Mensagens entre 18/9/2001 e 23/9/2002

 

  1. "...É uma Bênção!"

  2. Leitor Quer Voltar a Ser Cidadão

  3. Curiosidades

  4. Leitora Busca Esclarecimento

  5. Um leitor nos escreve da Espanha

  6. Leitor cria um novo site

  7. 1914 - De onde veio esta data?

  8. Campanha de Vacinação

  9. Intercâmbio de Textos

  10. O Eterno Dilema

  11. "Saí Dela, Povo Meu..."

  12. Pensando com Raiva

  13. Combatendo o Racismo

  14. Sobre o Serviço Militar II

  15. Livre Novamente

  16. Manipulação Mental

  17. Romances em Perigo III

  18. Sobre o Serviço Militar I

  19. 'De Casa em Casa'

  20. Organização 'Pura'?

  21. Outro Leitor nos Escreve de Portugal

  22. Tempo Perdido?

  23. Legítima Defesa

  24. Sobre o Artigo "As TJ e o Ocultismo"

  25. Utilidade Médica

  26. Apesar de 1975...

  27. Incisivo sem ser Apelativo

  28. Um Dissidente Agradece

  29. A quem se aplicam estes textos?

  30. Palavras de Apreço

...Mensagens anteriores

 

 

"...É uma Bênção!"

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R.C., Brasil, 23/9/2002

 

     Este site é uma bênção. Gostei muito e louvo a Deus pela sua vida e sua coragem em anunciar as verdades da palavra de Deus e as mentiras desta seita - TJ.

     Peço permissão para usar algumas matérias suas em nosso site http://clamordomundo.com.br, com os devidos créditos a seu site e um link para ele.

     Aguardo sua resposta.

 


Leitor Quer Voltar a Ser Cidadão

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E., Brasil, 17/9/2002

 

     Olá, Boa Tarde.

 
     Estive esses dias pesquisando na internet, e confesso não estava confiante em achar alguma pagina que desse alguma "luz" sobre essa questão, e qual foi minha surpresa em encontrar sua pagina, puxa, fiquei muito entusiasmado, porque já tinha perdido as esperanças em encontrar alguma informação sobre como reverter o processo de eximição. Suas informações são bem úteis, mas, no meu caso, eu tenho agora 31 anos e desde 1988, quando entrei com o pedido de  eximição, "como me arrependo disso". Até agora não obtive nenhuma resposta, ou seja, não veio pra mim a carta de eximição. Eu gostaria de saber quais são os procedimentos para que eu possa reaver meus direitos polticos. Eu tentei achar na sua pagina os documentos necessários para "aqueles que não receberam o atestado de eximição", mas não achei. Gostaria muito que você pudesse me ajudar, me enviando por email os modelos dos documentos necessários e os passos necessários para que eu possa entrar o mais rápido possível com esse processo para reaver os direitos políticos.
 
     Um abraço,

Nota: As Testemunhas de Jeová recusam-se a cumprir sua obrigação para com o Serviço Militar. No Brasil, isto resulta na cassação, ou seja, a perda dos direitos da cidadania - o jovem fica impedido de ter título de eleitor e carteira de reservista. As conseqüências sobre a vida profissional são terríveis, pois a pessoa não poderá participar de qualquer concurso público ou assumir cargos. É o caso deste leitor - após receber instruções enviadas por mim para agilizar seu processo de reabilitação política perante as autoridades, ele voltou a me enviar correspondência, desta vez, em palavras bastante comoventes:

 

     Tudo bem, Odracir ?

 
     Eu procurei na sua HP, na mail list, mas, só tem a relação de documentos para os que já foram eximidos. Inclusive procurei na sua HP, onde você pede para olhar o email que mandou para o A., que está na mesma situação que eu, que ainda não recebeu a carta de eximição, mas o link não funcionou. Aquelas informações realmente foram bem úteis, mas, se for possível  você me mandar a cópia dos documentos necessários para quem ainda não recebeu a eximição, eu agradeceria muito. Inclusive, eu sugiro que você coloque um link em sua página para esse tipo de assunto,  juntando todas as informações em um único lugar.  Olha, tenho certeza que vai ajudar muita gente mesmo. Além disso, como você mesmo disse na pagina que o processo é demorado, se eu entrar com um advogado, será que pode ser mais rápido ? Você conhece alguém que pode nos ajudar neste caso ? É que estou querendo fazer faculdade, tirar passaporte, e, pra te falar a verdade, eu estou com uma vontade de prestar minha cidadania, ser uma pessoa NORMAL, como as outras. Sabe, as vezes fico pensando, quantas coisas que nós, quando jovens, perdemos em relação à experiência de vida, em crescimento como cidadão, é... o tempo passa...
 

     As vezes me sinto muito deprimido com esta situação, olhando muitas vezes para meus colegas de trabalho, para as pessoas em volta, me sentindo "submisso", fraco  por ser diferente, ainda que não no pensamento hoje, mas na condição desigual em que fui colocado, e este sentimento é como li em alguns depoimentos em sua pagina; um sentimento que percebi em todos aqueles que passaram por esta "experiência religiosa". Por isso, a minha angustia e meu desejo de tentar o mais rápido possível reverter esta minha condição e de ser um cidadão como outro qualquer, podendo colocar minhas opiniões sobre política, sobre meu país, enfim ...

 

     Sabe, talvez você não acredite, mas, eu, apesar dos meu 31 anos, estou escrevendo tudo isso e me desabafando com você, com os olhos cheios de lágrimas ! Desculpe pelos desabafos, mas foram marcadas duramente em nossa personalidade, principalmente pessoas como eu que desde os 6 anos ia ao salão, coisas que são difíceis de apagar tão rapidamente, mas a gente vai melhorando dia a dia, ou melhor, vai se curando dia a dia. Mais uma vez, desculpe pelos desabafos !  

 
     Obrigado e um abraço.

 

Curiosidades

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Z.M., Brasil, 30/8/2002

 

     Desde 1879, as Testemunhas de Jeová utilizam a Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania como ÚNICA detentora dos direitos autorais de tudo que produz, envolvendo a publicação de bíblias, revistas, Ministérios do Reino, páginas na internet, CDs, K7s e vídeos.

     Pois bem, desde Agosto de 2002, o informativo NOSSO MINISTÉRIO DO REINO  vem com o seguinte Copyright ©: Christian Congregation of Jehovah's Witnesses. Esta sociedade, que tem caráter religioso, parece ser diferente da Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania  (Não confundir com a Watchtower Bible and Tract Society of New York - que tem funções completamente diferentes. É, entre outras coisas, uma editora, assim como a Sociedade Torre de Vigia do Brasil e, no seu estatuto, classifica-se com filantrópica).

     Não se sabe o que isto indica, mas pode parecer uma mudança no que vem pela frente em termos de rumo na teologia
das testemunhas de Jeová, pois o último elo com C.T. Russel era a WTBS de Pennsylvania, criada por ele mesmo.

     Na página 2 de A Sentinela e na página 4 de Despertai!, havia o seguinte convite: "Escreva à Torre de Vigia ..."

     Desde que foi criada a ATCJ o convite passou para: "Escreva às Testemunhas de Jeová..."

     Mais uma vez, a Sociedade Torre de Vigia ou Watch Tower perdendo poder para a Christian Congregation of Jehovah´s Witness ou, no Brasil, Associação das Testemunhas Cristãs de Jeová".

 

 

 

Leitora Busca Esclarecimento

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J., Brasil, 28/8/2002


     Sou Testemunha de Jeová de coração há 10 anos - mediana, que nunca soube da existência de fatos como estes relatados por você. Gostaria ver e ler este compêndio de 1913 sobre maçonaria. É muito importante para mim também, com certeza. Como posso consegui-lo? 

     Atenciosamente

 

Nota: o compêndio de 1913 a que esta leitora se refere é o Relatório de Convenção daquele ano, no qual acham-se registrados o depoimento de Clayton Woodworth sobre seu passado envolto em possessões demoníacas e o discurso do 'pastor' Russell diante da Loja Maçônica de Pasadena-Califórnia. Trata-se de publicação muito antiga e de difícil obtenção. Eu mesmo só possuo fotocópias de trechos da referida obra, obtidas de sites internacionais.

 


Um leitor nos escreve da Espanha

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F.C., Alicante - Espanha, 6/7/2002

 

     Hola querido amigo

     Soy un ex-testigo de Jehová, vivo en Alicante España. Me ha gustado mucho tu pagina, es una pagina muy completa, sobre todo el articulo sobre el tetragrama es muy interesante, ¿hay posibilidad de tenerlo en español? Nosotros aquí en España encabezamos una lucha para desenmascarar a la Watchtower, tenemos una pagina web  www.ayafin-tj.org

     Espero tus noticias 

     Un saludo afectuoso 

 

 

Leitor cria um novo site

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Anônimo, Brasil, 6/7/2002

     Olá, meu amigo Odracir, como vai? Tudo bem?


     Tenho acompanhado já há algum tempo seu website e gosto muito dos seus  artigos. Fui Testemunha por 22 anos, mas decidi abandonar a fé depois de um doloroso reexame. Decidi criar um website pra abrigar alguns artigos que escrevi e ajudar outros com o que descobri. Como sou fã dos seus artigos, suas críticas e sugestões aos meus serão bem-vindos. Se quiser dar uma olhada, aqui está o endereço do site

     http://home.attbi.com/~mundodatorre 

     Os meus favoritos são:  "Sangue - O que aconteceu em 14 de Junho de 2000?"  e  "Testemunhas de Jeová Enfrentam Crise de Credibilidade nos Estados Unidos".

     O primeiro que escrevi, porém, foi "1975 - Mamãe Prometeu Tanto, Mas Não Cumpriu".


     Duas seções do website ainda estão incompletas. Um link no seu website seria também muito apreciado.


     Grande abraço,
     Um Observador

 

 

1914 - De onde veio esta data?

(Minha resposta está em azul)

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M.A.S., Brasil, 30/6/2002

     Graça e Paz do Senhor 

     Prezado irmão, meu nome é M.A.S. , sou membro da Igreja Batista Nova Vida e também faço seminário Batista. Tenho uma dúvida para a qual não consegui uma resposta que me satisfaça, a saber... 

     Como foi determinado o ano de 1914 para as Testemunhas de Jeová? 

     No aguardo de sua resposta...

 

     Prezado leitor 

     É uma honra poder esclarecer uma questão que envolve o próprio alicerce sobre o qual foi edificado o movimento religioso Testemunhas de Jeová – a escatologia. Primeiramente, é preciso frisar que a idéia de “calcular” datas apocalípticas não nasceu com esta religião. Na verdade, séculos antes de Cristo, esta era uma prática comum. Por exemplo, cerca de 600 anos antes do surgimento do cristianismo, um ‘profeta’ persa chamado Zoroastro já previa um confronto universal entre o bem e o mal, culminando em um cataclismo, após o qual a bem-aventurança estaria reservada aos justos e a ordem mundial seria restaurada. Muitos não percebem a enorme influência das idéias de Zoroastro no judaísmo e no cristianismo. Exemplificando, os essênios, membros de uma seita judaica também anterior ao nascimento de Jesus Cristo, isolaram-se nas cavernas de Qumram, à espera do ‘fim do mundo’ – para eles, um evento iminente. De certa forma, seu temor se concretizou quando os romanos atacaram sua comunidade, dizimando-os. Os cristãos do primeiro século também esperavam ver a glória do Senhor em seu próprio tempo, na forma de um acontecimento espetacular. Deveras, o apóstolo Paulo enfatiza continuamente, em suas epístolas, a ‘brevidade do tempo’ (1 Cor. 7: 29) Assim sendo, era somente natural que, na falta do tão aguardado evento, as gerações futuras persistissem na tentativa de “adivinhar” uma data para ele. O rabino Akibah Ben Joseph  (50 - 132 DC) foi pioneiro em estabelecer um princípio conhecido como ‘dia-ano’, ou seja, aquele que generaliza as palavras do textos bíblicos de Números 14: 34 e Ezequiel 4:6 como sendo a chave para o entendimento de todas as profecias que usam o termo ‘dia’. Sob este entendimento, um dia corresponde sempre a um ano. O cristianismo também aderiria a esta idéia - no século XII, o monge católico Joachim de Fiore "calculou" a data da volta do Messias partindo do princípio 'dia-ano' e aplicando-o a Apocalipse 11:3. Deste modo, chegou ao ano de 1260 DC. Nada aconteceu. A partir daí, um longo desfile de escatologistas se seguiu, com a proposição de novas datas. Com o fracasso de todas as datas partindo de um período de 1260 anos, os aspirantes a 'profetas' decidiram-se por períodos mais longos. Um inglês chamado John Acquila Brown foi pioneiro em lançar mão de um período de 2520 anos, partindo do capítulo 4 do livro de Daniel (os "sete tempos"). Em 1823, ele fez um cálculo, partindo da data de 604 AC, ano aproximado da famosa batalha de Carquêmis, na qual os babilônios bateram o último aliado da recém-derrotada potência assíria - o exército egípcio. Contando 2520 anos, ele chegou ao ano de 1917. A partir de Brown, outros autores adotaram tal período e começaram a relacioná-lo ao assim chamado "tempo dos gentios', mencionado em Lucas 21: 24. Na primeira metade do século XIX, um pastor batista, W. Miller, fez outro cálculo, começando de 677 AC - suposta data da captura do rei Manassés - e chegando a 1843. A expectativa em torno daquele ano levou ao que se chama "grande desapontamento" - nada aconteceu (como de costume). Todavia, alguns seguidores de Miller insistiriam com novas datas - um deles chamava-se Nelson Barbour. Ele pregou a volta de Cristo em 1874 e o  'fim do mundo' para 1914. O processo todo pode ser resumido assim:

A) Os "sete tempos" mencionados repetidamente em Daniel, cap. 4, significam 7 anos, ou 2520 dias. Tomando 'um ano por um dia', chega-se a 2520 anos.

B) Este período de 2520 anos corresponderia aos "tempos das nações", de Lucas 21: 24.

C) Nelson Barbour tinha apontado para a data de 1874 como aquela em que Cristo retornaria à terra. Como nada aconteceu, ele mudou a interpretação da profecia, afirmando que naquele ano o Senhor, de fato, 'retornou', só que de forma 'invisível'. Mas, ainda faltava determinar a data para o 'armagedom'. Barbour voltou-se para as escrituras, em busca da resposta. Seu cálculo dependia de um ponto de partida.

D) A data de partida deveria contar a partir da destruição de Jerusalém pelos babilônios. As evidências históricas apontam para o ano de 539 AC como aquele em que os judeus cativos foram libertos de Babilônia pela Medo-Pérsia. Barbour presumiu que as primeiras grandes levas de judeus retornaram ao seu lar destruído apenas por volta de 536 AC. Contudo, ele cometeu um equívoco - supôs que os 70 anos aplicados à profecia de Babilônia (Jer. 25: 11,12) significariam 70 anos de exílio para toda a nação judaica (com efeito, os 70 anos referiam-se ao poderio babilônico, não ao exílio judaico). Assim, contou 70 anos para trás e caiu no ano de 606 AC. Ao contar 2520 anos a partir daí, ele chegou a 1914. Ainda assim, cometeu outro erro - despercebeu a inexistência de um ano 'zero'. Assim, seu cálculo cairia, na verdade, em 1915 e não 1914.

E) O 'pastor' Russell gostou da idéia de uma 'presença invisível', advogada pelo grupo de Barbour. Encontrou-se com ele em 1876 e ficou totalmente convencido por seus cálculos. Até hoje, as Testemunhas de Jeová pensam que foi Russell o autor desta 'profecia'.

F) Curiosamente, o erro de um ano entre 606 AC e 1914 DC permaneceu despercebido por décadas, até que os sucessores de Russell notaram que, para manter a data 1914, já anunciada, teriam de recuar um ano, para 607 AC. Fizeram isto por presumir que os judeus retornaram ao seu lar em 537 AC, ou seja, dois anos após a derrota de Babilônia e a emissão do decreto do rei Ciro, em 539 DC. Daí, contaram novamente 70 anos para trás e caíram na data que mantêm até hoje - 607 AC. Esta foi, sem dúvida, uma coisa fácil de fazer - no papel. A História, contudo, não apóia estas contas.

G) Babilônia reinou, de fato, por 70 anos, de 609 AC (quando os últimos focos de resistência assíria caíram) a 539 AC (com a invasão da Medo-Pérsia) e é a este período que a profecia de Jeremias muito provavelmente se refere.

H) O povo judeu caiu cativo aos poucos, primeiro perdendo autonomia política, após algumas visitas do exército babilônico e levas de deportados. Durante este período, Jeremias avisou-os continuamente da necessidade de cederem a Nabucodonosor e assim seriam poupados da destruição (Jer. 27: 8-11). Mas, com a resistência do rei Zedequias, a cidade acabou por ser sitiada e destruída em 587 AC. Assim, ao passo que o período de domínio babilônico correu ao longo de 70 anos, o exílio de todos os judeus só se deu por cerca de 50 anos.

     Este é o maior erro dos escatologistas da Sociedade Torre de Vigia - não têm apoio histórico algum para sua teoria. Nenhum livro de história no mundo aponta para 607 AC como a data da destruição de Jerusalém. Além disso, não há como provar que a profecia de Daniel 4 guarda qualquer relação com a de Lucas 21: 24. É mera inferência ou suposição, pois as escrituras não afirmam que há ligação entre estes textos (escritos com séculos de diferença). Nem mesmo há como provar que o acontecido com o rei Nabucodonosor - a loucura por 'sete anos' - tivesse alguma aplicação além daquela dirigida a ele próprio, por sua arrogância desmedida. Por outro lado, transformar sete anos em 2520 dias e depois converter os dias em anos novamente, chegando a 2520 anos, é o tipo de malabarismo mental que se ajusta melhor ao esoterismo do que ao cristianismo.

     Um  último detalhe: muitos perguntam por que a Sociedade Torre de Vigia não cede simplesmente às evidências e corrige a data. A resposta a isto é simples - se assim o fizesse, teria que abrir mão também do assim chamado período de 'inspeção' de Jesus Cristo, entre 1914 e 1918 (amplamente ensinado na literatura da Sociedade). As Testemunhas de Jeová foram ensinadas a crer que os dirigentes de sua religião receberam autoridade de Cristo em 1919, após o Filho de Deus ter examinado todas as religiões do mundo. Ora, negar a data de 1914 implica, pois, no completo colapso da autoridade espiritual alegada pelo 'corpo governante' da Torre de Vigia. Se 1914 nada significa, então, não houve qualquer período de 'inspeção' e nenhuma autoridade foi concedida em 1919. O movimento perde seu passado e sua identidade, deixando de ter sentido. É por esta razão que as Testemunhas se 'agarram' como podem a este ano. Em 1995, tiveram que abrir mão da doutrina da 'geração de 1914', pois esta completava 80 anos e nada havia acontecido à ordem mundial, como fora previsto anos antes. O 'corpo governante' cedeu até onde pôde, mas está inexoravelmente amarrado a 1914 - uma espécie de 'fim' auto-imposto. É obrigado a perpetuar este erro cronológico cometido por Nelson Barbour e Charles Russell, sob pena de deixar de existir como grupo religioso. Até onde se irá com esta teoria, é difícil dizer. Sem dúvida, é triste estar preso a um erro óbvio e não poder consertá-lo. Além disso, com a virada do século 21, a escatologia entrou em declínio - as pessoas cansaram de esperar por um futuro que nunca chega e agora deixam-se seduzir pelo apelo imediatista do neopentecostalismo. É a maior crise da história das Testemunhas de Jeová.

     Espero ter-lhe sido de ajuda no esclarecimento deste ponto. Recomendo-lhe a leitura da obra "Proclamadores" (1993), publicada pelas Testemunhas de Jeová, e o livro "The Gentiles Times Reconsidered" (em inglês), da autoria de uma ex-Testemunha, C.O. Johnsson, o qual esquadrinha o assunto.

     Saudações,

     Odracir

  

 

Campanha de Vacinação

(Minha resposta está em azul)

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B.M., Brasil, 27/6/2002

 

    
     Caro Odracir,

    Tive acesso à sua página por acaso. Ao fazer pesquisa na internet sobre a vida do apóstolo Paulo, deparei-me com a sua home page.  Confesso que fiquei impressionada com a quantidade de informações oferecidas, pois nunca imaginei que a "nudez" da torre de vigia pudesse ser exposta, e ainda mais por ex-membros.  Por ser uma religião muito fechada,  quase não temos  notícias de escândalos ou de outros fatos que comprometam os lideres dessa seita.

    Sempre gostei de ler a respeito de outras religiões não cristãs, em publicações baseadas na Bíblia, para entender porque as pessoas dão crédito a essas doutrinas.   Li muitos livros e artigos sobre as TJ, pq. sua forma de de doutrinar sempre me impressionou, devido à sua aparente lógica, já que eles "raciocinam" por você, com um sistema de perguntas e respostas aparentemente coerente.

    Fiquei feliz e surpresa ao ler página assim tão esclarecedora, concisa, sem rancores.  Então, da sua página, passei para a Cid Miranda, Osarsif, Irmão Brasileiro etc. Confesso  que, ao ler sobre Raymond Franz, senti muito respeito e admiração por esse homem, pela maneira ética e íntegra com que ele denuncia os desmandos da Sociedade Torre de Vigia (comprei, inclusive,  o livro Crise de Consciência, por sinal, muito bom!).

    Mas, fico curiosa (me desculpe o termo, se você achar impertinente) por saber em que realmente você crê hoje. Sei que a doutrina da STV é completamente diferente das demais instituições cristãs. Se você por tanto tempo foi doutrinado dentro dela, o que permaneceu do que vc aprendeu lá? Por exemplo, sobre a pessoa de Jesus, o Espírito Santo, o inferno, salvação, a alma humana?  Você se reúne com outros para adoração? Em residências ou em algum lugar específico? (Me perdoe se pareço inconveniente, mas sinceramente fico ansiosa por saber, visto que nunca conheci nenhuma ex-TJ).  Por vezes, fico a imaginar qtas. pessoas foram marcadas da maneira mais profunda no coração, na mente, na vida como um todo, até descrentes se tornaram, por causa da decpção com sua religião, seus líderes espirituais ou por escândalos, perdendo até o temor a Deus, enveredando, muitas vezes,  por caminhos piores do que os trilhados antes dessa experiência.   Ficam cauterizadas, "vacinadas" contra Deus. Quão grande serão as contas desses lideres falsos a ajustar com o Senhor.   Inobstante, existem pessoas, como vc que não perderam a sua fé, mesmo que a muito custo. Procuram, entretanto, ser fiéis a Deus, e isso é maravilhoso!  È terrível se sentir enganado, traído, a sensação de ter jogado fora tanto tempo de sua vida.

    Mas, o cristão vive por fé, e olha para diante, para "o prêmio da soberana vocação", graças a Deus por isso, que deu a vc e a tantos outros benção de permanecer com Ele, que é o "nosso lugar seguro".

    Um abraço fraterno, com admiração e carinho.

    B. M.            

    PS: Não gostaria que vc. tornasse público meu nome.  Por favor, me responda.

 
     Cara leitora
 
     Fico profundamente lisonjeado por suas palavras gentis. Por correspondências como a sua e pelo número de visitas diárias à minha HP, percebo que o trabalho árduo não foi em vão - mais e mais pessoas estão se familiarizando com os riscos da hipocrisia e do autoritarismo religioso. Contudo, os líderes da Sociedade Torre de Vigia não são os únicos a cair em tais faltas, elas são típicas de muitos sistemas religiosos. Pessoalmente, busco não exaltar nenhuma instituição sobre as demais. Acima de tudo, combato o fundamentalismo religioso - os assim chamados 'donos da verdade'. A situação no Oriente Médio nos dá amostras diárias das consequências de tal forma intransigente de pensar.
 
     Quanto à minha condição pessoal, agradeço-lhe pelo interesse. Devo dizer-lhe que não estou "vacinado" contra Deus ou contra a espiritualidade. Todavia, estou, sim, muito bem "vacinado" contra religião; contra homens que se arvoram em 'representantes' de Deus; contra as disputas doutrinais seculares; contra a intolerância dos que se julgam 'os escolhidos'; contra o sentimento que faz um ser humano se achar superior ou mais 'abençoado' que os demais; contra a segregação por razões de ideologia religiosa, enfim contra os malefícios da espiritualidade mal orientada.
 
     No que diz respeito às questões doutrinais - triunidade, inferno, alma imortal etc. - devo lhe dizer que não me sinto incomodado por elas. Se Deus é trino, para mim está bom. Se não é, também está bom. Se a alma é mortal, para mim não há problema. Mas, se é imortal, também não há. A realidade não muda se eu descreio dela. Prefiro me manter fora destas disputas que, ao longo de séculos, só fizeram dividir ainda mais a humanidade. Os hindus e budistas não discutem estas questões - na verdade, as antigas escaramuças dos cristãos em torno de algumas delas foram um dos fatores que impeliram Maomé em sua cruzada, fazendo nascer o islamismo. Em pleno século 21, percebo que nada realmente mudou, os cristãos continuam mais divididos do que nunca - unitaristas, trinitaristas, aniquilacionistas etc. Por isso, prefiro manter-me religiosamente neutro. Estou aberto à revelação, desde que ela se dê de forma clara e sem "atravessadores" humanos, travestidos de "mensageiros da verdade", enquanto se mostram completamente ignorantes da ciência, da história e até da teologia. Muitos usam a religião como meio de fazer fortuna à custa de vítimas incautas (como exemplo bizarro, a quadrilha criada pelo Sr. Edir Macedo). Se Deus deseja aproximar-se de suas criaturas, certamente saberá fazê-lo de maneira eficaz, sem depender dos sempre mutantes conceitos culturais dos povos. Se há uma justiça universal, espero para vê-la ou compreendê-la, pois a humanidade continua a padecer por milênios, sem socorro - neste exato momento, milhares de crianças inocentes estão sendo assassinadas em conflitos sem sentido, sexualmente abusadas, espancadas ou mortas de fome. Recuso-me a crer que isto ocorra em nome de uma calúnia supostamente levantada pelo diabo, pois isto equivaleria, como diz Thomas Paine, a dar-lhe mais poder do que aquele que se atribui a Deus. Até hoje, ninguém me deu explicação lógica, plausível e satisfatória para estas questões que põem em xeque a justiça suprema no universo. Certamente, é fácil falar em bem-aventurança quando se tem os filhos em casa, alimentados, aquecidos e seguros. Porém, para milhões de pessoas que têm suas crianças mortas ou entregues à própria sorte, é necessária alguma intervenção mais eficaz do que simplesmente uma prece, um canto, algumas palavras e votos de paz e felicidade. É preciso AÇÃO! Infelizmente, não é isto que vejo por parte das grandes instituições religiosas do mundo. Na verdade, as brigas entre elas estão muitas vezes na raiz de todo este mal.
 
     Assim sendo, cara leitora, espero não decepcioná-la com minha forma de pensar. Não pertenço a qualquer instituição religiosa, mas acredito na solidariedade, no humanitarismo. Creio que todos podemos nos ajudar uns aos outros, desde que não exista entre nós qualquer forma de preconceito alimentado por filosofias religiosas segregadoras. Sinto-me honrado com sua visita à minha HP e faço votos de que continue a pesquisar a religião, pois daí pode nascer o esclarecimento.
 
     Com amizade e respeito,
 
     Odracir
 
     PS: fique tranquila quanto à sua identidade, pois está preservada.
 
 
     Dias depois, recebi outra mensagem desta mesma leitora. Eis o seu conteúdo:
 

      Prezado Odracir    


     Como se avizinha o dia da amizade, 20 de julho, decidi enviar-lhe este e-mail. Você estranha? Eu explico. Suas mensagens têm sido companhia muito esclarecedora e agradável. Sua experiência de vida e a forma de expressar  suas idéias impressionaram-me bastante. Desde outubro de 2001, tenho acessado sua HP, e, de certa forma, ao lê-la, é como se conhecesse um pouco você, talvez  por haver me identificado em algumas situações ali descritas. Por isso, quase um ano de  “convivência virtual" ensejou o envio desta mensagem e da anterior a qual você intitulou de "Campanha de Vacinação". A propósito, o termo "vacinado", em absoluto, se referia à sua pessoa. Quanto às sua posições pessoais, não me decepcionaram, apenas me desconcertaram um pouco. Bem, desejo de coração que você prospere no seu objetivo de promover esclarecimento e conscientização. Acredito que outras pessoas (que, como eu, conhecem seu trabalho) se sintam ligadas a você por um sentimento de consideração e apreço. Então, permita-me desejar-lhe um PROVEITOSO DIA DA AMIZADE.


     Com amizade e respeito. 

     BM

 

 
 

Intercâmbio de Textos

(Minhas respostas estão em azul)

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R.E., Brasil, 18/6/2002

 
    
    Vós sois de vosso pai, o Diabo, e queres fazer os desejos de vosso pai. Esse foi um homicida quando começou, e não   permaneceu firme na verdade. Quando fala mentira fala segundo  a sua própria disposição, porque é um mentiroso e o pai da   |mentira|. JOÃO 8:44
 
     Obrigado por me enviar este texto, muito embora sua aplicação dele esteja totalmente fora do contexto histórico - releia os versículos à volta e veja que Cristo dirigiu estas palavras aos fariseus, os quais o estavam ofendendo, chamando-o de 'filho de fornicação' e 'possesso de demônio'. Perceba ainda que os impropérios dos judeus foram diretamente dirigidos a Cristo e não ao 'Pastor' Russell ou a qualquer um de seus sucessores (Rutherford, N. Knorr, F. Franz, M. Henschel e Dom Adams). Todavia, reconheço que você foi doutrinado de forma a crer que aqueles que criticam os métodos e os ensinos de uma certa organização humana, com sede em Brooklyn-N. York-EUA, estão criticando o próprio Cristo. Obviamente, qualquer religião poderá fazer uso deste mesmo argumento. Por outro lado, tirar passagens bíblicas de contexto e usá-las para "chicotear" aqueles que discordam dos ensinos da Sociedade Torre de Vigia é, infelizmente, uma prática comum entre as Testemunhas de Jeová. Como já disse, elas foram treinadas para agir assim...
 
     Em retribuição, envio-lhe estes textos:
 
     "Além disso, parai de julgar, e de modo algum sereis julgados; e parai de condenar, e de modo algum sereis condenados..." - Lucas 6: 37
 
     "No entanto, eu vos digo: Continuai a amar vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem..." - Mateus 5: 44


    O quê! Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não sejais desencaminhados. Nem fornicadores, nem idólatras, nem adúlteros, nem homens mantidos para propósitos desnaturais, nem homens que se deitam com homens, nem ladrões, nem gananciosos, nem beberrões, NEM INJURIADORES, nem extosores herdarão o reino de JEOVÁ DEUS.   I CORÍNTIOS 6: 9,10
 
     Aqui, mais uma vez, você utiliza uma passagem bíblica fora do contexto original. Releia os versículos anteriores e perceba que Paulo dirigiu estas palavras a membros da congregação de Corinto que estavam levando seus colegas aos tribunais. É em razão disso que ele inicia a fala com o tema 'justiça'. Paulo aproveita a ocasião para mencionar outras transgressões morais, sem, no entanto, deixar de enfatizar aquelas que costumeiramente suscitavam litígios judiciais entre os cristãos daquela cidade, a saber, acusações de roubo, injúria e extorsão. Segundo o Código Penal Brasileiro, injuriar alguém consiste em atribuir-lhe fato inverídico e definido como crime. Poderia, por favor, citar, especificamente, em que trecho de meus artigos eu imputo aos líderes da Sociedade Torre de Vigia um fato inverídico? Se há uma coisa com a qual lido de forma responsável é o embasamento documental de minhas denúncias - na maioria das vezes, as provas provêm da própria literatura da Sociedade, com data de edição e página. Estou disposto a remover quaisquer afirmações em meu site, desde que você demonstra, com contraprovas materiais, que elas são falsas. Caso não possa fornecer tais evidências, os artigos vão continuar como estão. Lamento se isso o incomoda...

    Es que o dia do SENHOR JEOVÁ está perto, e você vai pagar por suas mentiras. EU LOUVO A JAH!!!
   
     Leia outras mensagens em minha seção de correspondência e verá que este tipo de ameaça vazia é uma coisa costumeira à mentalidade fundamentalista das Testemunhas de Jeová. Estou certo que o tom de suas palavras harmoniza-se muito bem com os discursos de Osama Bin Laden e seus comparsas, classificando os cristãos do ocidente como "porcos infiéis". Concorda com eles? Assim como você afirma louvar a Jah, os terroristas palestinos afirmam louvar a Alah. Quem está com a razão - você ou eles? Para mim, nenhum dos dois grupos...
 
     Se decidir enviar-me uma réplica, terei prazer em contestá-la, desde que apresente evidências sérias. Caso contenha mais ameaças e insultos, não poderei levá-la a sério, simplesmente a publicarei - naturalmente, omitindo seus dados pessoais - apenas para que os leitores de meu site vejam por si mesmos como as Testemunhas de Jeová reagem às críticas sobre suas crenças.
 
     Atenciosamente,
 
     Odracir
 
 

O Eterno Dilema

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J.N., Brasil, 3/6/2002

     Prezado Odracir,

    Talvez você não tenha ouvido falar em mim, mas fui TJ por 8 anos, durante os quais desempenhei vários papéis na Organização, o último deles de ancião Sup. Presidente de uma congregação no Rio Grande do Sul. Eu me dissociei das Tjs no início de 2000, após descobrir os branqueamentos e os erros da Torre. Minha esposa e meus filhos apenas se afastaram. Durante este período procurei conhecer outras denominações religiosas, e o resultado foi que nenhuma delas me tocou, pelo contrário só me fez perder a esperança de encontrar  um local onde possa me reunir com outros a fim de adorar a Deus. 

    Lendo seu artigo "O LADO NEGRO DA FORÇA"  fiquei bastante impressionado com suas pesquisas, dá para notar que você pesquisou a fundo a questão. Cheguei a conclusão que realmente os seres humanos são bastante manipuláveis e que dependendo de quem está no comando. Pode-se dizer que as massas servem de marionetes para que os manipuladores atinjam seus objetivos.  

    No entanto, você sabe que a maioria dos seres humanos necessitam de algo que lhes de suporte emocional e espiritual,  ou como alguns chamariam de "muleta emocional", mas o fato é que isto parece ser algo absolutamente necessário na vida de alguns.  

    No caso da minha esposa, ter ido conhecer outras religiões parece que serviu de efeito contrário, pois a mesma ainda nutre simpatia pelas TJs. Um dia desses, fiquei impressionado com o fato dela me perguntar se eu me importaria que ela fosse assistir a uma reunião das TJs. O que podia falar? Deixei isto a critério da mesma... Mas fiquei decepcionado e preocupado com o fato de alguém querer voltar a ser enganado por uma organização humana. Vendo as outras religiões, a conclusão dela foi que todas têm seus erros, mas que nenhuma é como as TJs. Gostaria que você me desse algumas dicas, sobre duas coisas: 1a - Como preencher esta necessidade de ter um lugar aonde ir para adorar a Deus (se é que exista) ?, e 2a - Como ajudar minha esposa a não retornar para as garras da torre?

     Um abraço

     N. 

     Caro N. 

     Saudações! 

     Conforme as explanações em meu artigo, estou bem cônscio da peculiar noção de espiritualidade do ser humano. O problema talvez consista no fato de que este atributo não é objeto de ciências exatas, ou seja, não se trata de uma coisa cuja origem possa ser demonstrada cientificamente, por experimentação. Com efeito, outra área do conhecimento humano encarregou-se de estudar a espiritualidade – a filosofia. Em biologia, lida-se com uma realidade palpável e definível em termos simples, em torno da qual se fazem indagações. Estas indagações levam ao surgimento de teorias. Por fim, a experimentação se encarrega de endossar ou negar a teoria. É um processo auto-corretivo. Todavia, em ciências humanas, não podem ser seguidos exatamente os mesmos passos, até por que o objeto de estudo é, em si mesmo, difícil de conceituar. Um órgão é algo que pode ser visto e tocado. Sua origem pode ser estudada por comparações com outros seres ou com fósseis.  Mas, o que é espiritualidade? A simples necessidade de crer em algo superior? Mero exercício dos neurônios ou reflexo da noção do bem e do mal? Por outro lado, o que são o bem e o mal? Mesmo nas ciências biológicas, quando se está diante de um sintoma, seguir o caminho inverso e determinar a causa do sintoma é algo complexo, pois várias enfermidades podem apresentar aquele sintoma. Imagine o quão difícil é seguir a trilha de um “sintoma” subjetivo como a espiritualidade, de modo a se concluir que ela é, em si mesma, uma prova da origem divina do ser humano. Tudo permanece na subjetividade. Assim sendo, creio que cada pessoa deve formar seu próprio conceito sobre o assunto. Você mesmo, caro amigo, deverá buscar uma forma saudável de sanar sua fome espiritual. Ninguém poderá faze-lo por você. Não me considero apto a indicar-lhe um caminho específico. Esta é uma responsabilidade da qual nenhum de nós poderá se esquivar, não importa o quão difícil seja tomar uma decisão. Particularmente, busco me manter religiosamente neutro (e sinto-me muito bem assim). No entanto, não acho que todos devam agir como eu. Só não acho justo que alguns se apossem de uma única definição do atributo espiritual para dominarem seus semelhantes, como gado em um curral – especialmente quando fica patente que o objetivo por trás disso é o poder econômico. 

     Com relação ao problema de sua esposa retornando à “torre”, cito um trecho de meu artigo

     Ao que tudo indica, muitos indivíduos são portadores de uma fragilidade de caráter que não lhes permite ver sentido algum na virtude ou na solidariedade, se não tiverem, como dizia Voltaire, um 'freio nos lábios' na forma de uma divindade, bem como uma igreja dentro da qual servi-la. Para estes, a religião é, antes de tudo, uma imposição psicológica, assumindo, às vezes, o caráter de 'mal necessário'. Trata-se de uma condição perigosa, pois a sanidade de tais pessoas repousa sobre um conjunto de crenças, que, por sua frágil base histórica, científica ou mesmo teológica, pode desabar a qualquer momento, sepultando suas esperanças sob os escombros do desapontamento religioso. 

     Deveras, os seres humanos são os mais contraditórios do planeta. Às vezes, para termos paz mental, criamos uma lógica que põe em risco nossa própria integridade física ou social. Torço para que um eventual retorno de sua esposa àquela organização não repercuta de forma negativa na relação de vocês (embora isto seja provável). Do contrário, não creio que o preço justifique o investimento. De qualquer modo, você terá de conceder a ela o livre-arbítrio. Talvez ela ainda precise se iludir por um tempo. Tudo que posso dizer é: fique ao lado dela, confortando-a e compartilhando com ela a complexa, mas agradável experiência de existir. 

     Cordialmente, 

     Odracir

     PS: tomei a liberdade de incluir esta mensagem em minha HP, omitindo seus dados pessoais.

 



"Saí Dela, Povo Meu..."

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C., Portugal, 9/5/2002

 

     Li algumas partes da sua página na internet. Sou uma TJ activa e com elevadas responsabilidades a nível de congregação e não só. Devo admitir que algumas das coisas publicadas fazem algum sentido e levantam questões importantes. Que a organização não é perfeita todos concordamos, mas também nunca ninguém defendeu isso. Evidentemente, muitas coisas lamentáveis têm sido cometidas por alguns e eu tenho testemunhado muitas delas.
 
     Prezado C.
 
     Recebo com alegria sua mensagem - especialmente pelo tom polido e amistoso de suas palavras. Percebo também a profunda sinceridade com que se expressa a favor de sua fé, reconhecendo de forma cândida as limitações de sua religião. Certamente, se mais pessoas estivessem dispostas a seguir seu exemplo, abrindo as portas ao diálogo amigável e à conciliação, muitas diferenças poderiam ser dirimidas entre os indivíduos e o mundo seria menos castigado pelas consequêncais do fundamentalismo religioso.
 
     Sinto-me reconfortado por você ter compreendido a motivação de meu trabalho, tendo empreendido tempo para a consideração séria de meus questionamentos. Fico também surpreso e, ao mesmo tempo, feliz com sua candura em reconhecer que as questões que levanto fazem sentido. Reveste-se, igualmente, de grande significado sua franca admissão sobre ter "testemunhado muitas coisas lamentáveis", praticadas por algumas Testemunhas de Jeová. Eu também as testemunhei e poderia passar horas fazendo relatos. Por outro lado, estou certo de que sua comunidade, assim como a minha, deve ter ouvido por diversas vezes - em resposta a estas mesmas coisas lamentáveis - uma expressão do tipo "a Organização é perfeita, os irmãos é que são imperfeitos". Considere a fundo esta declaração, pois ela faz, segundo o que percebo, parte de um jargão destinado a bloquear os questionamentos que surgem naturalmente, toda vez que membros de uma organização dita 'perfeita' são achados em crassa transgressão. Ora, se analisarmos a referida expressão, tão comum entre as Testemunhas de Jeová, fica evidente seu caráter contraditório, pois uma organização NÃO pode ser perfeita se aqueles que a compõem são imperfeitos, assim como uma máquina não pode ser declarada perfeita se qualquer uma de suas peças for defeituosa ou passível de mal funcionamento. É o mesmo que dizer, "este automóvel é perfeito, embora seus freios sejam defeituosos". A "Organização" é composta de pessoas imperfeitas, logo, por uma questão de lógica, ELA TAMBÉM É IMPERFEITA. Uma corrente é tão forte quanto o mais fraco de seus elos. Sendo ela imperfeita como as demais, cabe um exame elucidativo para justificar uma classificação à parte das outras religiões. Muito embora, ninguém tenha, de forma explícita, dito que a inteira associação de Testemunhas pelo mundo seja perfeita, não se pode negar que a literatura da Sociedade Torre de Vigia tem repetidamente enfatizado a condição de 'paraíso espiritual' como exclusiva de sua comunidadePor exemplo, a edição de 15 de março de 1986 da revista A Sentinela, p. 20 e parágrafo 16, afirma que "somente no paraíso espiritual , entre as Testemunhas de Jeová, podemos encontrar o amor abnegado que Jesus disse identificaria seus verdadeiros discípulos". Presume-se, à base de tal afirmação, que a incidência de faltas graves entre os membros desta denominação é muito inferior àquela encontrada entre os ramos protestantes, ou as igrejas católica, anglicana etc. Todavia, a ocorrência de graves faltas morais entre as Testemunhas de Jeová, reconhecida por você e por mim, demonstra claramente a natureza insubmissa e falível do ser humano, o que põe por terra a falácia de 'povo especial', apregoada pela Sociedade Torre de Vigia. Nenhum grupo religioso foi capaz, em toda a história, de se manter moralmente estéril. No entanto, as publicações da Organização continuam a destacar a conduta de seus membros em relação às demais denominações. Agora, pergunte-se: onde estão os dados estatísticos que confirmam esta teoria? Se eles não existem - e eu nunca os vi enquanto membro desta comunidade - então por que a organização continua a fazer esta propaganda duvidosa? 
 
      Acho porém que o amor pelos irmãos que sinceramente buscam servir a Jeová me deve motivar a permanecer dentro da congregação, onde os poderei auxiliar e eventualmente defender de outros menos equilibrados. Evidentemente, não são dos que aceitam só por aceitar tudo o que lhes é dito, mas reconheço que, muitas vezes, deixo de dizer o que me apetecia, pois, se o fizesse, ser-me-ia mais difícil ver-me envolvido na tomada de posições que podem beneficiar os meus irmãos.
 
     Compreendo e respeito sua decisão. Estou certo de que ela se baseia na sinceridade. Todavia, a própria Sociedade Torre de Vigia afirma, no livro "Poderá viver..." (p. 31) que SINCERIDADE SÓ NÃO BASTA, é preciso fazer a coisa certa. Deveras, o antigo livro "Verdade que Conduz..." também afirma que fazer uma coisa com sinceridade não a torna certa, se ela for realmente errada. Assim sendo, que coisas ensinará às pessoas? Está realmente certo de que aquilo que lhe foi dito durante estes anos representa a verdadeira forma de cristianismo? Pode afirmar com certeza que o Corpo Governante, em Brooklyn, constitui, de acordo com as publicações, o ÚNICO CANAL DE COMUNICAÇÃO ENTRE DEUS E A HUMANIDADE? Pessoas "menos equilibradas" existem em todas as religiões - este não é o cerne da questão. O que realmente preocupa é aquilo em que os "mais equilibrados" crêem. Ao passar os ensinamentos da organização a estas pessoas, grande será sua responsabilidade. Se eles estiverem corretos, você terá feito um trabalho excelente, mas SE não estiverem, terá sido cúmplice daqueles que distorceram as Escrituras para legitimar sua autoridade sobre os homens. Deste modo, quando alguém for civil ou penalmente prejudicado por ser objetor de consciência ao serviço militar, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL; quando alguém perder um ente querido ou a própria vida pela recusa de um tratamento médico à base de derivados de sangue, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL; quando alguém rejeitar ofertas de estudos ou carreiras promissoras para se dedicar exclusivamente à Organização, com consequências vitalícias, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL; quando alguém cortar laços com amigos ou parentes que deixaram a organização, recusando-se a sequer cumprimentá-los, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL; quando casais se separarem após um dos cônjuges tornar-se Testemunha de Jeová, afetando adversamente a convivência familiar, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL; quando pessoas se sentirem esgotadas por ser requerido delas sempre mais em horas de pregação, em colocações, em revisitas, em estudos, assiduidade a reuniões, discursos, obtenção de cargos etc., VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL. Em retrospecto, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL pela promoção de uma organização que proibiu as vacinações entre as décadas de 20 e 50, com um número indeterminado de mortos e aleijados; que proibiu os transplantes de órgãos entre 1967 e 1980, com mais vítimas; que sucessivamente proibiu e liberou componentes do sangue entre os anos de 1945 e 2000, sabe-se lá com quantos mortos mais. Em face das graves repercussões dos ensinos passados e presentes da Sociedade Torre de Vigia sobre a vida de seis milhões de seres humanos, certamente você não poderá se eximir da responsabilidade como representante dela. Por isso, cabe um exame imparcial sobre suas crenças - do mesmo tipo que a Organização estimula os membros de outras religiões a fazer. Estará disposto a isso?
 
     Li algumas das idéias defendidas também por aqueles que deixaram a organização e agora se dizem livres. Mas, algumas questões deixam de ser abordadas por vós (o que é conveniente de resto...). Por exemplo: é biblicamente claro que existiria nos nossos dias um Escravo Fiel e Discreto, e é fácil verificar que tal escravo seria uma classe e não um ser individual; QUEM É ENTÃO ESTE ESCRAVO?
 
     Esta é uma questão que merece séria consideração, pois constitui um dos pilares sobre os quais assenta-se a comunidade das Testemunhas de Jeová. Como deve saber, Cristo costumava falar em parábolas (Mateus 13:34). Concordemente, se a parábola do 'escravo fiel' (Mateus 24: 45) foi transformada em profecia, precisamos determinar até que ponto as outras também seriam. Por exemplo, onde está a classe atual do "bom samaritano" (Lucas 10: 33), ou a classe do "construtor da torre" (Lucas 14: 28), ou a classe da "figueira" (Mateus 21: 19), ou a classe do "dono do vinhedo" (Mateus 20: 1), ou a classe dos "odres velhos" e dos "odres novos" (Lucas 5: 36-40), ou a classe do "credor" e dos "devedores" (Lucas 7: 41), ou a classe do "grão de trigo" (João 12: 24)? Se a parábola do "escravo" tinha sentido profético e uma identidade específica, o que dizer destas outras? Por outro lado, se estas parábolas tinham sentido de exortação, por que não pode se dar o mesmo com aquela? Quanto ao "escravo" ser um indivíduo ou uma classe, saiba que o próprio Russell acreditava e ensinava que constituía UMA PESSOA, ele próprio. Um livro bastante louvado pela obra Proclamadores, o "Mistério Consumado', de 1917, chamava o pastor Russell diretamente de "escravo fiel e discreto". Quem discordasse, era considerado como não sendo parte do "povo de Deus". Poderá conferir este episódio na pág. 143 do Proclamadores. Lembre-se que ESTE era o ensino da Sociedade no suposto período de inspeção e aprovação daquele grupo por Cristo em 1918-9. Só muitos anos no futuro, tal prerrogativa foi gradativamente retirada dos ombros do 'pastor' por seus sucessores. Convido-o a ler um artigo escrutinador e contundente sobre este tema no seguinte endereço: http://www.testemunha.com.br/conteudo.asp?cod=12. Creio que encontrará importantes revelações...
 
      Também é clara a ordem bíblica de se pregar as boas novas, não há como fugir desta ordem, e os exemplos bíblicos mostram que isso se fazia como hoje o fazem as TJ.
 
      Este tópico já foi abordado por outro leitor, tempos atrás. Antes de qualquer coisa, pergunto-lhe: QUEM o informou que os pregadores nos tempos bíblicos faziam como as TJ fazem hoje? Resposta - a Sociedade Torre de Vigia! Se você perguntasse aos líderes de uma igreja protestante como pregavam os antigos cristãos, eles também lhe responderiam, "do modo como NÓS fazemos". O mesmo acontecerá se você indagar um católico, um cristadelfo, um anglicano etc., só obterá respostas tendenciosas. Assim sendo, não seria melhor examinar o que dizem as próprias escrituras à luz da gramática, ao invés de aceitar passivamente o que ensina uma liderança religiosa? O que é mais importante - a pregação em si ou simplesmente a FORMA com que é feita? Estas são perguntas pertinentes. Por favor, vá à minha seção de correspondência dos leitores, abra a mensagem "De Casa em Casa" e encontrará a resposta.
 
     Clara também é a ordem bíblica de os cristãos genuínos se reunirem, pelo que não é solução simplesmente afastar-se e viver a vida como cristão 'caseiro'.
 
     Caro C., não me oponho ao ajuntamento de pessoas com uma causa comum, o que questiono é a FORMA com que isto é feito. Pode você afirmar que APENAS as Testemunhas de Jeová se ajuntam como cristãos no mundo? Não fazem os mesmo as centenas de outras denominações cristãs? Não realiza a igreja católica missas semanais? Não promovem as entidades evangélicas cultos e encontros bíblicos aos quais comparecem multidões? Creio que o que está em questão não é a necessidade de usufruir da companhia de outros cristãos, mas a LEGITIMIDADE de uma organização CENTRALIZADA E CONTROLADORA pairando sobre a comunidade cristã. Se por um lado, o ministério "caseiro" é objetável, que dizer de um "exército" de seguidores submissos e coordenados por uma organização com sede central em um país específico, da qual emanam todas as interpretações e diretrizes sobre como deve ser conduzida a vida de seus comandados? Aproxima-se mais do modelo bíblico? Esta é uma questão que precisa ser debatida.
 
 
     Como estas muitas outras questões se colocariam. Não seria mais prático que internamente tentássemos resolver alguns problemas que existem??
     Esta opção parece, à primeira vista, razoável - mas, tem sérias implicações. Considere o seguinte: o pastor Russell foi criado como presbiteriano (leia o relato no livro Proclamadores). No entanto, inconformado com as doutrinas da predestinação e do inferno, abandonou esta denominação e passou para a Igreja Congregacional. Não adiantou - de lá, Russell passou a vagar sem fé, até o ano de 1869, quando visitou um culto adventista, dirigido pelo pastor Jonas Wendell. Russell - de acordo com suas próprias palavras - encontrou ali a reconciliação com sua fé, mas JAMAIS SE TORNOU UM ADVENTISTA propriamente dito (muito embora este termo designasse mais uma corrente religiosa do que um grupo em particular). Preferiu criar seu grupo INDEPENDENTEMENTE. Reconheceu sua dívida para com os adventistas, mas NÃO SE JUNTOU A ELES como organização. O provável motivo - embora concordasse com os principais pontos daquela doutrina, não a aceitava por inteiro. Havia pontos a serem corrigidos. Pergunte-se: POR QUE ELE NÃO TORNOU-SE UM ADVENTISTA, TENTANDO "INTERNAMENTE" RESOLVER OS PROBLEMAS? Por que abandonou o prebiterianismo, depois o congregacionalismo, depois o adventismo, ao invés de 'reformá-los'? Três vezes teve ele a oportunidade de agir assim e três vezes rejeitou tal proceder. Por quê? Resposta: por que ele sabia que um só homem dificilmente conseguiria reformas significativas em organizações há muito estabelecidas, confinadas a antigos conceitos e "fossilizadas" sob o jugo de uma liderança conservadora. Se ele próprio não julgou ser capaz de empreender tal tarefa, preferindo o caminho individual, COMO PODERÁ VOCÊ FAZÊ-LA? A menos que faça parte do Corpo Governante, em  Brooklyn, não terá a mais remota chance. E mesmo que se tornasse um dos membros, seu voto perderia para os demais, como aconteceu inúmeras vezes durante os anos 70, de acordo com o relato de Raymond Franz, um ex-membro do corpo, desassociado em 1981. Semelhante a você, ele também achou que poderia resolver 'internamente' certas questões doutrinárias, ocupando uma posição daquele nível. Não conseguiu. Acha que como humilde ancião local ou mesmo superintendente dará conta desta gigantesca tarefa? Lembre-se que a organização segue um modelo de pirâmide hierárquica, típico das grandes empresas. Acha que poderá colocar "remendos novos em roupa velha"? Pessoalmente, duvido. Uma pessoa de minha convivência, que foi ancião e membro da Organização por cerca de 24 anos, também teve, a princípio, esta idéia, mas logo percebeu que seu objetivo era impossível, em razão da própria estrutura da Sociedade. Este amigo preferiu aplicar o conselho bíblico que diz: "Saí dela, povo meu, se não quiserdes ser partícipes de seus pecados e receber parte de suas pragas..." (Rev. 18: 4) Hoje, ele considera-se, de fato, livre do peso desta culpa.
 
     Caro C., sinceramente espero que minhas considerações o induzam à reflexão séria. Há cerca de dois anos tenho pesquisado profundamente o movimento religioso das Testemunhas de Jeová e os frutos desta pesquisa estão em minha HP, com as devidas evidências documentais. Creio que um exame imparcial destas evidências poderá ajudá-lo a pesar sua decisão com conhecimento de causa, pois quando alguém é ignorante dos fatos acerca daquilo que defende, pode-se chamar de vítima; mas quando têm plena consciência da gravidade deles e, ainda assim, os endossa, deve-se chamar de cúmplice!
 
     Receba minhas calorosas boas-vindas e sinta-se à vontade para pesquisar e me escrever sempre que julgar conveniente.
 
     Cordialmente,
 
     Odracir


 

Pensando com Raiva

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Marko Akira Tetissu, Brasil, 21/4/2002

 eu sou um publicador não batizado . porém li seu relato até o fim é interessante o modo com que você escreve seu depoimento , você sitou que quando criança gostava de aparecer e pelo que observei não mudou nada ainda tem a nessesidade de aparecer . 

     Caro Leitor

     Antes de qualquer coisa, saudações!

     Sua mensagem é uma das mais insólitas que já recebi, não só pelo conteúdo, mas também pela forma como você escreve. Seu primeiro comentário - além de representar um ataque do tipo ad hominem, ou seja, endereçado, não ao argumento, mas à fonte dele - também me parece contraditório. De fato, sempre busquei a atenção das pessoas, mas por meus próprios méritos. No entanto, esta página não lança holofotes sobre meu nome, já que, até este dia, sequer me identifico por ele - uso um pseudônimo. Como você sabe, alguém que deseja a fama jamais buscaria o anonimato. É claro, há aqueles que também criticam esta posição - é impossível agradar todos os gostos, como deve saber. Portanto, por uma questão de lógica, sua primeira afirmação cai no vazio. Mas, vamos aos próximos argumentos...

NãO. Não sou piscicologo.e espero não estar lhe ofendendo . Porém vc consseguil me ofender levantando acusações insólitas comtra a unica organização verdadeira e que tem como base nenhum Homem terreno mas sim a biblia. 

     Acredito. A grafia das palavras indica claramente que você não teve a oportunidade de alcançar um bom nível de instrução secular - um flagelo, que, infelizmente, atinge milhões de jovens em nosso país. Uma lástima! Quanto às ofensas, fique tranqüilo - eu sei que é duro ver criticado aquilo em que depositamos, de boa fé, todas as nossas esperanças. Se é doloroso ler, saiba que também foi doloroso escrever. Por outro lado, estou certo de que você precisa de evidências concretas que mostrem, além de qualquer dúvida razoável, que o movimento iniciado pelo 'pastor' Russell, durante a epopéia do Adventismo norte-americano no século XIX, seja, de fato - como diz - o único caminho para Deus. Esta é uma afirmação muito séria e caracteriza uma mentalidade fundamentalista. Convido-o a ler com atenção o capítulo cinco do livro "Proclamadores" (publicado pela Sociedade Torre de Vigia, a partir de 1993), onde verá uma sucessão de homens gerando uma organização: Charles Russell, um ex-calvinista, o qual vagou de religião em religião (igrejas presbiteriana, congregacional e, finalmente, adventista), e foi tremendamente influenciado por três adventistas independentes, Jonas Wendell, George Storrs e Nelson Barbour, sendo, mais tarde, sucedido por J. F. Rutherford, Nathan Knorr e Frederick Franz.  Todos estes nomes você encontrará na dita publicação. Ao ler o relato, atente para o papel de cada um deles e pergunte-se: teria a organização que você abraçou chegado a ser o que é SEM a influência destes homens? Caso ache que sim, procure saber quem foram os autores das doutrinas em que você crê, tais como a mortalidade da alma, a ressurreição terrestre e a vinda de Cristo em 1914 - todas três, crenças adventistas. A adoção dos termos 'Testemunhas de Jeová', 'salão do Reino' e outros, a prática de ir de porta em porta e a doutrina dos céus se fechando a partir de 1935, para o surgimento da Grande Multidão - todas são criações de Rutherford. O fim dos 6 mil anos da criação do homem em 1974 e o início do milênio de Cristo em 1975 - criações da mente de Franz. Muito embora eu saiba que, na sua mente, foi o Espírito Santo o autor destas idéias (pois assim você foi ensinado a crer), pergunte-se: não é intrigante que uma organização que se diz estabelecida com base em homem nenhum,  manifeste ela própria as mesmíssimas idéias daqueles com quem seu líder (Russell) se associou? Outro dia, um presbiteriano me disse que não considera Calvino como fundador de sua igreja. Posso discordar de sua afirmação - até porque, segundo uma enciclopédia, as bases do presbiterianismo remontam à teologia calvinista - mas devo admitir que é direito de um presbiteriano usar o mesmo tipo de argumento que você próprio usa quando afirma que homem nenhum fundou a sua igreja. Da mesma forma, os protestantes podem afirmar que Lutero não foi o fundador de sua igreja, ou os espíritas podem afirmar que não foi Alain Kardec que fundou seu movimento, e assim por diante. Percebe? A lógica que reserva para si, você deve estar disposto a conceder aos demais....

 

sabendo usar as palavras certas pode-se fazer hitler pareçer um Santo. 

     Concordo plenamente. Veja um exemplo: na página 66 do livro "Proclamadores" vemos um curioso comentário ao lado de uma majestosa foto do segundo presidente da Sociedade - o 'juiz' Rutherford. Estas são as palavras: 

"J. F. Rutherford tinha um aspecto imponente, com um metro e oitenta centímetros de altura e pesando uns 100 quilos."

     Já se perguntou qual o sentido de se fornecer, em um compêndio religioso, a ficha anatômica de um homem, lembrando mais aqueles anúncios feitos pouco antes de os pugilistas se enfrentarem no ringue? Tratando-se da pessoa  a quem o texto se refere, pode servir a um propósito - atribuir à sua aparência aquilo que muitos atribuíam ao seu caráter. Rutherford era um implacável e ardiloso advogado, que colecionou inimigos durante a maior parte de sua vida. Sua trajetória na Sociedade Torre de Vigia explica sua reputação, pois ele ignorou totalmente o testamento de seu antecessor e benfeitor, Russell, o qual não previa o controle da entidade em mãos de uma única pessoa, mas determinava que cinco mulheres ficassem com as ações da organização e que uma comissão de cinco pessoas controlasse a edição da revista A Sentinela, dividindo o poder. Rutherford nem constava da primeira lista, sendo indicado apenas como substituto em um grupo de cinco. Ainda assim, assumiu, gradualmente, o controle total da Sociedade Torre de Vigia. A página 67 do livro relata que, na própria sede da organização, havia pessoas ressentidas contra ele. Em 1917, o presidente, repentinamente anunciou a demissão de quatro diretores e iniciou-se um 'bate-boca' de horas, no refeitório da sede. Era costumeiro que ele removesse de seus cargos as pessoas que não se alinhassem com seu pensamento. O livro "Proclamadores" admite que vários membros da família de Betel ficaram solidários com os diretores demitidos, inclusive mencionado a acusação deles contra Rutherford - uma "tirania"! No rodapé da página 68, uma nota informa que as pessoas designadas por Russell como membros e suplentes de uma comissão igualitária foram rearranjadas - agora em forma de pirâmide hierárquica, com Rutherford no topo. Isto era algo totalmente contrário ao sistema descentralizado, proposto pelo 'pastor'. Estava, então,  legitimada a ditadura que ele - Rutherford - exerceria até 1942, ano de sua morte. Na página 220, é visível a dificuldade do escritor em descrever a personalidade do presidente de uma forma próxima do real, sem, no entanto, admitir seu caráter irascível e intolerante. Vejamos:

"Não resta dúvida de que o irmão Rutherford era um homem de fortes convicções. Ele falava francamente e com vigor, e sem abrir mão, em defesa daquilo que ele cria ser a verdade. Ele chegava a ser bastante brusco ao lidar com situações quando percebia que as pessoas estavam mais interessadas em si do que no serviço do Senhor. Mas o irmão Rutherford era genuinamente humilde diante de Deus." Proclamadores, p. 220 (grifos acrescentados)

     Consegue ler nas 'entrelinhas'? Como definiria um homem que fala francamente, com vigor, sem abrir mão e de forma brusca, em defesa daquilo que ele , pessoalmente, acredita ser a verdade? Classificaria uma pessoa com estas características como humilde? Muito embora o escritor do livro concentre seus esforços em atenuar a imagem de "líder" (ou de "chefe"), que caracterizava a atuação do presidente, permanece o fato de que ele foi retratado exatamente assim em matérias impressas da época. Por exemplo, a edição de 25 de julho de 1931 do periódico The Messenger [O mensageiro] mostra uma foto de Rutherford diante das Testemunhas de Jeová e, abaixo uma inscrição, dizendo: "Seu líder visível". Da mesma forma, fotos impressas das sedes inglesa e alemã contêm dizeres em que o presidente é chamado de "chefe". Qualquer um que pesquise os antecedentes do Sr. Rutherford sabe muito bem que ele podia ser muitas coisas, menos um homem humilde e razoável. Deveras, seu temperamento colérico e sua megalomania eram traços marcantes da personalidade temida por todos os que o rodeavam. Ninguém ousava contrariá-lo. Outro aspecto que costumeiramente é ocultado é a afinidade que ele tinha por 'garrafas' - de fato, ele também era alcoólico. Você poderá ter uma pista disso na página 182 do livro "Proclamadores", onde se mencionam inflamados discursos de Rutherford contra a 'lei seca' nos Estados Unidos. Além disso, as festas de cerveja, promovidas por ele, eram comuns em Betel na década de 20 (estou publicando a foto de uma destas festas em minha seção de correspondência, onde se vê Rutherford em estado de visível embriaguez). Um ex-associado do presidente, Walter Salter (mencionado na página 628), enviou-lhe uma carta (traduzida em meu site), na qual denunciava a compra de caixas e mais caixas de uísque, a 60 dólares cada, e enviadas ilegalmente a Rutherford, provavelmente através da fronteira com o Canadá. Diante de tudo isso, não se pode concluir outra coisa, senão que a 'maquiagem' que a Sociedade Torre de Vigia aplica sobre ele tem o propósito de fazê-lo parecer o que realmente não era - um 'santo'!

Rutherford e cia. - bons bebedores de cerveja

 

ou pode-se manchar um nome .  

     Novamente, concordo e vou além - por meio de uma categorização massiva, podem-se sujar milhares de nomes. Vamos a outro exemplo: a edição de 1/7/94 da revista A Sentinela, págs. 11-13, classifica genérica e indistintamente todas as pessoas que saíram da Sociedade Torre de Vigia e que criticam sua forma de agir e suas crenças como "apóstatas", portadores de (1) esperteza, (2) inteligência arrogante, (3) falta de amor e (4) diversas formas de desonestidade. Apesar de não apresentar provas concretas de tais acusações, rotula assim de iníquas milhares de pessoas  no mundo inteiro que simplesmente exerceram o direito humano de renunciar a uma religião. Sempre implacável com as outras religiões e apontando as falhas delas,  a Sociedade Torre de Vigia, em artigos como esse, mostra que não admite ser criticada e fomenta a intolerância religiosa, sujando a reputação de pessoas, cujas motivações para sair de seu meio não chegam aos demais membros, em razão do rigoroso sistema de censura imposto às Testemunhas. Você sentirá isso na pele, logo após o batismo.

você se aplica simplesmente  com o texto de romanos  1 : 28 a 32  pois seu coração esta chei de Toda a injustiçaíniquidadeçobiça'maldade'cheio de inveja, rixa , fraude,disposição maldosa,maldizentes,sendo odiador de deus,insolente,soberbos,etre outras coisas. 

     Aqui, amigo leitor, você recai em uma prática comum entre as Testemunhas de Jeová. Leia algumas mensagens em minha seção de leitores e constatará que, infelizmente, é assim. Quando não têm argumentos para refutar questionamentos, as Testemunhas, ofendidas, apossam-se de passagens bíblicas, cujo contexto desconhecem e aplicam-nas, a bel prazer, contra quem discorda delas. Vejamos - os versículos 23 e 25 do mesmo capítulo mostram a quem o apóstolo Paulo se referia, a saber, a idólatras  corruptos, coisa muito comum em Roma naquele tempo. De fato, os romanos absorveram parte da cultura grega - o helenismo - sendo devotos de deuses como Júpiter e Baco, e manifestando a personalidade destas deidades em suas vidas. Além disso, eram bastante tolerantes para com a promiscuidade sexual. Obviamente, algumas pessoas na primitiva congregação cristã se deixavam contaminar por estas tendências - próprias dos opositores romanos - e era a estas pessoas que o escritor bíblico se referia. Paulo não estava falando de pessoas que discordassem de uma organização que só surgiria nos EUA, quase dois milênios depois de ele proferir estas palavras. Se você vê alguma conexão direta entre Charles Taze Russell e esta passagem, eu gostaria de conhecê-la. Além disso, ao que me consta, cabe a VOCÊ COMO CRISTÃO, seguir as seguintes palavras:

"Parai de julgar, para que não sejais julgados; pois com o julgamento com que julgais, vós sereis julgados; e com a medida com que medis, medirão a vós."  - Mateus 7:1

 

na verdade você sabe muito bem que as coisas não  são como você disse 

     Se não foram como eu disse, como pode você, que não estava lá, me dizer como foram?

       

o que aconteceu foi que você desde criança não tinha paciencia para aprender as verdades biblicas tanto que voce mesmo disse que em nenhuma reunião tinha ouvido falar sobre como funcionava a eximisão do serviço militar ,

     Você me disse que é apenas publicador não batizado - isto explica seu completo desconhecimento de como as coisas funcionam na organização. Eu a conheci há 30 anos e fui parte dela por cerca de 15 anos. Considerando uma média de 5 reuniões por semana, temos 20, em média, por mês, 240 ao ano e 3600 reuniões em 15 anos! Acha mesmo que tem autoridade e experiência para me ensinar como são as coisas por lá? Asseguro-lhe que, em nenhuma destas reuniões, tal assunto - as eximições - foi esmiuçado e que só ouvíamos falar dele nos "bastidores". Todos eram bastante reticentes quanto a ele e a maioria, completamente ignorante das implicações do caso. Além disso, conversei, recentemente, com dois ex-anciões - ambos serviram a esta organização por mais de 20 anos. Perguntei a eles se alguma vez, eles ou um outro colega ancião, proferiram um discurso explicando em detalhes o significado da eximição militar e todas as conseqüências civis delas. Ambos responderam: 'nunca'! Será que as coisas, só agora, mudaram? Não merecia um assunto desta gravidade mais atenção por parte daqueles que não sentiriam na pele os efeitos da ignorância? Em meu depoimento, eu deixo bem claro que nem eu nem meus colegas da mesma idade sabíamos o que, de fato, nos aconteceria. Além disso, quando procurei o ancião da congregação, ele me respondeu que sabia apenas do impedimento de votar e ser votado. Mais tarde, o representante da Sociedade em minha cidade acrescentou que eu não poderia trabalhar em empresas públicas, mas que isto não era importante. Só muito tempo no futuro eu vim a saber o quão 'importantes' são um título de eleitor e um documento de reservista na vida de um cidadão. Lutei por anos para recuperar meus documentos - os mesmo que muitos 'valorosos' anciãos carregam em suas pastas. Faça uma pesquisa! Hoje coexistem nas congregações duas classes, não são os 'ungidos' e a 'grande multidão', mas os eximidos (cassados politicamente) e os não eximidos (usufruindo os privilégios de reservista, na forma de empregos públicos e coisas assim). Acha isto justo? Se você tem menos de 18 anos, está em grave perigo!

 

cresceu numa familia sem base  se revoltou porque queria seguir o exemplo de seu irmão mais vélho 

     É desconcertante ver um estranho a falar de uma família que nunca conheceu. Certamente, meu irmão mais velho, percebendo que esta seita roubaria sua juventude, como roubou a minha, teve lucidez a tempo de evitar conseqüências mais graves sobre sua vida. Você está certo quando diz que eu desejaria ter seguido o exemplo dele. Hoje, olhando para trás e vendo tudo que perdi, percebo que esta teria sido a opção mais sensata. Lamentavelmente, eu era apenas uma criança de 9 anos e, nesta idade, suponho que você próprio seria facilmente convertido por sua mãe a qualquer religião, até o candomblé!

 

tinha invéja dos outros garotos porque eles podia fazer oque queriam a hora que queriam, 

     Certamente, quando um prisioneiro, de dentro de sua prisão, vê pessoas livres e saudáveis, usufruindo sua juventude sem as amarras de um sistema controlador e autoritário, é natural desejar estar no lugar delas. Isto eu, deveras, senti e muitas vezes...

 

sempre foi tão inutil que as garotas não davam bola,

     Ops, aqui você se enganou redondamente. Modéstia à parte, eu era muito popular entre as mulheres (e creio que ainda seria, se lá estivesse, muito embora não com a intensidade de antigamente). Namorei duas delas - uma era pioneira regular - e paquerei diversas outras, algumas muito bonitas. Cheguei até a ter uma reunião de aconselhamento em razão do efeito que produzia nas "irmãzinhas" da congregação. Nesta mesma reunião, comentei que as moças na organização eram subjugadas pelo conceito de serem um 'vaso mais fraco' ou um mero 'complemento' do homem e, por isso, sentiam-se, no fundo, inferiores e contraíam aquilo que se chama "complexo de Cinderela" - à espera de um 'príncipe encantado', ao qual serem submissas pelo resto de suas vidas. Se há uma coisa que as religiões, em geral, ainda não aprenderam, esta é a igualdade completa entre os seres humanos, sem distinção de sexo ou posição social. Imagine o que você sentiria se alguém lhe dissesse para aprender calado, em  plena submissão e com a cabeça coberta, só porque alguém do sexo oposto está presente. Curiosamente, tem sido assim no Afeganistão - gostaria de viver lá?

 

mas a culpa não podia ser sua . afinal ninguém quer ter a culpa então só poderia ser da sociedade. precisava por em algué a culpa dos seus problemas familiares.  só falta dizer que foi os  anciões que obrigaram sua mãe se divocia . 

     Como eu disse anteriormente, fui introduzido nesta organização com menos de 10 anos. Quanto aos meus problemas familiares - os quais, afinal, todos têm - sendo eu apenas um menino, a quem você atribuiria a culpa? A uma criança? Acaso conhece você meus pais e irmãos? Eu não ousaria falar dos seus familiares, pois não os conheço. Quanto ao divórcio de minha mãe, este foi efetivado por iniciativa de meu pai, anos após a separação de corpos, quando ele já tinha uma companheira - até porque minha mãe estaria impedida de fazê-lo, mesmo sendo muito infeliz sozinha, até ter uma prova formal de adultério da parte dele. Assim, foi forçada a viver, por anos, uma farsa. O motivo - A RELIGIÃO DELA!

 

tem muita coisa que eu queria dizer mas com serteza serão em vão pois seu coração esta endurecido é um cego que só porque esta em escuridão acha que os outros taém estão . só sinto pena de você.

     Há muita coisa que eu gostaria de ter visto você mostrar - provas documentais, por exemplo. Conforme vê, eu forneço a fonte de minhas denúncias, com nome, data e página. Em troca, tudo o que você oferece são insultos pessoais. É assim que espera convencer prosélitos de porta em porta? O que dirá a um morador que criticar sua religião? Dirigirá impropérios a ele, como faz agora a mim? Quanto à sua compaixão, não preciso dela. Guarde-a para as milhares de Testemunhas de Jeová que morreram ou ficaram aleijadas nas décadas de 20 e 30, por causa da proibição das vacinas, entre 1968 e 1980, por causa da proibição aos transplantes de órgãos e a partir de 1945, com a proibição ao tratamento com derivados de sangue. Elas merecem mais...

 

 E DUVIDO QUE VOCÊ TENHA CORAGEM DE COLOCAR ESTA MENSSAGEM POR INTEIRO NO SETOR DE IMAIL ENVIADOS

     Ao contrário, sua mensagem enquadra-se no tipo que eu mais gosto de publicar, não só pelas agressões injustificadas, mas também pela forma como você escreve, não sei se por pressa, desleixo ou por desconhecimento mesmo. Normalmente, eu costumo dar alguns 'retoques' nos erros de português cometidos por alguns leitores que me escrevem. No seu caso, vou deixá-la assim mesmo como está, para que outras pessoas vejam como as pessoas com pouca instrução são vítimas fáceis de seitas. Na verdade, seu perfil corresponde àquele que representa a principal fonte de renda das multinacionais da religião, que se instalam em nosso país e enriquecem à custa da credulidade alheia. Ademais, sua mensagem só confirma o que eu tenho sempre dito - as crenças das Testemunhas de Jeová tem bases emocionais, não racionais. Elas normalmente não refutam idéias com outras idéias, mas com ataques pessoais; não refutam documentos com outros documentos, mas com maldições; não refutam denúncias com evidências concretas, mas com passagens bíblicas fora de contexto e raciocínios circulatórios. Veja só sua mensagem - ela não traz uma só contestação séria ou bem fundamentada. Pode você conseguir coisa melhor? Sinta-se livre para tentar...

 

 desculpe se fui grosseiro mas me da dó. ver alguém num estado como o seu. 

     Está desculpado. Porém deve ser difícil para muitos pais  perdoarem a organização pelos filhos que perderam seus direitos políticos e agora enfrentam dificuldades em suas vidas profissionais, ou aqueles que perderam parentes por causa da recusa de tratamento com componentes 'menores' do sangue, antigamente proibidos e hoje liberados. Também deve ser difícil perdoar uma organização que ensina amigos a virarem o rosto para aqueles que resolvem sair de uma religião, não podendo sequer cumprimentá-los. E por aí vai...

 

só uma pergunta. Alguma Vez lhe foi dito algo que não estivesse em pleno acordo com a BIBLIA ?

     Sim, muitas vezes. Eis alguns exemplos: quando disseram que o Armagedom viria em 1914, 1925 e 1975, fazendo as pessoas largarem seus afazeres, abandonarem os estudos e se desfazerem de seus bens para esperar por estas datas falidas; quando disseram que a "geração" de Mateus 24: 34 era a de 1914 (doutrina abandonada em 1995); quando proibiram o serviço militar alternativo por décadas, liberando-o parcialmente, a partir de 1998; quando proibiram o voto válido nas eleições; quando disseram que os transplantes de órgãos eram "canibalismo" e "mutilação desnecessária" e, em 1980, voltaram at