião, após as próprias Testemunhas terem questionado a ligação entre as duas entidades, logo que ela ficou evidente no site da ONU - o caso do autor das cartas transcritas neste artigo. Outro aspecto negativo é a declaração de que essa versão "substitui quaisquer respostas que tenham sido dadas anteriormente". Está a organização admitindo ter blefado antes?

          A nova justificativa apóia-se sobre três pontos principais:

          1) O acesso à biblioteca das Nações Unidas teria sido modificado em 1991.

          Contatos mantidos com a referida biblioteca desmentem essa afirmação. Uma mensagem eletrônica enviada pela encarregada de serviços ao usuário, Maureen Andersen, datada de 26 de fevereiro de 2004, dentre outras coisas, afirma: que "em 1991, o acesso à biblioteca [...] foi concedido, por curtos períodos de tempo, a pessoas individuais que precisavam consultar material exclusivo que estava disponível apenas... [na] biblioteca e não em outros locais"; que a pessoa interessada poderia adquirir um passe simplesmente por "preencher um formulário de inscrição e uma carta de recomendação que apoiasse a pesquisa"; que, "se o material necessário não estivesse disponível numa das bibliotecas depositárias [...], a inscrição era aprovada e o Escritório de Passes era instruído a emitir um passe temporário..."; que "a emissão do passe era independente do status de ONG ou qualquer outro"; e que, "em geral, não houve qualquer alteração na política de emissão de passes para a biblioteca" (mais detalhes em http://www.glextj.locaweb.com.br/tjs_onu/carta_20040304/onu_desmente_dag.htm).

         2)  A versão dos documentos para adesão em 1991 - arquivados na sede da Torre de Vigia - não conteria "quaisquer declarações que conflitem com as crenças" das Testemunhas de Jeová, o que poderia ser confirmado ou negado, caso a organização levasse a público tais papéis (coisa que, até a atualidade, não fez, só alimentando as suspeitas de que há algo objetável neles).

        3) Existiria uma versão "mais recente" dos critérios de admissão para novas ONG's, conflitante com aquela fornecida ao escritório central das Testemunhas de Jeová.

          Esse último ponto é igualmente insustentável, pois o critério usado pelo DPI para credenciar ONG's foi oficialmente listado em 1968 pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC). No parágrafo 3 do Comitê ECOSOC, Resolução 1296, que foi editada em 1967, está escrito (os grifos são acrescentados):

          "A organização se comprometerá em dar apoio ao trabalho das Nações Unidas e promover o conhecimento de seus princípios e atividades, de acordo com seus próprios objetivos e propósitos e a natureza e abrangência de sua competência e atividades." (http://www.watchtowerinformationservice.org/ngo.htm)

          Isso se deu mais de vinte anos antes de a Torre de Vigia pedir filiação à ONU!

         Mesmo completamente órfã de evidência e com inúmeros documentos provando sua falsidade, a última versão criada pela Sociedade Torre de Vigia para o caso jamais foi revista ou negada pela organização. De fato, uma reprodução quase idêntica ao comunicado enviado às filiais - datada de 2 de novembro de 2001 - foi enviada como resposta à segunda carta da Testemunha ao Betel português:

 

ASSOCIAÇÃO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

 

RUA CONDE BARÃO, 511, ALCABIDECHE TEL. 21 469 06 00 FAX: 21 469 20 99

CORRESPONDÊNCIA: APARTADO 91,  276 95 55 ESTORIL PORTUGAL

 

SCC 2 de Novembro de 2001

 

Exmo. Senhor

Daniel de Carvalho

Apartado 268

4711-911      BRAGA

 

               Prezado Irmão: 

               Temos prazer em fornecer uma resposta ao irmão sobre a questão que nos colocou nas duas cartas que nos dirigiu. 

               O objetivo da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova lorque ao se registrar no Departamento de informação Pública (DPI), como Organização Não Governamental (ONG) em 1991, foi para ter acesso para pesquisa a material sobre problemas de saúde, ecológicos e sociais que estão disponíveis nas instalações da Biblioteca das Nações Unidas. Já havíamos usado a Biblioteca por muitos anos antes de 1991, mas naquele ano tomou-se necessário registrar-nos como uma ONG a fim de continuarmos a ter acesso. Os papéis de registro preenchidos pela Sociedade Torre de Vigia, que se encontram nos nossos arquivos, não contêm quaisquer declarações que entrem em conflito com as nossas crenças Cristãs. Ademais, as ONG foram informadas pelas Nações Unidas que “a associação de ONG’s com o DPI não constitui a sua incorporação no sistema das Nações Unidas, nem dá direito às organizações associadas ou ao seu pessoal a qualquer espécie de privilégios, imunidade ou estatuto especial.” 

               Ainda, o Critério para Associação das ONG’s — pelo menos na sua versão mais recente — contém linguagem que nós não podemos subscrever. Assim, quando compreendemos isso, imediatamente retiramos o nosso registro. 

               Esperamos desta forma ter esclarecido o irmão. Sem mais nada de momento, despedimo-nos, aproveitando a oportunidade para enviar-lhe o nosso amor cristão. 

              Seus irmãos, 

              Associação das Testemunhas de Jeová 

CC: Cong. Braga Central 

Cong. Sabrosa 

Vito Pinto

Circuito 14

 

 

          O autor dessa resposta segue burocraticamente as ordens de seus superiores - repassa, de forma lacônica, a nova versão, como se a anterior jamais tivesse existido. A existência de mais de uma versão é, por si mesma, preocupante - quando alguém é acusado de uma transgressão e se defende com múltiplas versões, contraditórias entre si, qual delas merece crédito?

          A réplica não tardaria a vir. Este é o seu conteúdo:

 

Daniel de Carvalho

Apt. 268

4711-911     Braga

Associação das Testemunhas de Jeová

Alcabideche

Estoril; Portugal

quinta-feira, 15 de Novembro de 2001

 Assunto: A vossa carta de 02 de Novembro de 2001; meu pedido de desculpas e encerramento.

 Em anexo:

Diversos documentos comprovativos.

CC: a) os irmãos que receberam a vossa carta de 02.11.2001 e que era dirigida a mim; b) outros a quem diz respeito.

                Prezados Irmãos,

                Mais uma vez me dirijo a vocês, agora com resposta à vossa última carta.

                Após a recepção da primeira carta redigida pelo irmão “SCC” eu fiquei de fato um pouco aborrecido. Isso deveu-se ao fato, como depois vos escrevi, de eu sentir que a resposta obtida estava cheia de incorreções. Em parte saltavam à vista, tal como a citação errônea da brochura da ONU colocada logo no inicio da vossa carta. Outras incorreções eram mais difíceis de reconhecer. Mas a um leitor atento e desejoso em ver a verdade não puderam, contudo, passar despercebidas. De qualquer forma, o teor global da carta estava errado, por isso eu o questionei. E, indiretamente, deram-me razão ao enviarem a mim e a outros irmãos uma nova versão explicativa, sobre o assunto em questão, que em nada está relacionada com a explicação anteriormente comunicada.

                 Fui alertado para o fato de a minha segunda carta estar talvez um pouco “dura” na forma como me dirigi ao irmão “SCC”. Lamento ter ferido suscetibilidades. Não era essa a minha intenção. Mas sentimo-nos assim, abalados quando nós somos levados a crer em algo que facilmente é desmascarado como incorreto. Reproduzo aqui o excerto da vossa carta que me deixou nesse estado:

              What is an NGO? A non-governmental organization (NGO) is a not-for-profit, voluntary citizens’ group, which is organized on a local, national or international level […] NGOs perform a variety of services and humanitarian functions, bring citizens’ concerns to Governments […] Some are organized around specific issues, such as human rights, the environment or health. Their relationship with offices and agencies of the United Nations (UN) system differs depending on their goals, their venue and their mandate. 

               Na citação em inglês realcei os pontos que ficaram em aberto na vossa citação. O que diz nesses sítios, aqui cortados, no original? Reproduzo a seguir o parágrafo inteiro em espanhol e realço de novo aquela parte que evitaram incluir no texto:

               “¿Qué es una ONG? Una organización no gubernamental es cualquier grupo de ciudadanos voluntarios sin ánimo de lucro que surge en el ámbito local, nacional o internacional, de naturaleza altruista y dirigida por personas con un interés común. Las ONGs llevan a cabo una variedad de servicios humanitarios, dan a conocer las preocupaciones ciudadanas al gobierno, supervisan las políticas y apoyan la participación política a nivel de comunidad. Proporcionan análisis y conocimientos técnicos, sirven como mecanismos de alerta temprana y ayudan a supervisar a implementar acuerdos internacionales. Algunas están organizadas en torno a temas concretos como los derechos humanos, el medio ambiente o la salud. Sus relaciones con oficinas del sistema de naciones unidas difieren según los objetivos, el punto de encuentro y el mandato.”

               Toma-se agora mais compreensível o meu inicial descontentamento? Se eu não tivesse recebido essa citação da fonte da qual a recebi iria considerá-la, no mínimo, intelectualmente desonesta. Além de que ignorava todo o restante conteúdo da brochura da ONU.

                Outro pormenor que lamentei foi a forma como o irmão “SCC” passou sobre o meu pedido de esclarecimento relativamente à presumível observação de que o irmão Henschel (que foi o Presidente de várias sociedades da Organização antes de, recentemente, os irmãos Don Adams e Max Larsson terem ascendido aos respectivos cargos) ser ou ter sido portador de um passaporte da ONU. Terá sido por desatenção que não foi incluída uma resposta na vossa carta? Tudo o que eu esperava era um simples “Não”. O silêncio não foi a resposta mais adequada. Estou aberto em receber ainda a vossa resposta sobre este assunto. Nenhuma resposta e silêncio poderei entender como uma afirmação. 

               Agora, lamentei alguns dos meus sentimentos de desilusão para com o irmão “SCC” quando recebi a resposta datada do dia 02 de Novembro. Mais uma vez, apresento as minhas desculpas se fui severo. 

               Na carta de 02 de Novembro mencionas, irmão “SCC”, que ela é a resposta às minhas duas cartas anteriores. Isso não poderá estar certo. A resposta à minha primeira carta foi dada pelo Betel com a data de 08 de Outubro. Seria de esperar nesta nova carta pelo menos um pedido formal de desculpas pelos incômodos causados com a vossa primeira resposta, que se revelou, oficialmente reconhecido por vós, errada. Que incômodos? Bem, como eu reconheci que a carta estava baseada nalgum tipo de equívoco gastei muito tempo e também dinheiro para apurar mais informação. Esforços que, como sabem, poderiam estar mais bem empregados na obra do Reino. Em lugar disso, alimentei mais um pouco as Telecoms e os CTT’s deste mundo. Além do sofrimento pessoal resultante desta controvérsia. Tenho experienciado severa oposição em família por causa destas manifestas discrepâncias nas posições da Sociedade. Houve inclusive um ancião que me acusou de apostasia por causa do meu empenho pela busca da verdade. Enquanto isso, o irmão que redigiu essa carta esteve protegido pelo anonimato de uma sigla (SCC) e eu, que me empenhei consideravelmente, a custo pessoal, zelando pela pureza da adoração de Jeová Deus, sofri as baixas mencionadas. Compreendo o sentimento expresso por uma irmã quanto ao escândalo público ao dizer, “Que vitupério!” E, na vossa segunda carta, reagem como se nunca antes tivessem dito algo em contrário. Chegam mesmo a dizer que “o critério para Associação das ONG’s — pelo menos na sua versão mais recente — contém linguagem que nós não podemos subscrever”. Mas esses critérios são aqueles contidos naquela brochura da ONU da qual citaram na primeira carta e então, em 08 de Outubro, mostraram que ainda não se incomodavam com esses mesmos critérios. É que foram exatamente esses critérios que me levaram a entrar em contacto convosco sobre este assunto! E, na vossa segunda carta, não lamentam os incômodos, não me pedem desculpas, embora fosse visível pela minha correspondência que eu estava bem perturbado. Um proceder mais amoroso tinha sido como bálsamo, irmãos... 

               Já antes de receber a vossa carta de 02 de Novembro eu tinha conhecimento da justificação “acesso à Biblioteca da ONU”. No contexto de toda esta controvérsia e angústia solicitei ao jornalista Steven Bates, que escreveu diversos artigos no The Guardian, na Grã-Bretanha, que partilhasse mais detalhes comigo. O Sr. Bates foi muito prestável e facultou-me uma carta do betel inglês, com data de 22 de Outubro, que foi a primeira fonte a falar-me na Biblioteca da ONU. 

            Após a recepção da vossa carta, apercebi-me que diversos irmãos em outros paises também receberam uma carta com um texto quase idêntico. Com efeito, um irmão amigo que trabalha num betel estrangeiro, inquietado com a situação, enviou-me a carta que, com data de 01 de Novembro (um dia antes da vossa 2ª resposta!), foi enviada eletronicamente de Brooklyn a todas as filiais ao redor da terra. Se compararmos a carta que eu recebi de Alcabideche com a carta que vocês receberam de Brooklyn, então verificamos que o segundo e terceiro parágrafo da carta de Brooklyn formam simplesmente o corpo da mensagem que em Portugal transmitiram a mim. Portanto, eu, quanto a essa segunda carta, lamento mais a forma como a escreveram do que o conteúdo da mesma, pois esse é aquele que vos foi dado. 

               A própria ONU revela publicamente que as condições de acesso à Biblioteca da ONU não são bem aquelas que me foram transmitidas por vós em 02 de Novembro. Ao contrário, até um particular como eu pode solicitar e receber acesso a essa Biblioteca. Apenas desde os recentes atentados em NY está mais difícil obter autorização de entrada. Mas durante todos estes anos não foi necessário um registro como ONG para aceder à Biblioteca ou às informações nela contidas. A ONU até diz: “A fim de tornar os seus documentos e publicações acessíveis em todo o mundo, as Nações Unidas mantêm um sistema de Bibliotecas-Depósito às quais esses documentos e publicações são enviadas”. Ou seja, mesmo não podendo entrar na Biblioteca principal da ONU (o que, contudo, é possível sem o requisito de se associar à ONU e ser acreditado pelo DPI da ONU) ainda existe a alternativa das Bibliotecas Depósito. Só na área de Nova lorque, perto do betel, encontramos CINCO. 

               São elas:

               Arthur W. Diamond Law Library

Council on Foreign Relations Library

NY Public Library

NY University Elmer Holmes Bobst Library

St. John’s University School of Law Líbrary 

              Todos os requisitos de acesso podem ser consultados nas seguintes fontes:                 

              http://www.un.org/Depts/dhl/services.htm#access

              http://www.un.org/Depts/dhl/deplib/i189a11.htm

               Em alternativa, podem telefonar para a Dra. Dana Loytved (Tel.: 001 212 963 88 22), uma responsável na Biblioteca da ONU, e estou certo que ela terá o prazer de confirmar as minhas informações que aqui vos apresento.

               Ainda, irmão “SCC”, a tua carta de 02 de Novembro refere que durante todos estes anos a Sociedade desconhecia os desagradáveis Critérios de Associação (leia-se: compromissos assumidos).

                Eu tenho à minha frente exemplos de comunicações publicas da ONU (enviadas para as NGO registradas e não só) que contêm, de forma sucinta, esses critérios (datas 14.02.1992 e 07.03.1992). São várias as publicações da ONU que durante toda a década de 90 revelavam esses critérios e que mostram que o que a sua carta chama de “última versão” dos critérios não sofreu alterações de destaque durante todos esses anos. Assim dificilmente pode ser dito que, citando da vossa carta, “quando compreendemos isso, imediatamente retiramos o nosso registro”. O registro só foi retirado quando posto a descoberto num jornal mundano; os critérios não são novos. Junto remeto uma brochura da ONU, publicada em 1994, que comprova isso. Podem encomendá-la diretamente à Biblioteca da ONU usando o código [ST] DPI/1438. Alguns desses documentos voltam a referir que para permanecer associado à ONU é necessária a entrega de um relatório anual de todas as atividades pró-ONU. Só em 1992 foram desassociadas 14 ONG’s por terem estado inativas quanto às expectativas de cooperação da ONU. A Sociedade nunca foi desassociada por inatividade. Numa mensagem por correio eletrônico, o chefe da Biblioteca na sede da ONU afirma que não está a par das alterações de acesso à Biblioteca em 1991 que a carta do irmão “SCC” diz terem ocorrido. Claro que reproduzo essa carta em anexo. 

               Ao ler no verão deste ano a Despertai! sobre o Ano Internacional do Voluntariado, de fato reparei na forma destacada em que esse assunto é tratado e a imagem bem positiva da ONU ai contida. Já na edição de 08. 12. 2000, algo me pareceu ser positivo demais no tratamento concedido à ONU e suas organizações suplementares em comparação ao teor das revistas em toda a década de 70 e 80. Dá agora para perceber a satisfação do DPI durante os últimos anos. Só por isso não desassociaram a Sociedade muito antes. 

               Quando há algum tempo atrás soube da triste noticia da morte de missionários nossos que viajavam num avião em queda, pertencente às Nações Unidas, poderia ter estranhado essa proximidade. Apesar de eu estar a par do envolvimento e da atividade da Sociedade na chamada AIDAFRIQUE (poucos irmãos estão a par disso, não é?) nunca relacionei isso com uma potencial associação à ONU. Pensando na AIDAFRIQUE como organização de ajuda humanitária, a tua primeira carta, irmão “SCC”, até faz um certo sentido, não é? Afinal nos antigos diretórios da ONU a Sociedade aparece como interessada em “Religião, Direitos Femininos, Desarmamento, Educação, Paz e Segurança Mundial e Direitos Humanos”. Posteriormente, e como a tua primeira carta bem o realçava, figura apenas como organização interessada nos Direitos Humanos. Mas essa explicação agora já não está válida, pois não? E esta nova explicação, da Biblioteca, também não é convincente quando confrontada com o que a própria ONU estabeleceu como regras, não é verdade? 

               Quando receberam a nova explicação de Brooklyn com a justificação “entrada na Biblioteca”, talvez não estiveram a pesquisar todos estes pormenores. Mas um antigo mentor meu, superintendente viajante, sempre me dizia: ‘Quando aceitamos tudo o que a Organização diz sem o examinar, mostramos confiança na Organização. Mas se mantivermos um espírito atento e examinarmos se as coisas são realmente assim, então mostramos zelo para com Jeová’. Eu aprendi essa lição. Isso é assim porque o nosso desejo é servir a Deus e não a simples homens. Contudo, percebo que o irmão “SCC” se tenha limitado a transmitir-me o que recebeu de Brooklyn. Talvez fez isso seguindo conscientemente ou inconscientemente o que foi dito na Sentinela de Janeiro de 1921 p. 15 (edição alemã): “Por isso cada um que ocupar um cargo irá desempenhar exatamente as tarefas recebidas por aquele [irmão] que está incumbido de dirigir ou instruir, lembrando-se que a responsabilidade está em cima do [irmão] que deu a tarefa ou que tem a supervisão.” Porém todos nós também sabemos que cada um é individualmente responsável pelos seus atos perante o nosso amoroso Pai nos céus. Assim, tomo para mim a responsabilidade mencionada na Sentinela de 15.02.1988 (edição portuguesa) na p.7: “Mas, acima de tudo, devemos querer ser honestos não apenas porque esta é a melhor política ou porque se ordena que sejamos honestos, mas porque amamos o nosso Pai Jeová. Queremos conservar a nossa preciosa relação com Ele e ter a Sua aprovação. Queremos ser honestos também porque dessa forma expressamos amor ao próximo. Assim, dito de maneira simples, ser cristão verdadeiro significa ser honesto.” (o grifo é meu). É essa a razão pela qual eu fiz e faço acompanhar as minhas cartas sempre por todos os documentos comprovativos. Não vejo nenhuma razão bíblica pela qual a Sociedade não deverá também, futuramente, proceda assim com qualquer carta que envie a este respeito a um irmão ou a uma congregação. 

               Numa Sentinela de 1957, publicada no mês de Maio e em inglês, dizia: 

              “Em tempo de guerra teocrática é apropriado enganar o inimigo por esconder a verdade. Em todas as alturas é preciso ser muito cauteloso em não divulgar qualquer informação para o inimigo que possa ser usada para impedir a obra de pregação.” 

              Caros irmãos da filial. Eu não sei se eu e os imensos outros irmãos em todo mundo, que se mostraram preocupados, são considerados o “inimigo” para receberem informações duvidosas. (Gálatas 4:16!!) 

               O que eu sei é que vos contatei esperançado há dois meses atrás e não esperava encontrar tanta desinformação, meias-verdades e citações em falso como as enumeradas e comprovadas na minha segunda e terceira carta. Em minha casa, e na educação espiritual do meu filho estou sozinho e apenas posso contar com o apoio de Jeová. Com o apoio de Sua organização terrestre - neste assunto - não pude contar. Isso entristece muito profundamente. 

               Com isso desejo encerrar este assunto. Nada mudou e, porém, tudo está diferente. Desejo levar a minha vida dedicado ao nosso Criador, em paz com os meus irmãos espirituais. Por isso não pretendo continuar esta correspondência postal convosco. Não tenho nem o tempo nem o dinheiro para isso. O que mudou foi o meu fascínio e confiança incondicional em homens que mostraram não estar à altura do apoio que solicitei. Desde o início ofereci o meu número de telefone, mas a filial optou por não usar esse recurso para lidar comigo de forma menos impessoal. Muito bem. Neste momento não desejo nenhum telefonema sobre este triste assunto. Podem escrever-me se o vosso desejo for o de me apresentar um sincero pedido de desculpas pelas confusões causadas, assim como eu me desculpei por outras razões. De resto, penso que este assunto está encerrado. Estou triste. 

As minhas saudações cristãs,

Vosso irmão

Daniel de Carvalho

 NOTA: Esta carta não é uma carta de dissociação nem nunca deverá ser interpretada como tal. O assunto aqui tratado não é segredo. Tem sido relatado em diversos jornais e revistas Por isso não encontro razão bíblica para não partilhar esta informação relevante com qualquer pessoa da fé ou do mundo que queira apurar a verdade sobre tudo isto.

 

          Juntamente com essa terceira carta, o autor envia um suplemento. Ao que tudo indica, o desenrolar das investigações o impeliu na direção de novas e intrigantes descobertas. Vejamos:

 

CARTA SUPLEMENTAR

 

    Prezados irmãos, 

    Em anexo à minha carta anterior acrescento ainda estas questões que constituem novidades para mim. O jornalista que eu contatei deu-me estas questões-chave e estou certo que estão em condições de me servir respostas diretas e satisfatórias. O jornalista em causa prometeu-me que vai enviar os documentos judiciais e outros que ele afirma confirmarem estas questões. Ainda não recebi nada. Mas prefiro receber a resposta de meus irmãos em Betel. Contrariamente ao assunto ‘Sociedade + ONU’, que considero esgotado, terei todo o prazer em receber o vosso contato por escrito sobre estas preocupações: 

     I. Segundo uma noticia no 'Florida Times' em 07.02.1997, a Sociedade adquiriu em West Palm Beach um complexo de 230.000 m2 por 12,2 Milhões de Dólares com a intenção de usar o auditório municipal, ali existente, com capacidade para 6000 pessoas como salão de assembléias e querendo construir no restante (muito) espaço apartamentos, lojas ou escritórios para venda ou aluguel. Isso é mentira ou é verdade? 

   II. Quando em vários paises começamos como Testemunhas de Jeová a entregar a literatura em troca de potenciais donativos voluntários, foi-nos explicado que assim cumpríamos melhor o 'receber de graça e de graça dar'. Aparentemente, porém, em muitos paises do 3o mundo continuou por muitos anos até recentemente ou até hoje a existir a prática do preço fixo e da “venda” de nossa literatura. Isso é mentira ou é verdade? 

   III. No ano 1989, a Sociedade interveio num processo judicial nos EUA em favor de um clérigo de Babilônia a Grande (Jimmy Swaggart) que estava a ser processado para pagar imposto de rendimentos sobre literatura religiosa (conhecido como o 'Caso Swaggart'). Nesse contexto a Sociedade terá elaborado, voluntariamente e sem lhe ter sido pedido, um documento intitulado “AMICUS CURIAE” (lit.: amigos do tribunal) em que toma partido a favor desse clérigo, aparentemente com a segunda intenção de se proteger de uma tributação semelhante Outros dois “AMICUS CURIAE” foram entregues pelo Conselho Nacional das Igrejas e pela seita Hare-Krishna. Logo a seguir à derrota do clérigo Swaggart, a Sociedade instituiu a chamada ‘simplificação’ relativamente ao pagamento da literatura e, desde logo, apenas em paises onde existia ou se esperava o risco de tributação. Assim sendo, pouco se veria da justificação ‘de graça recebeste de graça dai’ e o ‘arranjo simplificado’ assemelhar-se-ia mais a uma tática de fuga aos impostos. Isto aconteceu mesmo? 

   IV. Na década de 50 vários altos representantes da Sociedade (entre eles o Vice-Presidente Frederick Franz) participaram como testemunhes num processo judicial na Escócia. Esse processo está acessível como o ‘Caso Walsh’ e eu ainda espero uma cópia do processo. Mas, segundo me foi explicado, o irmão Franz afirmou sob juramento que dominava as línguas bíblicas. Quando obrigado pelo tribunal a fazer uma simples tradução de nível de principiante, mostrou não conhecer as línguas em causa. Vou encontrar isso comprovado nos documentos que solicitei ou é mentira? 

   V. Um antigo advogado da Sociedade terá saído de Betel por não apreciar os freqüentes estados de embriaguez do Presidente da Sociedade, o irmão Rutherford. Na Sentinela de 15.10.1939 o irmão Rutherford respondeu por acusar esse irmão advogado de apostasia. Em seguida, esse irmão processou a Sociedade por difamação. Durante o processo judicial que ocorreu em Nova lorque, foi apurado quem dizia a verdade sobre o comportamento do Presidente da Sociedade: ele próprio, segundo o texto da referida Sentinela, ou o alegado apóstata. Segundo fui informado, a Sociedade perdeu os processos e teve de indenizar o alegado apóstata com 15.000 USD (aprox. 3000 contos pelo câmbio de hoje, mas isto ocorreu há 50 anos!!) Os processos cujos documentos aguardo são: Moyle v. Rutherford et al., 261. App.Div. 968; 26 N.Y.S. 2d 860 / Moyle v. Franz et al., 267 App.Div. 423 ; 46 N.Y.S. 2d 607 / Moyle v. Franz et al., 47 N.Y.S. 484. Isto tudo é mentira ou confirma-se? 

   VI. Segundo estou informado, a Organização durante mais de 40 anos esteve legalizada no México como Associação cultural e não religiosa. Dessa forma, evitou ter de doar todos os bens ao governo mexicano, que exigia Isso de todas as religiões desde o séc. 19. As outras religiões doaram suas igrejas, mas o governo sempre autorizou o seu uso exclusivo como local de culto. Para proteger os seus bens a Organização parece ter decidido fazer, em 15.06.1943, um registro não-religioso. (A Sentinela 01.01.90, p. 7 e Anuário 1990, pág.10) Em conseqüência disso, os nossos Irmãos mexicanos durante décadas não puderam cantar nas reuniões, nem fazer orações públicas, nem usar a Bíblia na pregação, nem usar o nome de Jeová, o que se vê em todas as publicações mexicanas desse tempo, onde o nome Jeová ou Jesus não aparecem. Só quando, em 12/88, o novo presidente Carlos Salinas tomou posse anteviu-se uma mudança nas relações estado-religião (Anuário 1995 pág. 249). Só então foi possível levantar as velhas restrições e fez-se novo registro, dessa vez como religião. Se, como fizeram outras igrejas, a Organização tivesse prescindido de ser proprietária dos Salões e do Betel etc., então nunca teria sido necessário ser apenas Associação Cultural. Pode dizer-se que a decisão de Organização em não abdicar da posse de bens imobiliários, portanto mundanos, impediu de 1943 até 1988 os irmãos mexicanos de louvar a Jeová em cânticos, orar em conjunto nas reuniões, pregar com a Bíblia na pasta e USAR o nome de nosso bom Pai?

 

NOTA: Esta carta não é uma carta de dissociação nem nunca deverá ser interpretada como tal.  Estes assuntos estão documentados em diversos tribunais por isso não constituem segredo. Isso explica porque não estou a aplicar nenhum tipo de secretismo na abordagem destas perguntas. Eu não estou a questionar pontos doutrinais. Apenas coloquei questões comportamentais. 

Em ANEXO estão os poucos documentos comprovativos que consegui reunir.

 

 

          Como dito no corpo da carta principal, também foi enviada uma mensagem do bibliotecário chefe da ONU (apresentada, a seguir). Seu nome é Phyllis Dickstein. Suas palavras confirmam as declarações de Maureen Andersen - assim como ela, ele também não tem conhecimento de mudanças no critério para concessão de passes em 1991, como afirma a Sociedade Torre de Vigia.

 

 

   Carta do responsável pela biblioteca da ONU (tradução): 1) Embora a Biblioteca DAG Hammarskjold e a Seção NGO estejam ambas dentro do DPI, a admissão à biblioteca não se relaciona ao status de NGO, exceto em um sentido positivo: qualquer um com um passe permitindo a entrada aos prédios das Nações Unidas (incluindo NGO filiadas bem como membros credenciados da imprensa) pode entrar e usar as instalações da biblioteca. De outro modo, um passe da biblioteca se faz necessário. Passes são concedidos a pesquisadores sérios mediante a apresentação de uma carta com o selo de sua instituição e assunto para autorização da parte da biblioteca e Serviço de Segurança nas Nações Unidas. Por favor, contate ratynski@un.org para mais detalhes. 2) As bibliotecas-depósito estão abertas para o público em geral, devendo ser procuradas primeiro, já que, na maioria das vezes, elas têm o material que você deseja. 3) Não estou a par de quaisquer mudanças em 1991. 4) Nosso nome é Biblioteca DAG Hammarskjold. Por favor, contate nosso site em http://www.un.org/Depts/dhl/  para obter informações sobre nossos produtos e serviços. A Biblioteca da Universidade Cambridge é um depósito completo com material desde 1947 e, como dita acima, o acervo depositário tem obrigação de estar aberto ao público. Phyllis Dickstein, Chefe Bibliotecário. (grifos acrescentados)

 

         

          Segundo a fonte citada no topo deste artigo, a Sociedade não forneceu resposta a essa última correspondência (quer a carta principal quer a suplementar). Tampouco se pronunciou sobre as declarações dos funcionários da biblioteca. É compreensível que aja assim - aparentemente, as sucessivas tentativas de justificar a filiação à ONU, todas inverossímeis, só fizeram a organização se envolver cada vez mais em uma intrincada teia de inconsistências.

          O jornal britânico "The Guardian" voltaria a tocar no tema "Torre de Vigia versus ONU", em uma reportagem que foi a público em 15 de outubro de 2001, seis dias após o rompimento dessa controversa relação de quase 10 anos. A manchete dizia: "Testemunhas de Jeová 'Hipócritas' Rompem Vínculo Secreto com as Nações unidas" (http://www.glextj.locaweb.com.br/tjs_onu/stv-onu/guardian_20011015.htm).  Cinco dias depois, o jornal português "Público" também deu destaque ao caso, com uma matéria intitulada  "Testemunhas de Jeová Ligaram-se à Besta" (http://www.glextj.locaweb.com.br/tjs_onu/pol.htm). Dois dias depois, o assessor de imprensa da Torre de Vigia na Inglaterra, Paul Gillies, enviou uma carta ao repórter Stephen Bates, insistindo na versão do "acesso à biblioteca" (http://www.glextj.locaweb.com.br/tjs_onu/porta-voz_x_bates.htm). A seqüência de reportagens só inflamou ainda mais a polêmica - pedidos de esclarecimento acumularam-se tanto nas filiais das Testemunhas de Jeová (que distribuíram sistematicamente a segunda e frágil justificativa produzida em sua matriz) como na sede do DPI. Em vista disso, o representante da ONU, Paul Hoeffel, emitiu um segundo comunicado (http://www.un.org/dpi/ngosection/pdfs/watchtower.pdf), semelhante ao de 11 de outubro de 2001, porém mais pormenorizado. Datado de 4 de março de 2004, o documento reafirma aquilo que a cúpula das Testemunhas de Jeová insistia em negar. Eis a tradução:

          A seção ONG tem recebido inúmeras perguntas relativamente à associação da Watchtower Bible and Tract Society of New York ao Departamento de informação Pública (DPI). Esta organização se candidatou para se associar ao DPI em 1991 e foi aceita em 1992. Por aceitar a associação com o DPI, a Organização concordou em atender ao critério de associação, inclusive apoiar e respeitar os princípios e compromissos da Carta das Nações Unidas, e concordou em divulgar entre seus membros programas de informação efetivos e outros sobre as atividades das NU.

          Em Outubro de 2001, o representante da Watchtower Bible and Tract Society of New York nas Nações Unidas, Ciro Aulicino, solicitou o fim de sua associação com o DPI. Atendendo a esta solicitação, o DPI decidiu desassociar a Watchtower Bible and Tract Society of New York em 09 de outubro de 2001. (grifo acrescentado)

          Que fique claro, por favor, que é política do Departamento de Informação Pública (DPI) das Nações Unidas manter confidencial a correspondência entre as Nações Unidas e a ONG candidata à associação. Entretanto, veja abaixo o parágrafo incluído nas cartas enviadas em 1992 às ONG's aprovadas para se associar à ONU. (grifo acrescentado)

          "O principal objetivo da associação de organizações não-governamentais ao Departamento de Informações Públicas é a re-disseminação da informação de modo a aumentar o entendimento do público quanto aos princípios, às atividades e às conquistas das Nações Unidas e de suas Agências. Conseqüentemente é importante que vocês nos mantenham informados a cerca do programa de informação de sua organização no que diz respeito às Nações Unidas, mandando-nos cópias de suas principais publicações. Estamos anexando cópia de uma brochura sobre 'As Nações Unidas e as Organizações Não-Governamentais' que lhes fornecerá algumas informações sobre o relacionamento com as ONG's". (grifo acrescentado)

           Adicionalmente, o critério para uma ONG se associar ao DPI inclui o seguinte:

          Esperamos que compartilhe esta informação com seus colegas já que não é possível atendermos a todas as consultas relacionadas com a Watchtower Bible and Tract Society que estão sendo feitas a nossos escritórios. Obrigado por seu interesse no trabalho das Nações Unidas.

          Sinceramente,
          Paul Hoeffel

           O conteúdo da mensagem é revelador. No segundo parágrafo, Hoeffel confirma o fato (denunciado na segunda carta a Betel) de a Sociedade Torre de Vigia ter nomeado um representante junto à ONU, Ciro Aulicino, sucessor de Lloyd Barry nesse posto (documentos confirmando a nomeação dos dois podem ser encontrados neste endereço: http://www.glextj.locaweb.com.br/tjs_onu/quem_inscreveu.htm). Os demais parágrafos refutam a versão oficial da Torre de Vigia, segundo a qual os critérios para admissão de ONG's em 1992 - ano de sua admissão ao DPI - não exigiam adesão aos princípios da ONU (como vimos, já o exigiam desde 1968). Se juntarmos as 'peças' fornecidas nesse comunicado àquelas presentes nas correspondências da Testemunha ao Betel português, o cenário toma contornos mais nítidos: segundo Paul Hoeffel, cópias das publicações contendo propaganda favorável à ONU deveriam ser remetidas ao DPI; segundo Daniel de Carvalho, tal propaganda esteve presente em pelo menos duas edições da revista Despertai! (8/12/2000 e 22/07/2001), justificando a manutenção da Torre de Vigia nos quadros de entidades colaboradoras da ONU (o leitor poderá ler os artigos, um tanto generosos para com as Nações Unidas, neste endereço: http://www.glextj.locaweb.com.br/tjs_onu/stv_x_onu.htm). Com efeito, uma edição mais antiga da revista - a de 22 de novembro de 1998 (em inglês) - ainda é citada no próprio site da ONU! Pode-se constatar isso visitando o endereço (segunda linha da tabela, sob o título "A Long Job Finished"): http://www.unhchr.ch/udhr/materials/articles.htm. Dificilmente as Nações Unidas dariam notoriedade a um artigo que não pudesse ser interpretado como favorável aos seus princípios. Por sua vez, a revista companheira, A Sentinela,  parece também ter aderido à promoção da ONU em sua edição de de outubro de 1995, pois chama a atenção para seu 50º aniversário de fundação - sem os comentários desabonadores típicos das décadas de 70 e 80. Ao que tudo indica, a organização procurou cumprir seu compromisso com a ONU da forma mais discreta possível, anunciando eventos (o Ano do Voluntariado, por exemplo, endossado de forma sutil por meio de um artigo que incentiva a solidariedade cristã), defendendo  a Declaração Universal de Direitos Humanos (adotada e proclamada pela resolução 217 A III da  Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948), destacando o trabalho da UNICEF etc. Se as publicações contivessem comentários mais claros e diretos de promoção da ONU, certamente causariam um sério mal-estar nas Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Os redatores dessa época certamente tiveram diante de si uma estreita margem de manobra, produzindo artigos que pudessem satisfazer o DPI da ONU sem, no entanto, causar embaraços sérios nos leitores. Dificilmente uma Testemunha de Jeová de percepção mediana conseguiria juntar as peças desse intrincado 'quebra-cabeças'. Todavia, uma vez montado, revela um cenário bastante perturbador para uma Testemunha sincera.

          Os reais motivos que levaram a entidade central das Testemunhas a violar de forma tão patente suas próprias crenças permanecem até hoje incógnitos, tendo sido alvo de especulações. Todavia, há indícios de que isso fora feito por um objetivo bem mais significativo do que uma inocente consulta à "biblioteca da ONU". Qual? Facilitar sua entrada e permanência em países onde há resistência ao registro de instituições religiosas ou onde a Sociedade Torre de Vigia não goza de bom conceito junto às autoridades. É o caso, por exemplo, de uma ex-República Soviética, a Geórgia. Em 1998 - já afiliada à ONU - a organização registrou naquele país, como ONG's, duas entidades representantes, até que, em fevereiro de 2001, as autoridades caçaram os registros, após ficar claro que tais entidades serviam de fachada para atividades religiosas. Em sua apelação, a Sociedade Torre de Vigia evoca o prestígio obtido junto a um órgão ligado à ONU - o Departamento de Coordenação Para Ajuda Humanitária Internacional (http://ochaonline.un.org/). Mais detalhes sobre o apelo da Sociedade à corte da Geórgia podem ser obtidos no seguinte endereço: http://www.jw-media.org/region/europe/georgia/english/legal_cases/e_000724.htm . É digno de nota que, na primeira resposta de Betel a Daniel de Carvalho - quando a versão ainda era a da "ajuda humanitária" -, a organização tenha citado justamente o caso da Geórgia. Outra pista vem da África (também citada na resposta): cerca de um ano antes de solicitar sua afiliação à ONU, a Torre de Vigia fundou uma ONG denominada "Aidafrique" (citada na última carta de Daniel de Carvalho a Betel) - nome que quer dizer "Ajuda à África". Voltada para esse continente, mas com registro na França, essa ONG prestou relevantes serviços humanitários em países como Congo, Tanzânia etc., merecendo destaque em um jornal da Zâmbia, edição de 17 de junho de 1999 (http://temoinsdejehovahcom.ifrance.com/aides_caritatives/aidafrique/actions/unhcr/dailymail.htm). Segundo a matéria, a cooperação entre a Aidafrique e o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (UNHCR) tinha permitido a chegada de mais de 20 toneladas de alimentos e remédios para refugiados africanos. A Organização das Testemunhas de Jeová na França soube tirar partido disso - lançou uma brochura intitulada "Uma Missão para a África". Entre outras coisas, a brochura revela que seus emissários na África usavam os aviões da UNHCR para alcançar lugares remotos. Provavelmente, o acidente aéreo citado na última carta de Daniel de Carvalho a Betel envolve uma dessas missões. É óbvio que essa publicação ajudou a melhorar a imagem das Testemunhas de Jeová na França, onde atravessavam uma fase conturbada, tendo sido condenadas a pagar uma alta soma em impostos e incluídas pelas autoridades em uma relação de cultos perigosos. Elas chegaram a realizar uma passeata em razão disso (http://www.geocities.com/osentinela/franca.htm).

          Participações em passeatas e programas filantrópicos são uma novidade na história das Testemunhas de Jeová, até porque elas têm sido incentivadas, durante décadas, por sua organização, a não tomar partido em ações políticas para melhorar as condições do mundo, mas esperar pelo Reino de Deus como a solução definitiva para os males da humanidade. Por décadas, elas foram ensinadas a considerar fúteis todos os esforços da ONU e suas congêneres no sentido de mitigar o sofrimento humano. Provavelmente, o engajamento da Sociedade Torre de Vigia em eventos de cunho político é hoje bem mais acentuado do que supõem seus milhões de adeptos pelo mundo. Deveras, representantes da Sociedade têm comparecido regularmente a conferências políticas. Por exemplo, eles se fizeram presentes em um encontro da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), realizado em Lisboa, no final de 1996 (esse evento mereceu destaque na edição de 22 de agosto de 1997 de Despertai!), com a participação de várias ONG's. Em maio de 1999, a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas realizou sua conferência anual em Genebra. Quem estava lá? Não uma, mas três ONG's representando as Testemunhas de Jeová ("Associação das Testemunhas de Jeová", "Testemunhas de Jeová na Rússia" e "Associação Européia das Testemunhas de Jeová pela Proteção da Liberdade Religiosa"). Curiosamente, nesses eventos, os emissários das Testemunhas de Jeová tiveram de compartilhar assentos com representantes de diversas denominações religiosas consideradas por eles como parte da 'meretriz' religiosa (incluindo a "Igreja da Cientologia") que cavalga a 'fera' política. Informações adicionais sobre as atividades políticas da Sociedade Torre de Vigia podem ser obtidas neste endereço: http://www.e-watchman.com/essays/watchtower-united-nations-strange-bedfellows-part-12.html. Diante do que foi visto até aqui, é possível que o futuro ainda traga turbulências aos escritórios de Betel, à medida que essas revelações se difundem pela internet. Embora a maioria das Testemunhas de Jeová relute em dar crédito a qualquer informação desabonadora sobre sua organização, é possível que o volume de provas até aqui coletadas induza algumas à reflexão. Talvez lhes venham à mente as palavras registradas no evangelho de Lucas - "...não há nada escondido que não se torne manifesto, tampouco há nada cuidadosamente oculto que nunca se torne conhecido e nunca venha à tona." (Lucas 8:17)

          A esta altura dos fatos, parece que a reportagem pioneira do jornal "The Guardian" abriu uma verdadeira 'caixa de Pandora'. Pouco a pouco, delinearam-se os contornos de uma relação bem mais que amistosa - íntima, na verdade  - entre uma organização religiosa e o objeto histórico de seu maior repúdio. É, pois, mais do que compreensível que muitas Testemunhas de Jeová se sintam traídas diante dessa inesperada e infausta parceria. Elas não estão acostumadas a transigir em questões doutrinais. Elas talvez se lembrem de seus irmãos espirituais que resistiram até a morte no país africano de Malauí, recusando uma cédula de identidade do partido do governo (conforme foram instruídos a fazer pela Sociedade Torre de Vigia). Ou, quem sabe, se recordem de tantos jovens que se imolaram em nome de uma crença religiosa, num leito de hospital, rejeitando, até o último instante, um tratamento à base de sangue que poderia ter-lhes salvo ou, pelo menos, prolongado a vida (também agiram assim encorajados pela Torre de Vigia). Se nem mesmo diante do risco à própria vida ou à de entes queridos, as Testemunhas de Jeová foram ensinadas a fazer concessões, seria provável que aceitassem tamanha violação da assim chamada 'neutralidade cristã' em nome do humanitarismo? Não sendo uma causa tão relevante como a humanitária uma justificativa aceitável para trair sua fé, quão fútil deve parecer a elas o motivo oficial alegado pela Sociedade Torre de Vigia - o simples "acesso a uma biblioteca". Que preço!

          Contemplando o cenário atual, não teria sido melhor, em retrospecto, ter a Sociedade mantido sua primeira versão? Embora também inconsistente, pelo menos tinha o mérito de evocar uma causa que se reveste da mais alta nobreza. Seja como for, uma coisa parece extremamente improvável - que o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová reconheça publicamente sua responsabilidade nesse episódio e faça um pedido formal de perdão ao seu rebanho. Tal atitude não condiz com sua história...

 

Links adicionais sobre o tema:

http://www.e-watchman.be/commentaren/2004_12_20_maart_print_portugees.html

http://www.glextj.locaweb.com.br/tjs_x_onu.php

http://www.observandoomundo.com/artigo.php?cod=54

http://www.geocities.com/osentinela/onu2.htm

 

 

 

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