Nota: meus comentários estão em cores, os de Hermman, em preto.

 

Prezados listers

Como de hábito, passo a refutar, um a um - e com evidências - cada argumento da tentativa, ao meu ver, ineficaz, de nosso companheiro Hermman de fazer a defesa da doutrina central da Sociedade Torre de Vigia. Vamos a ela:

From: "Hermman"

Olá a todos,


Em outro e-mail, Odracir fez-me algumas questões a respeito do nome
de Deus. Aqui vai algumas respostas.

E aqui vão algumas contestações às suas respostas...

Um interessante ensaio sobre o nome divino pode ser encontrado também
no livro: Jeová no Judaísmo e no Cristianismo (pela editora Imago, ou
autor: Assis Brasil)

Outros ensaios sobre este mesmo assunto podem ser encontrados em livros tais como "Como Responder às Testemunhas de Jeová - Comentário Exegético e Explicativo" - Esequias S. da Silva, sob o tema "Os Nomes de Deus" (cap. 4); e In Search for the Christian Freedom - R. Franz, capítulo 14


ODRACIR: Neste caso, antes de criticar o autor pela não compulsão
pelo uso do tetragrama - coisa típica dos israelitas nos tempos
pré-cristãos e, atualmente, da Sociedade Torre de Vigia - queira, por
gentileza responder, com provas, às seguintes indagações:

Através de que fonte acha que os israelitas pré-cristãos tinham
"compulsão pelo uso do tetagrama"? Acontece que esta compulsão era
fruto direto da revelação divina.

Resposta: Os israelitas obtiveram esta e outras compulsões - circuncisão, sacrifícios no Templo, jejuns e outros rituais - após sua libertação do Egito e sua introdução no Pacto da Lei, por meio da Lei de Moisés, a quem primeiro Deus se identificou por um Nome, o qual significa basicamente "Eu Sou", tanto que diversas traduções o vertem por "Eu sou aquele que sou" (CBC). Desde Adão até Enoque foram 7 gerações, até Noé foram 10 gerações, até Abraão, 21 gerações, até Isaque, Jacó e José, o qual foi enviado ao Egito, contamos , respectivamente, 22, 23 e 24 gerações. A partir de José do Egito até Moisés, foram mais de 400 anos. Assim sendo, temos um período ao redor de 1500 anos em que diversos servos leais de Deus - Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó e José - mantiveram uma relação pessoal com Ele, em meio a uma infinidade de deidades, sem que se fizesse necessário um nome específico para distinguir o Altíssimo. Abraão, por exemplo, saiu de Ur, na Caldéia - centro irradiador do politeísmo - e foi chamado de "amigo" do Deus que não julgou necessário identificar-se a ele por um nome, nem às próximas gerações após ele até o Êxodo e a introdução da lei de Moisés (Êxodo 6:3; Tiago 2: 23) Não pareceria tal procedimento estranho, caso a distinção por um nome fosse essencial aos servos leais de Deus? É também digno de nota que Deus identificou-se a Moisés simplesmente como "o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó" (Êxodo 3:6), em seguida, passou ao próximo assunto, comissionando Moisés para libertar o povo hebreu sem identificar-se por um nome (Êxodo 3: 7-10) e, somente após uma indagação de Moisés por um nome - pois temia que os israelitas, escravizados por a 4 séculos, lhe perguntassem - foi que O Altíssimo identificou-se por "Eu sou" ou "Mostrarei ser" - o tetragrama (Êxodo 3: 14). Não deveria o Todo-Poderoso, já no início de Sua revelação, ter dito a Moisés: "Eu sou Jeová, e é com este nome que tu irás aos egípcios"? A grandeza de tal nome não exigiria sua revelação prioritariamente, na fase de apresentação, antes de descrever a missão de Moisés - e não após esta fase do diálogo e em resposta a uma pergunta? Note-se adicionalmente que, no capítulo 3, versículo 18, Moisés é instruído a apresentar Deus ao faraó como "Jeová, o Deus dos hebreus", deixando claro que tal Nome, a partir dali, seria peculiar aos hebreus, como povo escolhido e debaixo do pacto da lei. Tal apresentação diante do faraó parece bastante lógica, pois os egípcios, ao contrário dos israelitas, eram politeístas, prestando culto a uma série de deidades, tais como Anúbis, Osíris, Rah e muitos outros, de modo que o termos "Altíssimo" ou "Todo-Poderoso" - suficientes aos patriarcas bíblicos - escapariam à sua compreensão. Por outro lado, se uma distinção por um nome fosse imprescindível aos servos de Deus, Ele - com Sua capacidade de antever o surgimento de deidades falsas - o teria revelado já a Abel (Gênesis 4: 3-5), seu primeiro servo leal, ou aos que se seguiriam algumas gerações após ele, como Enoque, Abraão etc. Com relação a este último, é mister lembrar que Deus estabeleceu com ele um pacto pessoal de abençoar sua descendência sem se identificar por um nome (Gênesis 12: 1-3) Se havia uma ocasião apropriada para a revelação de um nome divino, esta seria por ocasião da promessa a Abraão. Contudo, não foi assim. Era Abraão menos digno do nome do que Moisés? Não. O que ocorreu foi que tal nome só foi introduzido com Moisés, ocasião em que o povo israelita foi escolhido e veio a estar debaixo de lei, coisa que não havia ocorrido com Abraão.

Um detalhe, Hermman: a Bíblia mostra não apenas um, mas diversos nomes para Deus, os genéricos - El (Deus), El-Elyon (Deus Altíssimo) e Elohim (Deus) - e os específicos - El-Shadday (Deus Todo-Poderoso), Adhonai (Senhor) e Yahweh (Eu Sou).

A propósito, quando o próprio Jeová
falava diversas vezes ele usava o seu nome pessoal. Será que ele também tinha "compulsão" pelo seu próprio nome?

Certamente não. Todavia, é um fato que, com o advento do cristianismo, Ele não se refere nenhuma vez mais a si como se referia nos tempos pré-cristãos. Teria ele perdido a "compulsão"? Ou significava simplesmente que o Nome com o qual se identificara aos hebreus do antigo pacto havia cumprido seu propósito e que, agora, a ênfase era em Jesus Cristo, não estando os cristãos de forma alguma obrigados - tal qual os israelitas do velho pacto - a usar o tetragrama como forma de se identificarem como os verdadeiros adoradores de Deus?

a) Por que, estando disponível - desde 1901 - a American Standard
Version, a qual mencionava o tetragrama quase 7.000 vezes no AT, a
Sociedade preferiu utilizar, até o ano de 1950 (ano da publicação da
TNM), outra fonte em suas citações, a versão King James, que vertia o
nome por "Deus" (Theos) ou "Senhor" (Kyrios), e não Jeová?

A versão Rei Jaime é a versão de língua inglesa mais popular.

Popular??? Acha que a "popularidade" da versão Rei Jaime - a qual omitia o nome do Deus Altíssimo - era mais relevante para o "Escravo Fiel e Discreto" do que destacar o tetragrama, o qual, já existia, por séculos, em diversas traduções do Antigo Testamento? Não era sua obrigação moral voltar a atenção do povo para as traduções que o continham e para a importância de usá-lo? Por que não o fez? Por que curvou-se à conveniência? Resposta: por que a própria Sociedade não dava tal destaque ao tetragrama. Não se esqueça que, mesmo dispondo da American Standard Version desde 1901 (que continha o tetragrama), este procedimento perdurou por mais de 40 anos ! Deve o povo de Deus seguir a tradição ou costume da época, mesmo em prejuízo de dar glória ao "nome" Dele? Certamente você tem uma explicação mais convincente do que esta...

Mesmo
assim as publicações costumavam a mencionar o nome de Deus.

Se você pensa que , nos primeiros 40 anos da existência da Torre de Vigia, ela usava o tetragrama com muito maior frequência do que ele aparecia em outras publicações religiosas da época e que isto a distinguia das demais religiões ao ponto de ser notada por Jesus Cristo, está redondamente enganado. Só para sua informação, a edição de 15 de Abril de 1919 da revista Watch Tower continha o tetragrama uma única vez a revista inteira! Se Cristo examinou a Sociedade Torre de Vigia em 1918 e a aprovou como "o único canal de comunicação entre Deus e os homens" e seu "Escravo Fiel e Discreto" um ano depois, somos obrigados a crer que tal escolha de forma alguma baseou-se ou foi adversamente influenciada por alguma proeminência especial ao nome "Jeová". Antecipando uma possível contra-argumentação sua, saiba que também não foi o caso de se dar uma ênfase especial logo após esta pretensa nomeação. Quer provas? Vamos a elas! Queira notar, não só o teor dos artigos que transcreverei, mas atente para a data em que foram publicados:

"A Bíblia demonstra que o nome de Quem exerce poder supremo na criação em e em todas as coisas é Deus. Ele também tem outros nomes [note o plural] que se encontram na Bíblia, todos os quais têm um significado profundo acerca de seu propósito para com as suas criaturas."

Criação -1927, pág. 10

* 8 ANOS APÓS A 'ESCOLHA' DO "ESCRAVO FIEL E DISCRETO", EM 1919

"A significação dos nomes [note o plural] ou títulos encontrados na Bíblia é de muita importância. O nome 'Deus' quer dizer o Altíssimo. O nome 'Jeová' significa os propósitos do Eterno para com suas criaturas. O nome 'Deus Todo-Poderoso' quer dizer que o seu poder é ilimitado. O nome 'Altíssimo' dá a entender que ele é o Supremo e que, além dele, não existe nenhum outro."

Riquezas -1936, pág. 135

* 17 ANOS APÓS A 'ESCOLHA' DO "ESCRAVO FIEL E DISCRETO", EM 1919, E 5 ANOS APÓS O NOME "TESTEMUNHAS DE JEOVÁ", ESCOLHIDO POR RUTHERFORD, EM 1931

"O Criador é o Imortal, de eternidade a eternidade, e o nome Dele é Deus.... "Deus" significa o Todo-Poderoso...; "Senhor", significando supremo Governador; "Jeová", significando seu propósito para com suas criaturas; "Pai", significando doador de vida; e "Altíssimo", o que é sobre tudo."

Inimigos -1937, pág. 22

* 18 ANOS APÓS A 'ESCOLHA' DO "ESCRAVO FIEL E DISCRETO", EM 1919, E 6 ANOS APÓS O NOME "TESTEMUNHAS DE JEOVÁ", ESCOLHIDO POR RUTHERFORD, EM 1931

Conclusão: a palavra do próprio presidente da Torre de Vigia, J. F. Rutherford, deixa claro, não uma nem duas, mas TRES vezes - tanto após 1919 quanto após 1931 - que o nome do Criador é DEUS e que o tetragrama tinha a mesma importância dos "outros nomes" de Deus. Ele próprio, segundo suas palavras aqui transcritas, definitivamente cria que o nome do Criador era Deus. Então, se não era um destaque especial a este ou àquele nome, qual seria o fator por trás do nome "Testemunhas de Jeová"? Bem, o nome não era novidade no currículo da Watchtower, a qual já o havia utilizado referindo-se à Pirâmide de Gizé (Thy Kingdom Come, 1891, pág. 320). Uma outra pista seria o que disse o escitor Chandler W. Sterling, o qual classificou o novo nome dos Estudantes da Bíblia, em 1931, como "o maior golpe de gênio" do presidente Rutherford, pois assim 'matava dois coelhos com uma só paulada', ou seja, não só criava um nome oficial para a entidade, como facilitava a interpretação de todas as referências bíblicas a "testemunho" e "testemunhar" como aplicando-se especificamente às Testemunhas de Jeová (Proclamadores, pág. 152). A validade desta segunda observação eu senti em minha própria experiência pessoal quando, na congregação, ao ler tais palavras na Bíblia, eu e os demais éramos levados a crer que referiam-se especificamente a nós enquanto membros da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. No serviço de porta em porta, éramos incentivados a ler Isaías 43: 10-12 e Hebreus 12: 1, onde os patriarcas da antiguidade eram chamados de "nuvem de testemunhas" e nós, naturalmente, achávamos que eles eram Testemunhas de Jeová, assim como nós, coisa que era impossível já que os sete primeiros (Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó e José) jamais ouviram falar do tetragrama.

Nota: a própria Torre de Vigia admite que não usava frequentemente o tetragrama. Por exemplo, na publicação As Testemunhas de Jeová no Propósito Divino, pág. 91, em inglês, ela lista diversas características que a Sociedade Torre de Vigia supostamente tinha ATÉ 1918, classificando-as como "práticas errôneas" e ligadas a "Babilônia, a Grande, o império mundial de religião falsa". Entre estas "impurezas" estava "não usar o nome Jeová tão frequentemente quanto seria feito em tempos posteriores" . A matéria só não diz quão "posteriores" eram estes tempos. Os artigos acima mostram que, mesmo após quase duas décadas da pretensa 'escolha' da Sociedade Torre de Vigia entre todas as religiões do mundo, ainda não havia qualquer sinal de ênfase especial ao uso do tetragrama. O artigo de 1937, conforme visto acima, lista o nome "Jeová" em meio a diversos outros, sem lhe dar qualquer destaque - ao contrário - apresentando-o como um dos nomes de Deus, mesmo após o novo nome dado à religião, em 1931. E o pior - cinicamente, os autores do artigo no livro Propósito Divino dão a entender que, após a libertação de J. F. Rutherford e seus diretores, em 1919, eles estavam, enfim, "purificados"e "libertos de Babilônia" e que, a partir dali, tais práticas não mais existiam. Fragorosa inverdade! Tempos atrás, lancei um artigo que, entre outras coisas, (http://www.geocities.com/osarsif/erros.htm) demonstra cabalmente que todas as práticas continuaram a existir por muitos anos, inclusive a ausência do destaque ao tetragrama.

Em outros
países costumava-se usar outras versões: No Brasil a versão
brasileiro, nos países de língua espanhola, versões que usavam (a
ainda usam com frequencia) o nome divino.

Isto apenas confirma que era o COSTUME LOCAL OU A TRADIÇÃO, que determinava qual a versão da Bíblia a ser usada E NÃO O FATO DE ELA CONTER OU NÃO O TETRAGRAMA.Do contrário, tal coisa não se daria justo no país-sede da Watchtower, os Estados Unidos. Estas evidências, adicionadas dos artigos acima, apenas confirmam o total equívoco de suas palavras quanto à ênfase da Watchtower ao Nome de Deus, desde sua fundação, no século 19, passando pela suposta "presença" de Cristo, em 1914, sua "inspeção", em 1918, a "aprovação" em 1919, e, pelo menos, pelos próximos 25 anos, quando adquiriu direitos de cópia sobre a American Standard Version e - pasme - mesmo assim, ainda deu a preferência à Versão Rei Jaime (que não continha o tetragrama) até 1950, quando lançou a TNM...

b) Por que a Sociedade apregoa que a TNM representa a restauração do
nome divino se, desde o século 17, a tradução espanhola de Cipriano
já usava o tetragrama milhares de vezes e a Holy Name Bible,
produzida por um antigo movimento religioso chamado "Assembléias de
Iavé", menciona o tetragrama em um maior número de vezes do que a TNM
no NT?

Não conheço o fato. Era do conhecimento dela? O ponto é que
ATUALMENTE, esta versão preocupa-se com a restauração do nome divino

Que você não conhecesse o fato, eu já esperava. A maior parte dos adeptos da Torre de Vigia também não sabe disto. Todavia, pergunto-lhe: Julga você que a ignorância de história por parte da Sociedade - o que denota, no mínimo, falta de responsabilidade em investigar os fatos antes de fazer afirmações presunçosas e, no máximo, desonestidade intelectual - justifica que a Torre de Vigia proclamasse estar "restaurando" algo, quando, na verdade, nada havia a ser restaurado? Acha possível que a Torre de Vigia não conhecesse a versão de 1901 - a American Standard Version, a qual continha o tetragrama? Veja: que o Corpo Governante ignorasse o fato de que, por séculos, o tetragrama sempre esteve disponível em 1) monumentos, 2) traduções do Antigo Testamento - com a de Cipriano de Valera , do século 17- em 3) cancioneiros protestantes do século 18 e 4) em muitos comentários bíblicos dos séculos 16, 17 e 18 (diversos dos quais presentes na biblioteca de Betel) já é difícil da aceitar. Agora, desconhecer a existência de uma versão contemporânea, comum nos EUA a partir de 1901, que já continha o tetragrama quase meio século antes de Fred Franz criar a TNM - convenhamos - É DEMAIS!!!

Se a "restauração" do tetragrama fosse o sinal identificador do ressurgimento do verdadeiro cristianismo, então a Sociedade teria de admitir que diversos eruditos bíblicos de séculos atrás, entre eles Cipriano de Valera (século 17), eram o "escravo fiel e discreto" - pois fizeram "ressurgir" o tetragrama séculos antes da Watchtower vir à existência. Todavia, o fato de diversos destes autores acreditarem em doutrinas como a trindade, a imortalidade da alma ou o inferno de fogo colocaria a Sociedade em apuros se fizesse tal afirmação. Portanto, o fato de uma religião preocupar-se - como você diz - "ATUALMENTE", com o uso do tetragrama, em nada prova constituir ela o canal entre Deus e a humanidade. É preciso examinar todos os outros aspectos desta religião, inclusive o moral. E nestes, a Sociedade Torre de Vigia tem deixado muito a desejar...

O uso que você faz da expressão "preocupar-se atualmente" reflete apenas o provincialismo de sua mentalidade, pensamento pelo qual atribui, para a sua própria época de existência, e segundo um único compartimento social - a Torre de Vigia - uma importância decisiva e ímpar sobre todas as outras eras. Tudo simplesmente porque você, semelhante aos visionários do passado, sente necessidade de colocar grandes acontecimentos e cumprimentos proféticos dentro de seu próprio período de vida. Assim sendo, todos os grupos religiosos do passado, como as "Assembléias de Javé", que utilizaram o tetragrama muito antes de Russel, são esquecidos, como se jamais tivessem existido, não sendo dignos nem ao menos de serem contados como parte do "Escravo Fiel e Discreto". O FATO (você não pode negar) DE TEREM ELES USADO O TETRAGRAMA EM SEU PRÓPRIO TEMPO JAMAIS PROVOU SEREM ELES A VERDADEIRA IGREJA DE CRISTO. TODAVIA, VOCÊ DESEJA QUE ACREDITEMOS QUE ESTE MESMÍSSIMO FATO, AGORA EM CONEXÃO COM A TORRE DE VIGIA, PROVA, PARA ESTA, O QUE NÃO PROVOU PARA AQUELAS DENOMINAÇÕES SÉCULOS ATRÁS!!! Já imaginou, se daqui a 1 século o tetragrama "sumisse" e reaparecesse 3 séculos depois, com uma outra religião, com crenças diferentes das TJ, seria esta nova religião o "escravo", ao passo que a Torre de Vigia não passaria de outra denominação antiga, como as "Assembléias de Javé"????

c) Estando Deus - segundo afirma a Sociedade na
"Despertai!" de 8/5/85 - a garantir a fidelidade e exatidão do texto
de sua Palavra ao longo dos séculos, bem como a vindicação de Seu
Nome, então por que, das cerca de 5.000 cópias antigas existentes do
NT, NENHUMA apresenta o tetragrama? Terá sido fraca a mão de Deus
neste respeito?

Praticamente nenhuma destas cópias é de todo o texto ou mesmo é
contemporânea ao período de escrita.

Argumento fragílimo e limitadíssimo em diversos aspectos.De tão superficial, sou levado a crer que é fruto de sua opinião ou conhecimento pessoal e não de uma pesquisa séria. Vou provar por que:

1) Não existem cópias "contemporâneas", NEM AS USADAS PELA TORRE DE VIGIA O SÃO - AO CONTRÁRIO, AS QUE ELA USA PARA ARBITRARIAMENTE INSERIR O TETRAGRAMA NO NOVO TESTAMENTO SÃO TRADUÇÕES DO GREGO PARA O HEBRAICO - PASME - DO SÉCULO 14 AO SÉCULO 19 - MIL ANOS MAIS NOVAS (e, portanto, menos confiáveis) DO QUE AS USADAS PELA MAIORIA DOS OUTROS TRADUTORES. E a cópia mais antiga do Novo Testamento de que se tem notícia - a única que tem chance de ter sido contemporânea - é a Chester Beatty Papirus No. 2 - com trechos de Romanos, I e II Coríntios, Efésios, Gálatas, Filipenses, Colossenses e I Tessalonicenses - datada 81 DC a 200 DC, sendo que esta primeira data a colocaria há cerca de apenas 20 anos dos escritos originais de Paulo. Nestes escritos Paulo menciona diversos trechos da versão Septuaginta. O fato, Hermman, é que - para o seu desapontamento e o da Torre de Vigia - neste que é o mais antigo códice de que se tem conhecimento, o tetragrama não aparece uma única vez, nem sequer nas transcrições da Septuaginta. Se houve adulteração - este é o 'raquítico' argumento da torre de Vigia, o qual ela não pode provar - nada indica ser razoável supor que ela tenha ocorrido logo após as cartas de Paulo e em um período onde o apóstolo João - o qual escreveu Apocalipse por volta de 96 DC - ainda vivia.

b) Não se esqueça de que não são 5 cópias nem 50, mas cerca de 5000 cópias, de modo que o conjunto formado por elas nos permite assegurar sua exatidão. Tanto isto é verdade que a própria Torre de Vigia reconhece este fato. Por exemplo, em A Sentinela de 1/4/1977, pág. 219 (em inglês), se diz:

"Qualquer que seja a versão das Escrituras Cristãs que você possua, não há qualquer razão para duvidar que o texto Grego na qual esta se baseia represente com considerável fidelidade o que os autores inspirados daqueles livros bíblicos originalmente escreveram. Embora estejam, agora, quase 2000 anos removidos do tempo de sua composição, o texto Grego das Escrituras Cristãs é uma maravilha de transmissão acurada."

A revista Despertai! de 8/5/1985 confirma o mesmo ponto de vista.

c) Ao passo que escritores cristãos do 4o. século, como Orígenes, Jerônimo e outros, argumentavam que o tetragrama deveria constar da versão Septuaginta do Antigo Testamento, nem um único destes escritores defendeu que estivessem presentes em qualquer das cópias das Escrituras Gregas Cristãs de qualquer época.

d) A PRÓPRIA SOCIEDADE, MESMO CONFIRMANDO A EXATIDÃO DOS MANUSCRITOS GREGOS, RECONHECE QUE NENHUM DOS MANUSCRITOS DISPONÍVEIS DO NOVO TESTAMENTO CONTÉM O TETRAGRAMA. Ah, a prova. Vamos a ela:

"...nenhum antigo manuscrito grego dos livros de Mateus a Revelação hoje disponível contém o nome de Deus por extenso."

Nome Divino que Durará para Sempre (1984), pág. 23

Há evidências no talmude de
Babilônia de que os judeus participaram na queima de alguns
manuscritos cristãos, devido a sua superstição para com o Nome.

É interessante vê-lo a mencionar uma fonte extra-bíblica, principalmente pagã, em apoio de sua tese. O máximo que sua evidência indica é que havia uma superstição entre os judeus pré-cristãos quanto ao uso do tetragrama, fato que ninguém jamais negou. Um fato que lhe escapa e que a Sociedade Torre de Vigia omite é que a alteração tetragrama versus Adonai/Theos é uma via de mão dupla e não de mão única (como ela quer fazer crer que é), ou seja, tanto já ocorreu a substituição arbitrária de IHVH por Adonai/Theos (feita pelos Soferins nas suas cópias do Velho Testamento) como o contrário, ou seja, a substituição arbitrária das palavras Adonai/Theos por IHVH (feitas por outros tradutores no Novo Testamento, séculos depois). Uma prova disto são as traduções hebraicas dos séculos 14 a 19 que a Torre de Vigia usa, bem como algumas traduções alemãs modernas que contém o tetragrama em notas de rodapé, as quais ela usa como base para justificar suas inserções do tetragrama no Novo Testamento (A Sentinela de 1 de Março de 1991)

A mão
de Deus não foi fraca a sua Palavra permaneceu essencialmente a
mesma, ademais as Escrituras Hebraicas serviram de boa base para
restauração do Nome divino.

Outra explicação pífia. Em primeiro lugar, porque "a Palavra de Deus permaneceu essencialmente a mesma", sim, EXCETO PELO TETRAGRAMA, o qual não aparece em um único manuscrito grego hoje disponível. Isto, você já viu que nem a Torre de Vigia nega. Das duas, uma: ou a mão dos escribas judeus supersticiosos foi mais forte do que a de Deus ou Deus queria criar um "enigma" contraditório, disponibilizando toda a narrativa de sua Palavra e, ao mesmo tempo, permitindo a ocultação de seu nome em todas as cópias disponíveis ao seu povo na modernidade. As duas hipóteses me parecem absurdas. Tenho certeza de que, entre as milhares disponíveis, houvesse apenas uma cópia contendo o tetragrama, você e a Torre de Vigia se agarrariam com "unhas e dentes" a ela e desconsiderariam todas as outras. Mas não há sequer uma. Em segundo lugar, ninguém nos tempos de Cristo jamais pôs a mão em um único manuscrito original das Escrituras Hebraicas, mas a versão de que Cristo e seus discípulos dispunham era a chamada Septuaginta, a qual consistia numa tradução do hebraico para o grego, iniciada cerca de 300 anos antes de Cristo . Com exceção de um pequeno número de manuscritos gregos - oriundos dos 1os. séculos depois de Cristo - a ampla maioria dos manuscritos, inclusive os mais antigos manuscritos completos (ou quase completos), não contêm o tetragrama , incluindo-se aí o Sinaítico, o 1209 do Vaticano e o Alexandrino , oriundos do 4o. e 5o. séculos DC. O único documento literário que aponta para a possibilidade de existirem, nos dias de Cristo, cópias da Septuaginta contendo o tetragrama são os chamados papiros Fouad No. 266, encontrados no Egito - não na Judéia - e datados como sendo de um século antes de Cristo. Mas, como eu disse, este documento não garante que tais manuscritos achavam-se disponíveis a Cristo e seus discípulos. Afirmar que estavam é uma presunção, não um fato comprovado. Cristo leu um manuscrito com a profecia de Isaías dentro de uma sinagoga judaica (Lucas 4: 16-21). Este manuscrito era, provavelmente, da Septuaginta. Não se pode provar se continha o tetragrama ou não. Tenha em mente que o costume de substituir IHVH por Adonai ou Theos originava-se dos próprios judeus a quem cabia a guarda de cópias do Velho Testamento. Os judeus bem que poderiam ter aderido ao costume secular de não pronunciar o tetragrama nem tê-lo transcrito do hebraico nos rolos das sinagogas, mas isto também é uma suposição. Assim sendo, ninguém pode, à base das evidências históricas disponíveis hoje, assegurar que Jesus e seus discípulos encontraram o tetragrama nos manuscritos que leram. Se o critério for o numérico, quero dizer, número de documentos contendo e não contendo o tetragrama, aí sim, não se pode negar, o número dos que não o contém é bem maior. Portanto, Hermman, a coisa é bem mais complexa do que simplesmente dizer que "as Escrituras Hebraicas serviram de boa base para a restauração do Nome Divino." Esta sua afirmação não poderia ser levada a sério por nenhum estudioso de valor...


d) Se a inclusão do tetragrama é condição
fundamental para atestar a canonicidade de um livro escrito por um
servo de Deus após a revelação do nome Divino a Moisés, em Êxodo, por
que então o livro de Ester (AT) não o menciona uma vez sequer e,
ainda assim é aceito como inspirado e livre de apostasia?

Não foi o que quis dizer. Citei apenas um dos fatos intrísecos aos
escritos de Franz.

Você parece não ter lido os escritos de Franz, pois, pelo que vi, todos os capítulos de ambos os livros deles contêm o nome Jeová. Neste caso, o livro de Franz pareceria mais "canônico" do que o de Ester, não? Talvez aquilo a que você se refira seja o uso do nome tal qual a Sociedade faz, como um "fetiche" ou "amuleto" identificador dos verdadeiros cristãos. De fato, a Torre de Vigia age e fala como se detivesse o copyright do tetragrama, ignorando inúmeros movimentos ao longo dos séculos - como as "Assemléias de Javé" - que carregaram este nome e diversos que ainda o carregam, só que, empresarialmente falando, não tão bem sucedidos quanto a Watchtower de Brooklyn, que se faz notar em boa parte do mundo graças aos milhões de dólares que obtém da venda de publicações e diversos outros negócios - fazendas, imobiliárias e até financeiras. Este uso do tetragrama, realmente R. Franz não faz e ele próprio explica por quê (cap. 14 de Search). Em parte, o motivo para os que deixam a Torre de Vigia deixarem de usar o tetragrama é pela associação obsessiva e imprópria dele a uma organização com sede em Brooklyn. E desta, quem sai normalmente não quer nem lembrança. Neste caso, eu afirmo, é a própria Torre de Vigia que tem lançado vitupério sobre o tetragrama! Se as pessoas tivessem tido conhecimento do tetragrama por si próprias e não sob o controle opressivo do Corpo Governante - e associado a ele, só a ele - talvez fizessem uso mais frequente e natural do antigo nome...

Nem o uso do nome de Deus prova que alguém é servo
de Deus, nem o contrário.

Concordo inteiramente com esta afirmação!

Isso não invalida a necessidade de se
santificar o nome de Deus e torná-lo conhecido a outros.

Esta afirmação contradiz a anterior. Se há a "necessidade" de tornar conhecido o tetragrama, então o verdadeiro cristão tem de fazê-lo. Se tem de fazê-lo então isto o distingue ou é elemento de prova quanto a ele ser cristão, coisa que a sua afirmação anterior já negou. É uma questão de lógica, meu amigo...

O fato de o
próprio Deus fazer referência diversas vezes a este nome salienta a
sua importância.

Você retornou à mesma afirmação já feita no início deste texto, sem apresentar evidências que comprovem o uso do tetragrama - do modo que a Sociedade insiste que seja feito - após o advento do cristianismo. Se a própria Sociedade não conseguiu provar isto até hoje, duvido que você o possa...

e) Se o uso do tetragrama é sinal identificador
dos verdadeiros cristãos - não mencioná-lo frequentemente seria
indício de apostasia - então por que , até na própria tradução da
Watchtower, o nome divino não é mencionado uma vez sequer em QUATRO
cartas do apóstolo Paulo - Filipenses, I Timóteo, Tito e Filêmon - e
nas TRES cartas do apóstolo João? Estariam estes apóstolos
"apostatando"?

Não necessariamente o uso do tetagrama, mas a santificação do nome de
Deus, diferenciando dos que o tornam anônimo ou propositadamente
omitem o seu nome chegando a confundí-lo com o próprio Senhor Jesus.

Outra contradição. Se "não necessariamente o uso", então como "santificá-lo" sem usá-lo? Esta é uma afirmação onde você, sutilmente, volta a insistir na obrigatoriedade do uso do tetragrama após Cristo e hoje em dia como modo de diferenciar os "verdadeiros cristãos" - as Testemunhas de Jeová - dos "falsos cristãos", ou seja, aqueles que não "santificam" o nome de Deus "propositadamente", como você o diz. O problema é que, no afã de, de modo semelhante ao milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, fazer o "milagre" da "multiplicação do tetragrama" em passagens da Bíblia onde ele não se encontra em um único registro histórico, a Torre de Vigia acabou por diminuir a importância de Jesus Cristo ou da glória que lhe foi atribuída pelo próprio Deus. Quer provas? Vamos a elas:

Por ocasião do envio de Jesus Cristo ao mundo, Deus, o Pai, enalteceu-o a um nível jamais igualado por qualquer outro ser. Isaías 9: 6, por exemplo, aplica para o Messias títulos antes só atribuídos a Deus, tais como "Pai Eterno" e "Deus Poderoso". Expressões que se referiam a Deus, foram diretamente aplicadas a Cristo no Novo Testamento. Alguns exemplos:

Hebreus 1: 10

"...Com referência ao Filho:....."Tu, ó Senhor, lançaste no princípio os alicerces da própria terra, e os céus são obras das tuas mãos...."

O apóstolo Paulo, aqui, referindo-se a Cristo, cita o Salmo 102: 25, 26. Abra sua Bíblia, observe o contexto e verá que Davi falava clara e diretamente de Deus e aplicando o tetragrama.

Pergunto: Por que será que a Torre de Vigia não substituiu a palavra Kyrios (Senhor) no texto acima pelo tetragrama, obedecendo o mesmíssimo princípio pelo qual o inseriu em muitas outras passagens onde se lia "Senhor", mesmo sem o apoio de um único documento histórico?

Resposta: Porque, se o fizesse, pareceria apoiar a trindade. Aqui, a Torre de Vigia não se atreveria sequer a substituir Kyrios (Senhor) por Theos (Deus). Assim sendo, vemos que NÃO é a fidelidade ao texto hebraico ou grego que induz a Torre de Vigia a substituir "Deus" ou "Senhor" pelo tetragrama, mas a FIDELIDADE A SUAS DOUTRINAS!!!! Se a Torre de Vigia fosse trinitarista, não tenho a mínima dúvida de que ela introduziria o tetragrama aqui também...

Romanos 10: 1-7

O tema em questão em todo este trecho da carta de Paulo é a fé em Cristo. Leia o texto e verá que Paulo se refere a ele o tempo todo. Subitamente, ao chegar no versículo 13, a Sociedade verte - ao invés de "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo"- assim: "todo aquele que invocar o nome de Jeová será salvo", MESMO SABENDO QUE NEM UM ÚNICO CÓDICE DISPONÍVEL VERTE O TEXTO ASSIM. Como ela justifica? Diz que o texto é uma reprodução de Joel 2: 32.

Se isto justifica a inserção do tetragrama neste texto, então por que, pelo mesmíssimo princípio, NÃO incluiu o tetragrama no exemplo anterior? Se a Torre de Vigia sabe que diversos textos aplicados apenas a Deus no passado foram aplicados diretamente a Cristo - e Hebreus 1: 10 prova isto - com que autoridade, arbitrariamente e contra todas as provas disponíveis, inclui aqui o tetragrama?

É digno de nota, também, que Pedro, no capítulo 2 de Atos, após citar o profeta Joel, convida as pessoas a serem batizadas "no nome de Jesus Cristo, para o perdão de pecados" ( Atos 2: 21, 38)

Assim, em face de tal evidência, que direito tinha Fred Franz de alterar o texto sagrado, quando, em parte alguma do mundo, em qualquer que seja o códice do Novo Testamento, encontra-se tal inserção? Podia ele GARANTIR que o texto original era assim???


Sempre que os escritores cristãos faziam referência as Escrituras
Hebraicas evidencia que eles usavam o nome divino. A não ser que ache
que eles eram favorável a "tradição".

Nem a Torre de Vigia nem você conseguiriam provar que os escritores cristãos faziam isto, simplesmente pelo fato de que não se pôde provar até hoje qual a versão da Septuaginta de que eles dispunham. E todas as cópias disponíveis daquilo que foi escrito por eles, repito - todas, não contêm o tetragrama. Outro fato estranho que você e a Torre de Vigia não conseguiriam explicar satisfatoriamente é não terem sido Cristo ou os discípulos ou os apóstolos, EM NENHUMA OCASIÃO CRITICADOS PELOS JUDEUS POR FAZEREM USO DO TETRAGRAMA. Se, de acordo com evidências históricas, os judeus reservavam o uso do tetragrama apenas ao sacerdócio Arônico no interior do templo, POR QUE EM NENHUMA OCASIÃO ACUSARAM A JESUS OU OS DISCÍPULOS DE BLASFÊMIA OU DO USO DO NOME DIVINO EM VÃO? Se eles usavam regularmente o tetragrama, era de se esperar que, em alguma ocasião tal fato acontecesse, não? Por outro lado, se havia o costume de não pronunciar ou de não transcrever o tetragrama - e isto a Torre sustenta que havia - então POR QUE, EM NENHUMA OCASIÃO, JESUS OU OS DISCÍPULOS MENCIONARAM OU CRITICARAM TAIS "TRADIÇÕES"? Em um sermão, Jesus falou daqueles que "invalidavam a Palavra de Deus por causa de suas tradições" (Marcos 7: 13) , mencionando diversos exemplos. Responda Hermman: POR QUE ELE NÃO APROVEITOU ESTA OCASIÃO PARA MENCIONAR UMA TRADIÇÃO QUE DESONRAVA O NOME DO ALTÍSSIMO??? Por que mencionou exemplos de menor importância e não aquele da máxima importância?

f) Em face das 7.000 vezes que o tetragrama
aparece nas Escrituras Hebraicas, por que o mesmo aparece tão pouco
nas Escrituras Gregas Cristãs, mesmo na discutível TNM, onde aparece
só 237 vezes, ao passo que o nome de Jesus Cristo aparece 912 vezes
(quase quatro vezes mais)? Nota: eu próprio andei verificando, por
exemplo, um livro do AT com o mesmo número de páginas de Mateus;
encontrei nele cerca de 300 citações do tetragrama. Em Mateus, pela
TNM, encontrei pouco mais de 10 vezes. Pela esmagadora maioria das
outras traduções, nenhuma vez sequer. Por que esta disparidade?

Curiosamente, quantos livros proféticos existem nas escrituras grega?
ou livros de cânticos?

Na escritura grega, TODOS OS EVANGELHOS são proféticos e mais o livro de Revelação, o qual só apresenta o tetragrama 2 vezes e não na forma normal, mas contraída - Aleluia. Repito: nenhuma cópia disponível de tais textos hoje possui o tetragrama. A Torre de Vigia jamais conseguiu provar que os originais o continham. Neste respeito, todos estes relatos encontram-se em franco contraste com os livros do Antigo Testamento, à exceção de Ester.

Quantas vezes Deus em pessoa falou?

Deus falou em conexão com o batismo de Cristo, em uma forma totalmente diferente da costumeira no tempo do povo pactuado israelita. Ele não disse: "Eu sou Jeová e este é meu filho, o amado, a quem tenho aprovado." Mas disse simplemente: "Este é meu Filho, o amado a quem tenho aprovado." (Mateus 3: 17)

Estatísticas não são o ponto em questão. Jesus santificou o nome de
seu Pai, seu próprio nome pessoal evidencia isso. Daí o significado
do nome Jesus : "Jeová é Salvação".

Estatística refere-se à frequência com que um fato esperado ocorre. Se este fato, subitamente, pára de ocorrer, ou ocorre em uma frequência espantosamente menor, é natural que se pergunte por quê. Ainda mais quando se trata do Nome do Todo-Poderoso. Requer uma boa dose de alienação ou distração para não notar o fabuloso contraste entre o Antigo e Novo Testamento neste respeito. Além disso, aqui você falaciosamente restringe o termo "nome" a um substantivo, quando sabe muito bem que este refere-se a algo bem mais profundo - a reputação ou a honra. Adicionalmente, não se esqueça de que os seguidores de Jesus foram, PELA PROVIDÊNCIA DIVINA, chamados "CRISTÃOS", um nome que NÃO contém explicitamente o tetragrama (Atos 11: 26). O nome Jesus ("Jah é Salvação") simplesmente mostra que o tetragrama encontrou nele seu cumprimento final e, portanto, não serve de apoio à sua tese do uso obrigatório do tetragrama aos cristãos.



g) Por que a Sociedade, na TNM, contrariou o
princípio básico de aderir aos manuscritos mais antigos do NT, entre
eles um do 2o. século DC ou antes (Chester Beatty Papirus No. 2), e,
arbitrariamente, optou por traduções do grego para o hebraico datadas
do 4o. século em diante?

No caso do nome de Deus, para legitimar que a restauração do
tetagrama também era adotada em versões mais antigas (num tempo em
que os tradutores possivelmente tinham acesso as versões
contemporâneas a escrita).

Outra explicação absurda. Como "legitimar" se 1) Não se dispõe de nenhuma de tais "versões mais antigas" e 2) Nenhum dos códices disponíveis do Novo Testamento, desde o 1o. até o 5o. século DC, confirma tal prática?

Ainda bem que você usou a palavra "provavelmente" - ou seja, admitindo ser apenas uma HIPÓTESE ou SUPOSIÇÃO. Saiba que tal suposição jamais pôde ser provada. Portanto, não a imponha a outros como fato!

Mais um detalhe: a própria Torre de Vigia reconhece que "quanto mais velho o manuscrito bíblico é, tanto mais próximo dos originais é provável que esteja..." ( A Sentinela de 15/3/1982, pág. 23, em inglês). Para mim, não é novidade que a Sociedade, no intuito de legitimar suas doutrinas, atropele seus próprios princípios...

h) Por que os apóstolos e discípulos de Cristo, ao
referirem-se ao Ser supremo, usaram 22 vezes a expressão "Senhor
Deus", 40 vezes "Deus Pai" e 1.275 vezes simplesmente "Deus"?
Estariam eles "apostatando"?

Como dito acima este não era o caso. Uma vez que a leitura das
escrituras era parte vívida de sua adoração era impossível que não
visessem uso do nome divino em seu cotidiano (como também os judeus
no passado - e não por simples compulsão, afinal os livros do AT
também foram inspirados por Deus).

SE VIAM O NOME DIVINO EM SEU COTIDIANO, POR QUE NÃO O USAVAM FREQUENTEMENTE? A estatística acima PROVA COM NÚMEROS que eles não o faziam. Mesmo na viciadíssima Tradução do Novo Mundo. Experimente comparar com a frequência do tetragrama nos diálogos dos hebreus no Antigo Testamento. Diga-me, sinceramente, você não estranha nada? Insiste em negar o que os números afirmam?

OBS: Em I Coríntios 8: 5, 6, Paulo distingue o Criador de outros "deuses" SEM MENCIONAR O TETRAGRAMA UMA ÚNICA VEZ! Semelhante a Cristo, chama-o "Deus" e "Pai". Aguardo uma explicação razoável, Hermman...

i) Mesmo considerando que a TNM esteja correta ao
introduzir o tetragrama 237 vezes no NT, por que a referência a Deus
é feita 260 vezes sob a forma de "Pai"?

Embora Jesus tenha santificado o nome de Jeová, ele sempre fazia
menção a sua relação com ele e o privilégio que seus discípulos
também teriam. Isso não invalidava o uso do nome.

Você não respondeu o que eu perguntei. Primeiro, aplica um sofisma sugerindo que Cristo "santificou" o nome de Deus por meio do uso do tetragrama - restringindo o significado da palavra "nome"- coisa que você não pode provar. Segundo, parece sugerir que Jesus usava o termo "pai" por causa de sua intimidade com Deus. E quando ensinou àqueles que não eram tão íntimos, por que não frisou o uso do tetragrama? Queira, por favor, na oração-modelo ("Pai Nosso") me mostrar a presença explícita do tetragrama....



j) Por que não encontramos (exceto na TNM, nos
trechos das citações do AT) nas pregações de Cristo tais como o
sermão do monte, a oração-modelo ou em suas orações na noite de
agonia até o suplício final, UMA VEZ SEQUER, o uso espontâneo do
tetragrama?

Veja resposta acima. Jesus claro na necessidade de santificar o nome
do Pai. Acha realmente que temos registrado tudo o que Jesus falou?

O quê? Acabo de flagrá-lo em apostasia, Hermman! Está você sugerindo que há passagens importantes do que Cristo falou - passagens que glorificariam explicitamente o tetragrama - e que não mereceram registro ou foram omitidas das Escrituras? Por que não se apóia no que Cristo disse e foi registrado, e não no que ele NÃO disse ou disse e não foi escrito? Queira ler 2 Timóteo 3: 16...


Se não fosse ele não teria dito que deu a conhecer o nome de Deus
(que naturalmente envolve algo mais além do nome).

Se você próprio reconhece que "nome" tem mais de um sentido, por que insiste no substantivo? SE você insiste no substantivo e no uso explícito dele, então somos obrigados a concluir, a partir das palavras registradas de Cristo nos evangelhos, que ele NÃO DEU A CONHECER O NOME DE DEUS, pois o mencionou com muito menos frequência do que qualquer israelita do passado, se é que o mencionou! Isto faria de Jesus um apóstata...

Não sei bem o que você diz por uso expontâneo.

Espontâneo significa de iniciativa própria, sem estar lendo um manuscrito ou repetindo as palavras de alguém - e isto só na Tradução do Novo Mundo. Queira me mostrar, por favor, uma - repito, só uma - ocasião em que Jesus fez isto.

Isso quer dizer que
Jesus, quando lia o nome de Jeová não o fazia espontaneamente, se
pudesse faria por Senhor?

Você sabe o que estava escrito no rolo de Isaías que Cristo leu na sinagoga? Tem um para nos mostrar? Havia grande probabilidade de conter Adonai ou Theos, ao invés de IHVH. Suponhamos que não contivesse o tetragrama. Por que Jesus não faz qualquer crítica ao costume judaico? E, uma vez tendo feito, por que os rabinos não reagiram imediatamente?Suponha que contivesse. Então por que, fora desta leitura ou de qualquer menção do Antigo Testamento, Jesus não fez uma - repito, uma única - menção do tetragrama? Não veio Cristo para combater tradições ou costumes que anulavam a palavra de Deus? Não mostra o relato dos sermões de Cristo que até você usa o tetragrama mais do que Cristo?

(veja o último capítulo do evangelho de João).

João 21: 25 diz: "Há, de fato, também muitas outras coisas que Jesus FEZ, as quais, se alguma vez fossem escritas em todos os pormenores, SUPONHO que o próprio mundo não poderia conter os rolos escritos."

Hermman, diga-me, ONDE exatamente tais palavras PROVAM a existência, da parte de Jesus Cristo, de um hábito importante que nenhum dos registros dos 4 evangelhos juntos mostrou? Será o NÃO escrito mais importante do que o escrito?

Quero crer que você tenha alguma explicação melhor....

k) Por que Jesus Cristo, na noite de sua morte,
referiu-se quatro vezes ao "nome" de Deus sem mencionar uma única vez
o tetragrama, tendo se referido a ele como "Pai" 50 vezes e, nos
últimos momentos, clamou ao ser supremo, não usando o tetragrama, mas
chamando-o de "Meu Deus" e "Pai" (João 17: 6,11,12,26 e Mateus 27:
46)?

Curiosamente, sempre que o Pai deu testemunho pessoal sobre Jesus
(como no batismo e outras ocasiões) ele não mencionou seu nome,
Jesus, por que?

Retificação: sempre que o Pai deu testemunho sobre Jesus ou sobre qualquer outra coisa no Novo Testamento, ele não mencionou o tetragrama.

A legitimação de Jesus como salvador da humanidade e
filho de Deus e não a divindade de Jeová ou Seu Nome é um dos pontos
principais na pregação dos apóstolos e da congregação primitiva, isto
explica o motivo de se mencionar tanto o nome de Jesus nas escrituras
gregas.

Concordo em parte com esta explicação. Concordo quando diz que a legitimação de Jesus é o tema central das Escrituras Cristãs. Discordo quando diz que é "um dos pontos" , pois tal resgate é o cerne da pregação dos apóstolos, a sua essência. A mensagem dos apóstolos pode ser resumida em: Deus enviou a Cristo e todo aquele que nele crê será salvo. O arranjo da lei mosaica passara, com todos seus símbolos e costumes também. Adotar, na atualidade, o tetragrama dos hebreus como um amuleto, bem como um nome dirigido aos israelitas do velho pacto cerca de 700 anos antes da vinda de Cristo, tal qual faz a Torre de Vigia hoje me dia é desviar da mensagem dos discípulos e apóstolos de Cristo. É retroceder no tempo e ressuscitar uma prática hebréia de mais de 2000 anos atrás. E o mais importante: NUNCA PROVOU QUE A INSTITUIÇÃO QUE ASSIM AGE É O "CANAL DE DEUS!" Quer provas: Cipriano de Valera, as Assembleías de Javé e diversos outros.

OBS: Outro dia eu conversava com o Bill e chegamos à seguinte conclusão: o SÁBADO está para os Adventistas do Sétimo Dia, assim como o Tetragrama está para as Testemunhas de Jeová. São seu amuleto, seu talismã ou estandarte. A forma pela qual querem se fazer melhores do que todas as outras religiões...

A Bíblia inteira é a Palavra de Deus, não é o caso de
estabelecer comparativos entre uma parte e outra.

Tentativa vã de negar os fatos. Se a Bíblia é uma só, então certamente não deveria haver um contraste tão notável justamente em um ponto deste - o nome do Criador. Não se esqueça: o fato de Cristo ser o Messias de forma alguma implica que o tetragrama tenha que ser tão pouco utilizado ou não utilizado no Novo Testamento. Há razões mais consistentes para isto. Você parece não querer vê-las, pois aprendeu a associar a única religião verdadeira com um hábito compulsivo certamente não compartilhado por Cristo ou os apóstolos. As Escrituras provam isto...

Um abraço,

Outro.

Hermman

Odracir

PS: Infelizmente, Hermman, apesar de todo seu comovente esforço, você não conseguiu ser de ajuda ao Corpo Governante em responder convincentemente e com provas documentais os questionamentos que levantei. Lamento... (aguardo melhores explicações, mas, ao mesmo tempo, duvido que as possa fornecer)


 

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