Esta mensagem marca o início dos debates propriamente ditos sobre o passado da religião das Testemunhas de Jeová e a necessidade de examinarmos, de perto, tais assuntos...  

 

   Prezado companheiro Hermman

 

 

        Inicialmente, quero manifestar minha gratidão pela preciosa oportunidade que ora você me oferece de, ao responder suas mensagens, contribuir para o esclarecimento dos quarenta e poucos outros participantes desta lista. É em favor deles e por eles que dou prosseguimento a este trabalho. Conforme menciona o próprio estatuto desta lista, “fóruns de debate”  constituem um dos objetivos desta lista (artigo 1º, ítem “e”), desde, evidentemente, que seja preservado o respeito mútuo entre os debatentes (artigo 3º, ítem “a”). O confronto é de idéias, não de indivíduos (artigo 2º, ítem “d”). Deste processo, creio eu, deve nascer o esclarecimento, não a rixa ou a mágoa. Se nos melindrarmos ao vermos nosso ponto de vista refutado ou por sermos criticados por uma atitude, ficando  “amuados” e irados uns com os outros, todo o objetivo de estarmos aqui se perderá de vista. Debates eventualmente acalorados não constituem, ao meu ver, desrespeito, nem evidência de ódio ou amargura. Pessoalmente, não estou ofendido por ter meus argumentos  ou forma de pensar contestados por você. Sinceramente, espero, da mesma forma, não tê-lo ofendido ou vir a ofendê-lo pela  firmeza de minhas declarações. Caso isto ocorra, faça-me saber e, prontamente, diante de todos, apresentar-lhe-ei um pedido de desculpas, como fez o colega Marcelo Cardoso, a quem parabenizo neste momento. O FUNDAMENTAL é que NÃO PERCAMOS DE VISTA O ASSUNTO EM APREÇO, fugindo do diálogo, desviando-nos para questões subjacentes de menor importância ou permitindo que a emoção oblitere a nossa  razão. Ora, SOMOS ADULTOS! Se o confronto de idéias causa-nos desconforto, então por que estamos aqui? Que proveito haveria se cada um se “trancasse” dentro de si próprio, tendo receio da crítica alheia? Se assim o for, é melhor abandonarmos o diálogo sério, a investigação, a busca dos fatos, falando apenas de amenidades e nos conformando ao que já sabemos, pelo temor de que nossas “feridas” emocionais sejam tocadas. Pessoalmente, não quero ser vítima da “síndrome do caramujo”,  o qual se esconde dentro de sua concha ao menor sinal de contato externo. Uma espécie de “autismo”, como uma criança. Quero crer que meus caríssimos amigos da lista também não aprovam agir assim. Paulo disse: “Quando eu era pequenino,  costumava falar como pequenino, pensar como pequenino, raciocinar como pequenino; mas, agora que me tornei homem, eliminei as características de pequenino.” (1 Coríntios 13:11)  Lemos também, em Hebreus 5:14: “O alimento sólido, porém, é para as pessoas maduras, para aqueles que PELO USO têm suas faculdades perceptivas treinadas para distinguir tanto o certo como o errado” (o maiúsculo é meu). Esta lista não visa a manter nossos membros à base de “sopinha” e “mingau” espiritual, mas a ajudá-los a ingerir o “alimento sólido” da investigação dos ensinos, a sondar abaixo da superfície, a formar suas próprias convicções, a avaliar o que aqui é discutido, a examinar os argumentos contra ou  a favor de idéias, a desenvolver suas faculdades de raciocínio e discernimento para que suas mentes não se tornem como “massa de oleiro”, à mercê de homens ou de corporações. Creiam todos, não existe caminho fácil para o conhecimento. O ouro é refinado com fogo. Porisso, convido-os a se tolerarem mutuamente neste processo, a serem longânimes, pois o resultado é bom.  Eclesiastes 7:9  diz: “Não te precipites no teu espírito em ficar ofendido, pois ficar ofendido é o que repousa no seio dos estúpidos.” Que não seja assim conosco. Sobriedade, amigos!!!

 

            

             Esclarecidos estes pontos, passo a compor a tréplica à  última  mensagem de Hermman. Esta tréplica, em face do vastidão dos pontos que pretendo refutar, um a  um, será dividida em partes, as quais publicarei em sequência.  Eis a parte I:

 

           

             Causou-me um certo  conforto que, em favor do bom senso e da lógica, você tenha admitido “não saber responder” ou até “concordar” com algumas das questões que levantei. É duro, eu  bem o sei, Hermman, justificar (e não apenas “explicar”, como você próprio disse) os atos daquela que se autoproclama a ÚNICA RELIGIÃO VERDADEIRA, O ÚNICO CANAL DE COMUNICAÇÃO ENTRE DEUS E OS HOMENS, ao longo de mais de um século de ações, às vezes não tão piedosas, para dizer o mínimo. Neste respeito, devo dizer-lhe que - falo apenas por mim - sentiria enorme desconforto em estar no seu lugar (enquanto TJ), tendo que, por força de minha fé, defender coisas tão contraditórias em si mesmas. Algumas vêzes eu próprio senti a fragilidade de meus argumentos no serviço de pregação. Para mim, é um alívio estar  hoje livre do  fardo de ter de defender, a todo custo,  tais ensinos. Imagino que seus esforços devam ser árduos, pois, no meu caso, seriam. Posso assegurar-lhe de que um advogado teria diante de si um enorme desafio em sustentar com êxito, diante de uma corte,  alguns dos argumentos fragílimos dos quais você lança mão. No seguimento desta mensagem, alguns deles serão examinados, para que todos nesta lista possam formar um juízo do assunto, ouvindo seu lado e o meu. Quanto àquilo que você classifica como “mal entendido”, igualmente contém, ao meu ver, algumas inconsistências, as quais, respeitosamente,  passo a analisar agora.

 

  1) Você incorre em equívoco ao desviar a expressão “posição do corpo governante” – a qual eu mencionei como conflitando com a sua –  para “opinião pessoal de cada indivíduo do corpo”,  pois não há diversos “corpos governantes”, mas apenas um, e é aos ensinos dele que se espera estrita adesão das TJ.  Você fala da opinião pessoal daqueles homens como se houvesse a possibilidade de um deles estar de acordo com a sua própria posição individual. A opinião pessoal deste ou daquele membro não entra na questão que levantei. Nem sob minha ótica nem sob a ótica da organização.  A literatura da sociedade não expressa a posição individual  de um membro daquele grupo, mas expressa o entendimento do corpo como um todo. Neste respeito, “A Sentinela”de 1/2/1952 declara: “As verdades que publicamos são aquelas providas pela organização do  ‘escravo discreto’, NÃO algumas OPINIÕES PESSOAIS contrárias ao que o ‘escravo’ tem provido como alimento oportuno.” Presumo que você conheça o rito seguido há anos por aquela corporação quando por ocasião  de suas reuniões para decidir sobre este ou aquele assunto. Todos do corpo expressam seu entendimento inicial sobre aquele tópico e, ao final, em regime de maioria de dois terços, adota-se uma posição DE GRUPO, sendo que aqueles cuja tese não prevaleceu nesta votação passam a adotar a posição final aprovada como sendo  A SUA PRÓPRIA.  Cada um passa a advogar aquele ensino. De modo que, do ponto de vista da Torre de Vigia, é irrelevante especular sobre a opinião de um ou outro componente  do corpo governante. Nem é relevante à nossa discussão,  no que pertine a  “defender a organização NO GERAL”. Quando se deixa de seguir À RISCA aquilo que é ensinado na literatura da sociedade, não se está discordando simplesmente da posição individual de um membro do corpo governante –  algo realmente de menor importância, caso fosse verdade – mas se está a discordar, no todo ou em parte,  DO ESCRAVO FIEL E DISCRETO, encarregado de suprir o “alimento espiritual” às “outras ovelhas”. É, por assim dizer, como fazer uma “triagem” daquele “alimento”. Não foi assim que aprendemos? Foi isto o que me ensinaram nos meus 14 anos como TJ. Instruíram a você de modo diferente, Hermman?   Para mim, é assombroso, pois,  que isto não o preocupe, enquanto  membro professo deste rebanho, ainda que seja por UMA ÚNICA divergência entre aquilo que o corpo governante ensina e o que você pratica.  – Para mais informações, “Crise de Consciência” – R. Franz, págs. 118 e 119.

 

2) Igualmente incorre você em equívoco quando emprega o termo “explicar” ao invés de “defender” como se o primeiro fosse a atitude típica do corpo governante no que se refere aos erros históricos da organização. Não, Hermman, nem neste ponto a atitude da Watchtower se afina com a sua. Pelo contrário, o corpo governante vai ao ponto de defender a tese de que certos erros foram proveitosos, servindo como proteção ou como “teste” para a fé dos cristãos  (adiante mencionarei exemplos), muito embora, em parte alguma das escrituras, encontramos Jeová a dirigir seu povo por meio do engano.  Mencione um ÚNICO artigo, em literatura antiga ou recente,  em que o corpo governante assume diretamente a responsabilidade por um erro doutrinário, na PRIMEIRA PESSOA, sem usar expressões do tipo “o povo de Jeová achava que”, “pensou-se que”, “alguns pensaram que”, “as testemunhas achavam que”, “achou-se que” e outras similares – as quais desviam sutilmente a responsabilidade do corpo – seguido de um franco pedido de desculpas ou, no mínimo, uma retratação explícita, sem eufemismos (tais como classificar reviravoltas doutrinárias de graves consequências como simples “ajustes”) e eu passarei a rever, pelo menos em parte,  meu ponto de vista. Isto você não pode fazer, Hermman; e, por uma simples razão – NÃO EXISTE TAL ARTIGO. Examinemos agora [nos próximos e-mails] como a Watchtower costuma “frequentemente” tratar seus erros doutrinários. Não é algo difícil de fazer, já que  a prova se encontra em sua própria literatura. Daqui para a frente, apoiarei cada uma das minhas afirmações em evidências concretas e não em simples filosofia. Seria de enorme proveito para os leitores que você fizesse o mesmo (mencionando nomes, datas, lugares, artigos etc.). Um documento contra outro documento, e não uma suposição ou uma suspeita contra um documento. Assim, seremos mais objetivos.

 

OBS: A partir deste ponto da mensagem, passei a fazer toda uma análise sobre a história e metodologia da Sociedade Torre de Vigia, cujo conteúdo você, leitor, poderá conhecer "clicando" no ícone "Falsas Profecias, Justificações e Trapalhadas Doutrinais das TJ" - no início da página Mail List.

 

 

 

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